A Baleia Azul

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O assunto do momento. O jogo Baleia Azul. Esse jogo apareceu pela primeira vez na Rússia, onde uma jovem de dezessete anos cometeu suicídio. Inclusive um suspeito de ser o primeiro curador foi preso.

No que consiste o jogo? Em linhas gerais existem 50 tarefas passadas por um indivíduo, identificado como curador, para que o participante do jogo o pratique. Uma tarefa por dia. E a última tarefa seria simplesmente se matar. Algumas dessas tarefas são:

 1 – Com uma navalha, escreva a sigla “F57” na palma da mão e em seguida enviar uma foto para o curador.

         2 – Assista filmes de terror e psicodélicos às 4:20 da manhã, mas não pode ser qualquer filme, o curador indicará, lembrando que ele fará perguntas sobre as cenas, pois ele quer saber se você realmente assistiu.

         3 – Corte o seu braço com uma lâmina, “3 cortes grandes”, mas é preciso ser sobre as veias e o corte não precisa ser muito profundo, envie a foto para o curador, e seguirá para o próximo nível.

E vai ficando pior, até que se chega às ultimas tarefas:

29 – Fazer um voto de que você é realmente uma baleia azul.

          30 – 49 – Todos os dias você deve acordar às 4:20 da manhã, assistir a vídeos de terror, ouvir músicas que “eles” lhe enviam, fazer 1 corte em seu corpo por dia, falar “com uma baleia” durante o intervalo dos desafios entre o 30 e 49.

          50 – Tire sua própria vida.

 

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Percebe-se que todas essas tarefas têm o intuito de enfraquecer o jogador psicologicamente até que se atinja o último grau, que é fazer com que se mate.

Infelizmente, o jogo atingiu sucesso e fez várias vítimas, todas adolescentes ou jovens adultos, entre 15 e 24 anos de idade.

Recentemente tivemos casos de suicídios no nosso país já relacionados a esse jogo. E esse fato acendeu uma discussão enorme sobre o assunto. O que fazer? Como reagir? Mas, principalmente, como cuidar de nossos filhos adolescentes para que não caiam nesse precipício.

Não sou psicólogo, nem tenho alguma formação na área, mas sou pai de uma adolescente de 13 anos e o receio se instalou na minha residência, como deve ter acontecido com milhares de pais no Brasil e no mundo.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), já foram registrados mais de 800 mil suicídios no mundo inteiro sendo que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking, ultrapassando o número de 12 mil casos ao ano. E desse número já está preocupando o aumento de suicídios entre os jovens e adolescentes.

Uma das principais causas é a depressão que atinge vários níveis, inclusive entre os jovens, que na teoria não viveram o suficiente para ter esse distúrbio, como imaginam muitas pessoas. O problema é que depressão é uma doença que precisa de tratamento, e igualmente, precisa ser falada. Muitas pessoas que têm depressão não falam, mas dão pistas e as pessoas mais próximas precisam estar atentas a essas pistas. E quando surge um jogo como esse, quebra mais ainda a proteção psicológica do jovem.

Outra das causas seria o bullying, em casa, nas escolas ou qualquer outro tipo de atividade que envolva a criança ou adolescente.

Nem tudo é culpa dos pais, que nos últimos anos passaram a trabalhar mais para conseguir dar aos filhos uma estabilidade e um futuro melhor, ainda que isso acabe fazendo com que passem menos tempo em família. Evidente que há uma parcela de culpa aí, e os filhos, ausentes dos pais, acabam encontrando na internet um frágil substituto para essa ausência.

A internet, desde que virou mania, contribuiu muito para que os jovens (não só, mas principalmente) ficassem mais tempo em casa, jogando, assistindo a filmes e séries e tendo conversas intermináveis através das redes sociais e bate papos como o WhatsApp. São agora os chamados Filhos do Quarto. Nesse caso os pais precisam manter uma vigilância maior e mais acurada e manter também um diálogo aberto e sincero com os filhos. A rede mundial também virou porta de entrada para muita coisa ruim. A Baleia Azul é só mais uma e, pode ter certeza, ainda vão aparecer mais coisas.

Agora, é necessário quebrar com o tabu e jogar na cara da sociedade que algo precisa ser feito. As taxas de suicídio continuam aumentando. Precisamos cuidar de nossos filhos.

Às vezes algo dessa natureza precisa acontecer para que se faça alguma coisa. O jogo veio e escancarou uma fragilidade. Essa fragilidade deve ser discutida com urgência, por todos os envolvidos, ninguém deve fugir à responsabilidade, nem os pais e nem o Poder Público.

 

Antonio Henrique Fernandes

Colunista

 

 

6 Comentários

  1. Parabéns pelo texto.

    Acredito que para combater a Baleia Azul o ideal é o mesmo que para vários outros males da sociedade moderna, é ter mais atenção com todos aqueles que estão próximos a nós, não somente filhos, mas sobrinhos, irmãos, primos, amigos, colegas de trabalho, enfim, é preciso darmos atenção aos seus questionamentos e necessidades, para identificarmos mudanças mínimas que farão toda a diferença no combate a situações perigosas como essa. Conforme dito no texto, “ninguém deve fugir à responsabilidade, nem os pais e nem o Poder Público”, A responsabilidade é todos.

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