A Mansão do Rio Vermelho – Vol. 1 – Artur Laizo

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Oi pessoal!

Na adolescência, fui introduzido no mundo vampiresco através do filme Drácula de Bram Stoker, que tem Gary Oldman no papel principal. Minhas crenças religiosas da época fizeram com que tivesse muitas ressalvas e certo temor, apesar do fascínio que me acometeu. Hoje dou muitas risadas quando lembro das tantas coisas que criei resistência e afastamento por causa do tipo de que fé com a qual fui doutrinado.

Esse pequeno relato é a porta de entrada para apresentar a vocês mais uma resenha, e desta vez de um livro que me surpreendeu muito positivamente. “A Mansão do Rio Vermelho – Vol. I” é o início da história escrita pelo autor Artur Laizo. O segundo livro já foi lançado, e em breve iniciarei sua leitura, e o terceiro volume tem previsão de sair no próximo ano.  Faz parte da coleção Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século.

“- Doutor, o senhor quer me dizer que a vítima morreu sem saber que seria morta, ou que estivesse em um estado tal de doping, que não sentiria nada?”(pag.13)

Quando o dia amanheceu, a pequena cidade de São José estava num rebuliço total. A divulgação da notícia de que o corpo de uma mulher loira foi encontrado decapitado em um terreno baldio mexeu com os moradores locais. A forma minuciosa de como o crime aconteceu, sem quaisquer vestígios de pistas era intrigante. Mortes violentas eram raras por ali, e o fato deixou muita gente assustada. O delegado tinha consciência de que estava diante de um crime bem peculiar, mas não mediria esforços para encontrar o assassino.

Jaime achou a notícia do crime interessante. Ele era fissurado em acontecimentos misteriosos. No momento em que soube, o jovem psicólogo procurou saber diversos detalhes sobre o ocorrido. Ele não imaginava como a sua vida tomaria novo rumo por causa desta morte.

“Era um homem lindo. Augsparten fora presentado pela natureza com imensos e penetrantes olhos azuis, cabelos pretos longos, e uma boca que provocava desejos imagináveis”. (pag. 16)

Na velha Mansão do Rio Vermelho fora construída a mais de 300 anos e nela vivia o dono de uma das mais cobiçadas e instigantes propriedades da cidade, tomadas por alguns como “mal assombrada”. Frederick Augsparten, que prefere ser chamado de Frederico, está a pouco tempo na região e poucas pessoas o conhecem. Nos lugares onde chegava, sua presença chamava muito a atenção. A curiosidade certamente era grande e ele sabia disso. E não, não faltaria oportunidade para que desfrutassem de sua companhia.

“O cheiro de patchouli aumentou e Jean começou a sentir-se envolvido por uma onda de energia desconhecida. Olhou para o lado e viu o carona com os olhos brilhantes e vermelhos olhando para ele. Sentiu uma atração incrível pelo homem…”. (pag.21)

Era noite de sábado. Sem saber ao certo o que fazer ou para onde ir, Jean pegou o carro e saiu. Enquanto dirigia decidiu que o melhor seria se dirigir ao bar que costuma frequentar e lá beber com os amigos. A rua estava deserta, e em determinado momento percebeu que mais a frente havia alguém. Quando parou ao lado da pessoa e baixou o vidro, sentiu-se automaticamente atraído por aquele olhar. O estranho se dizia perdido naquele lugar deserto e pediu carona. Jean não recusou e enquanto seguia viagem não conseguia concentrar-se. Uma atmosfera diferente pairava dentro do veículo, e o que se sucedeu entre os dois homens deixaria uma marca profunda na vida do rapaz.

Numa determinada noite Jaime estava no bar e foi apresentado ao Frederico por um paciente. Os dois homens conversaram bastante e dali surgiu grande amizade. O jovem psicólogo passou a frequentar a velha mansão, a pedido de seu proprietário. Durante suas conversas noturnas descobre muitas coisas sobre ele, sobre seu passado e a sua possível relação com o misterioso assassinato. Ao mesmo tempo, com estas descobertas, também percebe que precisa ter cuidado, e zelar pela vida das pessoas que lhe são mais próximas, principalmente seus pais, Patrícia, a garota pela qual ele possui sentimentos, e a sua amiga repórter Maria Goretti.

O foco da narrativa é centrado nos dois homens (Frederico e Jaime), mas outros personagens possuem a sua importância e contribuem para o bom desenvolvimento da história. Há uma revelação que para mim foi sensacional, envolvendo a mãe do Jaime e mais algumas outras mulheres. O destino do Augsperten poderá ser definido por elas. Também uma informação nova sobre o jovem psicólogo colocará mais uma dose de suspense na historia.

A descrição e a personalidade do Frederico me remeteram ao Lestat, personagem de Interview of the Vampire, livro escrito pela Anne Rice e que foi interpretado no cinema pelo Tom Cruise. E a curiosidade do Jaime em saber as coisas me fez lembrar o Daniel, o repórter vivido pelo Christian Slater no mesmo filme.

Eu confesso que ao ver o título a princípio pensei que a história se passava no tradicional bairro do Rio Vermelho, localizado na minha amada Salvador. Todo o projeto gráfico do livro é perfeito. A capa é muito bonita, desperta muito a atenção.

Gostei da forma como o enredo foi conduzido. Os capítulos não são grandes, o que ajuda na fluidez da leitura, pois o autor não fica repetindo coisas sem necessidade. Surgem algumas interrogações quando o livro chega ao fim, mas ainda há como disse no início, mais dois volumes para que tudo possa ser esclarecido.

Se quiser uma boa recomendação de suspense que envolva sobrenatural, A Mansão do Rio Vermelho é uma excelente dica.

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