A Mansão do Rio Vermelho – Vol. 2 – Um Vampiro nos Trópicos – Artur Laizo

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Olá pessoas queridas. Vamos resenhar um pouco mais?

O segundo volume de “A Mansão do Rio Vermelho”, escrito pelo mineiro Artur Laizo tem 383 páginas. Lançado em 2018, o livro faz parte da coleção Talentos da Literatura Brasileira, da Editora Novo Século. O subtítulo desse volume é “Um Vampiro nos Trópicos”.

Na crítica do primeiro volume, eu disse que havia gostado muito da história pelo enredo, pela forma como fora escrita e pelas coisas que me fazia lembrar. Cheguei a falar também que a principio pensava que a história a se desenrolava num bairro de Salvador, chamado Rio Vermelho.

Pois bem. Para minha alegria, essa continuação consegue ser tão boa ou melhor que a inicial. E como fator surpresa, a maior parte dela acontece exatamente na minha querida Salvador! Isso mesmo. Os acontecimentos se desenvolvem em alguns dos meus locais preferidos da cidade.

“ – Ele está lá, Jaime. Augsparten está na Bahia e precisa de você.  – Mas como você o descobriu – pergunta Jaime ao amigo repórter.  – Eu não o descobri. Ele me descobriu…” (pág. 7).

No final da primeira história Frederico Augsparten é dado como morto. Ao mesmo tempo em que Jaime, César e Goretti se dirigem à mansão do vampiro e chamam a polícia para identificar o assassino procurado, as bruxas da cidade de São Luiz realizam o ritual na igreja. Elas conseguem trazer o alemão para o local a fim de expulsá-lo mais uma vez, todavia não conseguem, pois ele havia mordido Jaime, que também é bruxo, e o sangue do rapaz agora corre em suas veias. De volta à mansão, Frederico se desintegrou na frente dos presentes depois que o psicólogo finca uma estaca de madeira no seu peito.

Já na primeira página descobrimos que o vampiro se encontra vivo, e muito bem vivo. Passaram-se alguns anos desde que a paz voltara a reinar em São Luiz. César agora é um repórter importante e é designado para realizar algumas matérias sobre Salvador. Viaja até a capital baiana para a tarefa, e ao sair para conhecer os locais turísticos percebe que um homem olha para ele fixamente, e isso ocorre em diferentes locais. Em um deles ele se dirige ao desconhecido e surpreso, descobre se trata de Frederico.

Augsparten então revela que precisa de ajuda para entrar em contato com Jaime e retornar a São Luiz, pois ele sabe que as coisas lá estão mudadas. Começa a contar o que aconteceu depois que foi dado como morto. Ficou escondido num casarão abandando por um bom tempo, e quando se recuperou precisava ir para outro local. Escolheu Salvador.

Construiu outra casa, que ficava em local cobiçado e constantemente recebia propostas de compra. Recrutou outros empregados. Saía à noite pelas ruas para alimentar-se. Suas vítimas eram geralmente bêbados, mendigos, drogados. Fazia sexo com mulheres magníficas. Demonstrava preocupação com algumas pessoas. Podemos observar em certos momentos o lado “humano” do vampiro.

Os relatos dos locais mencionados fizeram-me viajar. Pelourinho, Barravento, Av. Oceânica… Lugares maravilhosos que eu conhecia, e às vezes costumava ir. A medida que os personagens falavam do ar, do clima, da energia dos ambientes eu sentia como se estivesse passando por eles no exato momento.

Em São Luiz, Jaime vivia na mansão que fora lhe deixada como herança por Frederico. Fez uma boa reforma e passava a maior parte das noites sentado na sacada, nú, bebendo vodca e pensando. Mesmo ritual do Frederico. Pensava muitas vezes no vampiro. Sentia o cheiro de patchouli e a presença dele parecia que era real. Perguntava-se se estaria realmente morto.

“ – Você precisa passar por um ritual – afirmou dona Leonora. – Você nunca soube que seria um homem com dons”. (pág. 105)

Sua mãe lhe contara sobre ser o rapaz descendente de bruxas, e ele próprio um bruxo poderoso. Augsparten já havia lhe dito algo a respeito, mas ele só veio mesmo a acreditar depois que participou de uma reunião da casa de D. Leonora, com a presença das outras bruxas (as mesmas que fizeram o ritual) e lá elas lhe contaram e tudo. Fez o seu processo de iniciação e tornara-se aquilo a que era destinado.

Aí nós temos o grande dilema. Frederico quer e desejar voltar e reencontrar o amigo. Jaime sente a falta do vampiro e no seu íntimo quer encontrá-lo. Como será possível essas duas forças opostas conviverem de forma pacífica?

Alguns seres sobrenaturais e entidades se fazem presentes neste segundo volume, aumentando o grau de mistério e misticismo. Também ficamos sabendo um pouco mais sobre o passado do Frederico e outros adversários que desejam o seu fim. Jaime passará por um teste, colocando à prova a sua força e suas habilidades de bruxo além de mante contato com seus ancestrais.

Alguns novos personagens são incorporados à história. Menção para Maurício e Danilo, novos funcionários do vampiro, e Douglas, antigo conhecido do alemão e que possui laços fortes com ele.

A qualidade do texto continua muito boa. Algumas descrições podem parecer um pouco longas, mas necessárias para a melhor compreensão.

Agora é esperar o terceiro livro para saber o desfecho dessa intrigante história e o que acontecerá com seus personagens.

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