Alexandra Lazari

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  1. Fale-nos um pouco de você

Sou a Alexandra Lazari nasci em 1992 e sempre fui criada em Jundiaí, uma cidade do interior de São Paulo. Comecei a criar histórias desde que fui alfabetizada, com uma imensa ajuda da minha mãe! Passei a escrever histórias em quadrinhos e livrinhos com as melhores ilustrações que uma criança de seis anos pode fazer! Passei a escrever sobre fantasia aos 14 anos e sobre distopia aos 16.

Mesmo sempre criando histórias tinha um pezinho na área de exatas e formei em Engenharia de Alimentos. Atuo área há 5 anos e também sou feliz com essa minha profissão, no entanto a paixão em criar histórias e dar vida aos mais diversos personagens e mundos, sempre falou mais alto!

Participei com a Editora Rico na publicação da antologia Apocalipse, com o conto Paruru, que representa um pouco da cultura de Roraima e estou imensamente feliz com essa nova parceria no Meu lado serial Killer com o conto A última vez que fui humano, que mostra a história de um rapaz que tem sua mente controlada por lembranças de quando era criança.

Agora estou investindo numa trilogia distópica com conclusão do primeiro volume ainda esse ano.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou aquela famigerada Otaku, gosto de animes desde que era muito pequena, com 2 anos já assistia Os Cavaleiros do Zodíaco ao lado do meu irmão, já maiorzinho com uns 6 anos. As inspirações acredito que vieram nos personagens de anime com dramas tão fortes e dos livros que são capazes de passar todo esse drama psicológico através das palavras! Sinto que quando leio e imagino as situações dos personagens me apego mais na história, por isso me baseio nos comportamentos humanos para trazer o leitor o mais próximo possível para dentro da trama. Ninguém é sempre mau ou sempre feliz, entende?

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Eu amo muito dar vida aos personagens, fazer aquela linda relação entre defeitos e qualidades, montar suas personalidades com base no passado de cada um. Também amo aquele plot twist que explode a cabeça do leitor e o faz parar e pensar “Como não pensei nisso antes?”.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Escrevo em cima da minha cama, com minha mesinha de escrita, é um lugar bem simples, mas aconchegante.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Já passei por outros gêneros como terror e romance, mas meu coração bate mais forte pelos gêneros distopia e fantasia.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O título é algo que surge naturalmente no decorrer da escrita, mas sempre remeto a algo importante da trama, seja relação de personagens ou qualquer outro artifício que ligue tudo, também prefiro títulos curtos.

Quanto aos personagens tem uma coisa mágica e encantadora neles, eles ganham vida sozinhos e criam suas próprias histórias! Caro que tenho um plot para cada um deles e um conceito/personalidade que devem seguir, mas durante a trama eles crescem de uma maneira que acabam me guiando em como devem conduzir a história. Acho essa a parte mais incrível em escrever.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Todo o tipo de pesquisas, inicialmente sobre o período histórico e o comportamento das pessoas da época, como se vestiam e falavam, respeitando as diferentes classes sociais, depois pesquiso de acordo com o que a história pede, pesquisas de veículos, tecnologia, topografia, animais e até mesmo anatomia humana. Gosto de explicar com base em pesquisas reais para que o leitor que tenha noção do que estou falando fique mais admirado pela obra, acho que também é uma maneira de atrair público.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Tenho dois autores que me inspiram. O Richard Matheson, pelo desenvolvimento incrível de seus personagens durante a trama da história, e Rick Yancey, no qual consegue criar laços fortíssimos entre o leitor e o personagem focando principalmente no psicológico deles, expondo perfeitamente os medos, as dúvidas, as crenças e motivações de cada um! Sou apaixonada!

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Estou em uma seleção para a publicação do meu primeiro livro. Acredito que o mercado literário brasileiro ainda possui relutância do escritor nacional. Entendo as editoras que precisam ter lucro e sabem que apostando num livro conhecido internacionalmente terão retorno rápido e certeiro, porém percebo que os leitores brasileiros, felizmente, estão buscando mais livros nacionais. Prevejo que em breve as editoras passem a ver essa nova realidade e invistam mais nos autores nacionais.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Percebo que cada vez mais os escritores brasileiros estão apostando em fantasia, e acho isso maravilhoso, pois impulsiona um mercado diferente e que agrada a tantos jovens leitores que é o público que mais promove a leitura através de redes sociais! Esse mercado vem mudando não apenas na literatura, mas em séries e novelas você também percebe que o tema vem mudando. Temos um excelente exemplo que é a série brasileira 3%, uma distopia incrível que alcançou até o público exterior, sinto muito orgulho disso.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acredito que isso não ocorra apenas no mercado nacional, muitos livros internacionais também são desesperadores. Assim como qualquer outra profissão ser escritor exige dedicação e estudo, no entanto alguns escritores acreditam que apenas criar algo, ter uma boa escrita e colocar no papel já basta para ter um livro lançado (e muitas vezes eles realmente são lançados), mas o que muitos até não sabem é que existem técnicas que enriquecem a trama, trata-se da matemática de como acertar nos seus personagens, cenários, fábulas e enredo. O estudo é primordial para qualquer livro, lógico que em primeiro lugar está seu coração, mas as técnicas não devem ser vistas como travas de criatividade e sim como aliadas em impulsionar seu livro. Mas acho excelente que autores brasileiros ganhem espaço no mercado e que seja desfeito esse preconceito de que tudo que é internacional é melhor do que o nosso. Existem coisas incríveis por aí! Lanço aqui o desafio: ler ao menos um livro nacional no ano!

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Muitos livros nacionais são financiados pelos próprios autores e provavelmente foram feitos em baixas tiragens, assim o custo de produção é alto e tem que ser repassado para o leitor. Já os que são financiados por editoras caem naquilo que já disse, os livros nacionais ainda não são completamente aceitos pelo público, assim as editoras também se veem obrigadas a repassarem com um preço mais alto, devido a baixa venda. Acredito que se o mercado nacional for mais bem recebido pelo público os preços tendem a cair.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

“Apocalipse” do autor brasileiro Eduardo Sphor, ele conseguiu criar uma mitologia que envolve absolutamente todas as religiões e crenças sem deixar qualquer brecha! Genial!

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Vou falar referente a trilogia que estou escrevendo: “Monster” da banda The Automatic. A música fala sobre um monstro que está se aproximando, no entanto é uma analogia ao medo de mudança e de si mesmo. Meu livro fala sobre uma sociedade que mantém o medo em seus cidadãos.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Meus livros favoritos são Drácula do Bram Stocker e 1984 do Jorge Orwell, mas considero o livro mais rico ideologicamente e que ainda assim passa uma simplicidade sem igual é a Revolução dos Bichos também do Orwell. “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”, é a frase perfeita da sociedade moderna.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho três tramas em mente, mas o que estou trabalhando mais assiduamente é uma trilogia distópica que está sendo acompanhada por revisores, vamos esperar por novidades!

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho e muito. Acho que como escritor tenho que levar todas as críticas como aprendizagem, felizmente os críticos de livros costumam ser educados. Mas um ponto muito mais importante é a divulgação gigante que os blogueiros e booktubers fazem, eles alcançam um público em potencial enorme, afinal quem acompanha esse tipo de crítica são os consumidores mais fervorosos de livros. As Críticas são essenciais para um escritor.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Rick Yancey. Queria que ele pudesse me dizer se sente os meus personagens tão vivos como sinto os dele.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ver que seus personagens ganharam vida e que são admirados pelos leitores. Eu tenho um amor imenso pelos personagens que criei e ver que eles ganharam o mundo é gratificante.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Acredito que a maior dica de todas seja: ESCREVA. Conheço muitas pessoas que dizem que tem a ideia toda na cabeça e só falta escrever, mas essa é justamente a parte mais difícil e mais demorada. Saber colocar as ideias no papel, dar vida aos personagens (tomando cuidado par não mudar sua crenças sem justificativa) e principalmente relaxar a mente para escrever, essa é a maior dificuldade. E digo: ESFORCE-SE, mesmo que a pessoa tenha tido um dia estressante ela deve se concentrar nem que seja por apenas 30 minutos e dedicar-se à escrita se realmente é isso que ela deseja.

Outra dica importante é NÃO SEJA ESGOÍSTA, ajude quem também deseja ser escritor, esse é um meio muito difícil no nosso país e os laços que criamos com nossos companheiros de trabalho é o que mais nos impulsiona para o mercado literário.

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