Ana Carolina da Silva Coutinho

0
527
  1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Ana Carolina e tenho 32 anos. Sou mulher, professora de história, casada com o Marcelo, mãe do Pablo de 12 anos, do Samuel de 5 anos e da Sarah de 3 anos.

Sou natural de Vitória/ES, cidade da moqueca capixaba, da panela de barro, da pedra da cebola, da praça do papa. Apaixonada pela vida estou sempre empolgada a viver novas experiências, batalhando diariamente pelos meus ideais e buscando fugir da monotonia.

Tenho um amor insaciável pelo ser humano, pelas suas lutas e conquistas, amo coelhos e montanhas. Dias frios me inspiram, me dão calma e esquentam o meu coração.

E nessa estrada eu sou aquela que, nas palavras de Cora Coralina:’ o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista.’

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita? 

Comecei escrevendo textos infantis. Não sei precisar com qual idade comecei a registrar minhas idéias, mas me lembro que desde muito nova, quando não estava escrevendo em diários, estava criando, inventando histórias e poemas.

Aprendi a escrever e a ler muito cedo, e como era muito introvertida, percebi que as palavras me davam uma liberdade para que eu pudesse me expressar.

Na infância, aos dez anos de idade fiquei em primeiro lugar num concurso de redação de uma escola em que estudava. Eram mais de 400 alunos e eu consegui o prêmio que na época era um estojo compacto com mais de 50 itens, muito famoso nos anos 90.

Claro que eu fiquei radiante, mas o que mais me deixou alegre, foi o fato da menina mais tímida da sala ter sido notada. Depois, na escola, me apaixonei pelas aulas de redação, e me tornei leitora por vocação, simplesmente apaixonada pelo universo dos livros.

A inspiração para a escrita vem da observação. Gosto de ouvir as pessoas de forma empática, sem julgamentos ou críticas. Isso tem facilitado o meu processo de escrita, me ajuda bastante na criação de personagens.

Outra coisa que me ajuda bastante é ler muito, não apenas livros, mas jornais e qualquer categoria de leitura. Isso tudo me ajuda a ter uma visão mais ampla de mundo.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

As experiências enriquecedoras que nós como escritores vivenciamos. Saber que um leitor está lendo uma obra que foi escrita por mim é bastante prazeroso, pois muitas pessoas procuram os livros em busca de conselhos para solucionar seus problemas. Saber que estou contribuindo mesmo que de maneira discreta para um mundo melhor é recompensador!

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não. Gosto de experimentar novos lugares para escrever.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Conto. Nunca tentei transitar por outros gêneros.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Então, contos já escrevo desde tempos remotos. Rsrsrs A minha inspiração vem da conversa com as pessoas, com a escuta empática que desenvolvo há algum tempo. Esse tipo de escuta me ensina a compreender de maneira mais profunda o ser humano. Busco me colocar exatamente ao lado dela, no mesmo patamar para compreender como é a sua realidade. Daí surge a inspiração para a criação de personagens que são sempre muito diferentes uns dos outros.

O título eu sempre deixo para o final e busco encontrá-lo dentro do texto, em meio às palavras, frases ou expressões.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Gosto muito de personagens complexos, imprevisíveis, aqueles que impressionam o leitor com as suas atitudes. Para isso ser possível é necessário realizar uma pesquisa. Se o personagem vive de maneira distinta da minha, preciso pesquisar pessoas com as mesmas características. Se a história se passa em determinado local, a pesquisa também é realizada. A pesquisa acompanha o escritor no desenvolvimento de sua obra.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Posso citar vários: Lygia F. Telles, Moacyr Scliar, Marina Colasanti, Ana Maria Machado, Adélia Prado, Neruda, Carlos Drummond de Andrade, mas sem dúvida, Carolina Maria de Jesus é a minha inspiração não apenas como escritora, mas também com ser humano. Às vezes falamos muito de escritores famosos, consagrados e deixamos de transmitir o legado dessa maravilhosa mulher, mãe, negra, favelada e escritora que conseguiu registrar no papel de forma tão visceral o seu cotidiano. Eu sou apaixonada por histórias de periferia, histórias reais e narrativas sobre o trivial, sobre vidas.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim, sem dúvida. Mas eu enxergo o trabalho como escritora como qualquer outro tipo de trabalho. Quem deseja se sobressair, precisa investir, em tempo, dinheiro e muito esforço.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

É inegável as mudanças no campo da literatura. Temos muitas informações, entretenimento, tudo de maneira instantânea, fazendo com que as pessoas percam o interesse pelo habito da leitura.

Além disso, as pessoas buscam comprar o livro que está na moda, um Best seller ou alguma obra indicada por algum artista, em sua maioria de autores estrangeiros, que utilizam o marketing para conquistar leitores de diversos lugares.

Para agravar ainda mais o problema, ultimamente temos assistido ao fechamento de livraria e editoras, além da privatização de bibliotecas públicas.

Acredito que devemos valorizar a literatura nacional e dar visibilidades aos novos autores que estão surgindo. É de suma importância que haja investimentos em políticas de fomento à leitura, para valorizar a literatura no país. 

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Com as plataformas virtuais os escritores puderam experimentar novas possibilidades no que se refere a publicação de suas obras, alem das obras serem mais acessíveis financeiramente para os leitores.

A grande dificuldade não está na publicação, e sim no que vem após da publicação. Investir tempo para a divulgação e causar curiosidade nas pessoas é o grande desafio do escritor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Lamentável, pois dessa forma ter um livro acaba se tornando um privilégio de uma minoria. É preciso democratizar o acesso à leitura e aos livros no Brasil, adotando mecanismos para a produção, edição, distribuição e também a comercialização de livros mais acessíveis.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Pode parecer clichê, mas é o romance “Meu Pé de Laranja Lima” escrito por José Mauro de Vasconcelos que me comove até os dias atuais.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Um dia frio – Djavan

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

A Bíblia.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Publicar livros infantis onde os personagens principais são crianças com necessidades especiais.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Crítica é essencial para o trabalho de qualquer pessoa, o ponto chave é buscar lidar com essas críticas usando-as ao nosso favor.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Jô Soares.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

 Aos nossos leitores, apaixonados e apaixonantes, ávidos por leitura: eu quero que saibam que não existe felicidade maior para um escritor do que ter a sua obra lida, reconhecida. Meu desejo é que nesse ano de 2019 você possa ler o meu livro, se emocionar, se inspirar, e torcer (ou não) pela personagem principal.

Para aqueles que estão iniciando no mundo da escrita literária, eu desejo força para um trabalho árduo. Infelizmente vivemos num país que incentiva pouco a leitura, mas com determinação e foco você chegará lá! Como dizia Renato Russo: Quem acredita sempre alcança!

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here