Ana Claudia Proença

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou jornalista há 25 anos. Embora tenha trabalhado como repórter, a maior parte da minha carreira foi dedicada à comunicação corporativa, seja para a divulgação de clientes ou produção de jornais, revistas e livros. Atualmente, tenho uma agência de comunicação e sou apaixonada pela minha profissão. Sou casada, tenho um filho de 8 anos e moramos em Boituva, interior de São Paulo.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Praticamente minha vida é escrever, pois faz parte da profissão. Mas sempre escrevi muito, inclusive essa paixão começou na infância, mais precisamente aos 10 anos. Minha imaginação sempre foi fértil demais e nunca faltou inspiração para escrever. Geralmente, a inspiração vem dos assuntos do dia a dia, das conversas que tenho com as pessoas, das histórias que leio e até das músicas que ouço. Também me inspiro em livros, que são uma das minhas grandes paixões.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder colocar toda minha imaginação no papel. É uma arte poder fazer isso, assim como desenhar ou tocar uma música. A escrita é a intermediária entre o mundo das ideias e dos sonhos e o nosso. É a tradução de pessoas, fatos e coisas, por meio de palavras. No meu caso, é uma catarse, inclusive. Escrever me ajuda a colocar para fora sentimentos e ideias que não conseguiriam ser expressados pelas palavras.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não tenho, até porque a inspiração vem a qualquer momento. Só procuro colocar fones de ouvido e ouvir música. Algumas canções me ajudam a pensar na história, no cenário, no personagem e nos diálogos. Funciona como uma espécie de espetáculo musical na minha cabeça.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Romance é o que mais gosto. Adoraria escrever suspense, pois sou fã de Agatha Christie. Foi uma das primeiras paixões da literatura; logo que aprendi a ler e pude frequentar a biblioteca do bairro, descobri seus livros, juntamente com Monteiro Lobato. Tenho escrito alguns contos infantis também e estou gostando muito.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Inspiração não me falta. O ser humano é o material mais incrível para me inspirar. Algumas pessoas são verdadeiros personagens e me baseio muito nisso. Então mesclo uma informação aqui, uma personalidade ali e a história vai sendo montada. Acontece muito de os personagens chegarem prontos na minha cabeça e passo dias imaginando como seria a vida deles, do que eles gostam etc., e o nome faz parte desse processo. Já os nomes das histórias são mais difíceis, porque é a parte que realmente precisa impactar. Mas ouvindo música, caminhando  e até dirigindo a inspiração vem.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

A vida já é o maior material para escrevermos qualquer coisa. Nosso trabalho, vizinhos, amigos, parentes e pessoas com quem cruzamos no dia a dia são a maior fonte de pesquisa para mim. Sou o tipo de pessoa que conversa com todo mundo na rua, inclusive desconhecidos; há momentos em que eles contam suas vidas, como se fôssemos amigos há anos. As histórias de família também são ricas demais e, logicamente, todos os livros que já li até hoje ajudam muito nessa parte. Outro dia, em uma reunião escolar, tive uma ideia de conto infantil, por exemplo.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Gabriel Garcia Marquez é meu autor preferido. A forma como ele descreve os personagens e une as informações no decorrer de seus livros é incrível. Ele se baseou muito no povo e no dia a dia também, por isso me identifico demais, além do fato de ele também ter sido jornalista. Jorge Amado é uma inspiração também, pois os personagens são muito bem criados, assim como as tramas. Minha biblioteca é muito variada e, no final das contas, todos os autores e autoras que já passaram por mim deixaram um pouco de inspiração.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Até este ano, me dediquei a livros de clientes, que buscavam nossos serviços como ghost writer. Resolvi me dedicar a esse projeto agora e espero que possa colher frutos positivos dos meus próprios livros.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

A literatura nacional está iniciando um processo de valorização (tardio, inclusive). Ao mesmo tempo, temos um mercado bem preocupante, com fechamentos de livrarias pelo país. Dói o coração quando isso acontece. Porém, sou otimista por natureza e creio que alguns ciclos se encerram para outros começarem. A possibilidade de publicar livros por editoras ou plataformas online é uma realidade e acredito que isso ganhará mais força no decorrer dos anos.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Em todas as áreas acontece isso. Faz parte do processo e precisamos entender que tudo é um ciclo, ou uma bolha, como preferir. Uma hora ela estourará e só restarão os que são realmente bons ou muito persistentes. De qualquer forma, acho que o sol nasce para todos, mas só sobrevive aquele que está adaptado ao meio.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Adoraria andar pelas ruas do Brasil e encontrar muitas livrarias, como acontece na Europa ou até mesmo aqui do lado, na Argentina. Mas não temos essa cultura ainda, infelizmente. Por não termos essa procura, a oferta é pequena e, assim, os preços são exorbitantes, o que é uma grande lástima. Livros deveriam ser acessíveis a todo mundo, pois é o objeto mais libertador que existe no mundo. Por meio da leitura, você pode ir a qualquer país, amar, chorar, sofrer, viajar, aprender novas culturas e costumes sem sair do lugar. Quer coisa mais incrível do que isso?

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

São vários: As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley, Harry Potter, da JK Rowling, ou então a trilogia do Carlos Zafon (A Sombra do Vento, O jogo do anjo e o Prisioneiro do Céu). E, lógico, “O amor nos tempos do cólera”, de Gabriel Garcia Marquez.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Hoje temos uma das maravilhas do mundo da música, que é o Spotfy. Ouço tudo o que pode imaginar, pois as músicas me fazem pensar nas cenas e nas pessoas, em como são os ambientes e até nos aromas.  A trilha ideal para um livro é:

– Absolute Begginers – David Bowie

– Sirens – Pearl Jam

– I got you under my skin – Frank Sinatra

– Suspicious Minds – Elvis Presley

– Every breath you take – The Police

A lista é imensa!  Como boa canceriana que sou, conforme muda o humor, muda minha trilha sonora.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sempre acho que encontrei o livro da minha vida! Fico triste quando acaba e me desligo dos personagens. Mas certamente o melhor é “Cem dias de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez. Toda vez que leio, identifico elementos novos, sentimentos diferentes e encaro os personagens com uma nova ótica. Sempre vou me perguntar como ele conseguiu criar personagens com o mesmo nome sem se perder na trama. É uma verdadeira inspiração.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, meu site acabou de entrar no ar (www.eraumavezumahistoria.com.br), no qual publico contos, inclusive infantis. Meu filho adorava dormir ouvindo histórias, mas precisavam ser criadas por mim. Finalmente estou colocando todas elas no papel com a ajuda dele, que é meu crítico. A ideia é fazer resenhas, divulgar concursos e informações importantes para escritores e interessados em literatura. Também escrevo artigos sobre o mundo feminino (maternidade, trabalho etc.) no Medium e pretendo intensificar isso, pois muitas mulheres precisam de inspirações positivas para sair de situações difíceis ou mesmo para ver que não estão sozinhas.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho e acho interessante isso acontecer. Ajuda a popularizar a literatura e a facilitar a vida para os leitores. A internet é o melhor canal para propagar a leitura e o YouTube hoje é o que há de melhor para isso ser feito. Gostaria de ter essa desenvoltura na frente das câmeras para fazer críticas sobre os livros que leio. Por ora, usarei meu site e minhas redes (Facebook e Instagram) para essa comunicação.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Gabriel, logicamente. Talvez no plano espiritual ele leia rs! Machado de Assis também. Fico imaginando um chá com ele e uma grande discussão sobre literatura.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Finalmente ver a sua história se  materializar fora da cabeça, prontinha no papel, e é claro, quando alguém lê e diz que gostou. Não tem coisa melhor.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Fico extremamente feliz em participar dessa antologia. É minha estreia e, para isso acontecer, tive que driblar o medo de não ser aceita ou compreendida. Essa estreia é resultado de um trabalho muito intenso na minha cabeça, pois precisei deixar meus “e se…?” de lado e permitir que minha essência de escritora aflorasse. Lidamos com muitas crenças e medos e eles são os piores inimigos de escritores (de qualquer pessoa, na verdade). Na maior parte das vezes, queremos tudo perfeito e essa perfeição nunca é alcançada, pois as ideias e até mesmo a escrita são dinâmicas. A vida muda a cada instante e temos que agir, mesmo com medo, senão a vida passa e viveremos no arrependimento. O importante é vencer esses obstáculos e ser um elemento de motivação e inspiração para os leitores. Meu objetivo como escritora é fazer a diferença no mundo, mesmo que seja em pequena escala.

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