AUTORES NACIONAIS vs LOCAÇÕES INTERNACIONAIS

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415px-Montagem_São_PauloComo leitor e também como escritor tenho presenciado um debate um pouco diferente nas redes sociais.  Tenho visto muita gente reclamando de autores que utilizam cenários para suas estórias que não sejam nacionais, melhor dizendo, utilizam cenários de outros países. A justificativa para isso seria que o escritor brasileiro deveria honrar os cenários brasileiros.

Isso envolve também, é claro, os personagens. Muitas vezes além do cenário, o personagem é estrangeiro, normalmente americano.

Eu pessoalmente nada tenho contra. Desde que não se perca dentro do contexto em que foi inserido. Ou seja, vai contar uma trama em uma cidade americana, no mínimo tem que tem uma veracidade. Exemplificando: o escritor coloca sua trama na cidade de Nova Iorque e em determinado momento do enredo fala que naquela cidade há um parque com um nome de Parque da Cidade, quando qualquer pessoa com algum conhecimento e um pouco de pesquisa sabe que lá tem o Central Park e outros, menos um parque com esse nome.

Eu como escritor poderia pensar que os personagens podem ser brasileiros em uma cidade estrangeira, claro, fazendo pesquisas sobre a cidade, de repente pode ser importante para a trama que foi idealizada. Não podemos culpar um escritor por ele ter imaginado a estória dele em uma determinada cidade.

Entendo que há uma onda de ufanismo, talvez um pouco exagerada, mas que mostra como o brasileiro hoje está se sentindo. Ele quer obras com cenários brasileiros, com personagens brasileiros. E devido ao grande aumento na literatura tupiniquim de autores, o que eu acho uma maravilha, mostrando que nós temos sim capacidade de termos vários autores e de qualidade, algo que já comentei, em algum momento, é evidente que os leitores também ficaram mais exigentes.

E exigem cenários nacionais.

Quando eu afirmo que há algum exagero é porque na maioria das obras de autores nacionais eu tenho visto que estão sim, utilizando locações brasileiras. Norte, Nordeste, Sul, Sudoeste, Centro-oeste, todas as regiões estão sendo usadas. Os livros que eu vi com cenários estrangeiros foram muito poucos.

Conforme eu citei acima, o autor tem que ter liberdade de ação para suas obras, podendo utilizar o planeta inteiro se quiser para ambientar sua estória, no entanto, ao criar uma obra fictícia ele pode se dar ao luxo também de criar uma cidade ou locais fictícios, evidentemente que dentro do contexto da obra. Eu mesmo, como exemplo, dentro do Ceará  criei uma cidade chamada Esperança para ambientar a minha trama. É um recurso que tenho e que utilizei. Já em outro livro usei a cidade onde moro como ambiente do enredo.

Tudo é questão de coerência. Gosto do ufanismo, mas vamos dar chances para o escritor.

Antonio Henrique Fernandes

Colunista

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