1. Fale-nos um pouco de você.

Nasci em Gavião Peixoto, cidade do interior de São Paulo, região de Araraquara. Como todo menino do interior, das pequenas cidades, cresci no meio da natureza, caçando de estilingue e pescando nos córregos, represas e, principalmente no Rio Jacaré-Guaçu, que tem um longo trecho no município de Gavião Peixoto. Sempre tive uma imaginação fértil e gostava de ouvir os “causos” contados pelos mais velhos. As piadas e estórias contadas pelo Senhor Jorge Dal Ri, sua risada contagiante, repercutem em minha memória. Com dezesseis anos instalei uma rádio pirata no quintal de casa e de lá a gente transmitia as modas de viola para a cidade toda. A juventude foi um pouco rebelde, abandonei os estudos e, depois de alguns anos, já amante da Literatura, terminei o ensino médio e cursei Direito, sendo atualmente advogado, atuando na área municipal. Gosto de Filosofia, de poesia e de bons filmes. Reunir com os amigos e prosear é minha preferência. 

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou servidor público e atuo na área de Direito e assessoria. A minha inspiração em escrever tem muito a ver com a minha mãe, que contava causos. Eu tive também uma vizinhança cheia de gente mais velhas, contadores de estórias. Eles me encantavam. Eu queria também encantar as pessoas.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

É jogar no papel nossas angústias, nosso desabafo, devidamente trabalhado no enredo, para além das múltiplas camadas possíveis de leitura. Alguém se identificar com o nosso texto é algo fascinante.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Escrevo no meu quarto, nas madrugadas.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não defini um gênero literário ainda. Sou leitor de quase todo tipo de literatura. Sendo uma boa história, caiu na minha mão, tô lendo.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Os títulos vou alterando conforme vai evoluindo o texto. Engraçado que o primeiro título criado nem sempre é o que fica estabelecido. Os personagens busco nomes contemporâneos com a ambientação do enredo. Alguns, pesquiso a etimologia e origem, como numa situação em que a história criada envolvia famílias russas.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Leio muito revistas de divulgação científica e história, tais como Superinteressante e Galileu. Se o meu texto se refere a um momento histórico, tento me adequar aos aspectos da respectiva época, inclusive o campo semântico e linguístico. Mas acho que o excesso de tecnicidade no plot pode deixar o texto pesado. É preciso dosar.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Muitos. Desde Asimov até Guimarães Rosa. No fundo, todo texto é um trabalho cooperativo. Muitos enredos são releituras de outros livros. Todo autor sofre influência. O renomado Ignácio de Loyola Brandão, imortal da academia brasileira de Letras, tem a quase certeza de que a sua obra Não verás país Nenhum sofreu, ainda que inconscientemente, influência da obra Admirável Mundo Novo, do inglês Aldous Huxley.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Estou dando meus primeiros passos. Felizmente, todos os contos que encaminhei para concorrer nas seleções de editoras foram escolhidos. Pretendo em breve publicar um livro solo de contos extensos, noveletas, digamos. Vamos ver o que enfrentarei nessa empreitada literária!

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

O brasileiro ainda lê muito pouco, mas vejo uma galera jovem mexendo o doce e o bando de loucos vem aumentando. Os podcast literários, canais de youtube e blogueiros, vem fazendo um papel muito relevante no incentivo à leitura. As pequenas editoras tem um papel merecedor de todo aplauso, pois são as que de fato valorizam a literatura nacional, abrindo as portas para novos talentos. Infelizmente, a meu modo de ver, as grandes editoras ainda reproduzem muito da hegemonia cultural das grandes nações, em especial dos EUA. Contudo, sou otimista. Vamos trabalhar, seja incentivando o amigo e o vizinho a ler, ou escrevendo nossas estórias.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Tem muito curso de escrita prometendo o impossível, fazer até mesmo uma pessoa sem vocação para a escrita virar um autor best seller. Quanto mais livros tiver à disposição, melhor. Muitos buscam a fama e o dinheiro. Eu geralmente escrevo o que gosto e fico satisfeito de saber que alguém de algum lugar do Brasil compartilha gosto pela minha narrativa, identificando-se. Isso não tem preço.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Dificulta a expansão do mercado. Mas ainda sai mais barato que a cerveja do final de semana, e, ao contrário, faz muito bem!

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Grande Sertão: Veredas.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Tem muitas. Prefiro não responder.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Alguns livros me emocionaram profundamente. Ainda não achei “o livro da minha vida”. A vida da gente é tão provisória. Todo dia acordamos uma pessoa diferente.

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras.” Heráclito.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Estou compilando contos para um livro solo.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Gosto muito de ouvir podcast sobre literatura e escrita criativa. Acompanho os “30:MIN”, “Os doze trabalhos de Hercules”, “Caixas de Histórias”, “Curta Ficição”

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

A pessoa comum, porém que vive encantada com os mistérios da existência. Que enxergue nos detalhes o mágico das coisas. O leitor humanista. O que está em continuo processo de “alargamento do pensamento”.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

    Ser lido e o leitor se identificar com sua obra. O toque na alma.

20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Apoderando-me de uma bela citação do Carl Sagan: “Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.”

Ao escritor iniciante como eu, corra atrás dos seus sonhos. Escreva já!

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