1. Fale-nos um pouco de você.

Sou jornalista, nascida no Rio de Janeiro e criada em São Paulo. Apesar de ter tudo para ser uma daquelas garotas bem urbanas, durante toda minha adolescência, passei os finais de semana longe de tudo, em um sítio com meus pais e amigos. Não é à toa que até os 16 anos tinha certeza que seria veterinária e morar no interior. Como deu pra ver, os planos mudam. Construí toda minha carreira em torno da comunicação, tanto na ocupação principal, como jornalista atuante no terceiro setor, quanto no tempo livre, em que gosto de escrever, especialmente crônicas. Mesmo não tendo me formado veterinária, eu adoro bichos – tenho dois cachorros, mas viveria tranquilamente em um santuário ecológico -, ajo em prol do meio ambiente, amo viajar e assistir séries policiais.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Escrever faz parte da minha profissão, tanto notícias quanto artigos de opinião, às vezes assinados por mim e muitas vezes como ghost writer e inspiração vem do dia-a-dia. Eu adoro conhecer pessoas novas e ligares diferentes. Quando ainda estava na faculdade, criei junto a três amigas um blog chamado “Era Uma Vez, à Noite” em que escrevíamos crônicas sobre baladas, relacionamentos e tudo mais que estávamos vivendo ou acompanhando. Ou seja, quanto mais agitada a minha vida, mais inspiração, mais fácil de escrever. O blog durou por anos e era uma delícia. Mas, na época, talvez por vergonha ou imaturidade, assinávamos com pseudônimos. Hoje não faria isso, mas naquele momento foi legal para ganhar confiança. Com o tempo também fui quebrando a barreira do que real para partir para histórias ficcionais, como contos ou romances.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

É tanta coisa boa que é difícil escolher uma só. Escrever me ajuda a processar as emoções. Quando eu escrevo uma história como um conto ou um romance, eu me projeto praquele lugar. É como se eu estivesse vivendo outra realidade, um armário de Nárnia na tela do computador. Além disto, me faz evoluir como pessoa. Ao mesmo tempo em que eu empresto características minhas a meus personagens, eu acabo me influenciando por eles também. Depois de descrever uma garota feliz, inocente, apaixonada pela vida, percebo que, pelo menos durante algum período, a minha percepção da realidade também fica mais bonita. Por fim, sabe quando dá aquele aperto no peito por uma tristeza ou uma angústia? Escrever o que estou sentindo, mesmo que seja só para deixar guardado e nunca mostrar pra ninguém, me traz um alívio. Reler aquele auto desabafo em forma de texto me faz entender melhor a mim mesma. O papel ou a tela do computador funcionam como uma terapia. Eles não julgam, eles só aceitam. E às vezes tudo o que a gente precisa é de alguém assim.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Para escritas mais intensas, em que preciso produzir bastante e rápido, eu adoro o sofá da sala, preferencialmente com a TV ligada. O barulho da TV ou da música me ajuda a concentrar. Mas, às vezes, a inspiração vem dentro do ônibus, no avião, em qualquer lugar que esteja sozinha e com o pensamento livre.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

O meu carro-chefe – se é que posso dizer isto – são crônicas e artigos de opinião. Também já escrevi algumas minibiografias (ou seja, tudo bem baseado na realidade). Porém, desde que escrevi meu primeiro romance tenho me interessado cada vez mais por contos e histórias de ficção. Eu acredito que em um primeiro momento eles são mais difíceis, mas te dão uma liberdade muito maior. De tudo, acho que só poesia é que não me vejo escrevendo tão cedo. De resto, estou topando qualquer coisa (risos).

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O meu primeiro livro, Uma Brasileira no País dos Cangurus, é baseado na minha própria experiência, nos primeiros seis meses que morei na Austrália. Na narrativa em primeira pessoa, Manuela (personagem principal) conta desde o momento em que entrou em crise profissional no Brasil, a decisão de mudar de país, a despedida, a saudade e todos os percalços, desafios e aventuras para quem decide atravessar o planeta, seja para conhecer, estudar ou trabalhar. Os pontos turísticos e as curiosidades da Austrália também são bem explorados no livro, tanto dentro do texto quanto nas dicas que fecham cada um dos capítulos. O título é uma paródia a Alice no País das Maravilhas, já que, assim como no romance de Lewis Carroll, a Austrália tem muita coisa diferente, a começar pelos animais. Além disso, acho que é uma boa dica que o enredo terá várias aventuras. O nome do personagem tem a ver com o estilo de cada um deles e também com a época. Por exemplo, para falar de uma amiga que acabou de ter uma filha, usei o nome da bebê. Inicialmente, a personagem principal se chamaria Marianne, minha vizinha adolescente que eu acho que se identificaria com a personagem. Porém, mudanças na história me fizeram alterar para Manuela. Em alguns casos, mantive o mesmo nome da pessoa, porque não conseguiria ver de outra forma. Aproveitando, este livro está em campanha de financiamento coletivo em bit.ly/paisdoscangurus e deve ser lançado no início de 2020.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

No caso do Uma Brasileia no País dos Cangurus, eu vivi na Austrália, então ficou tudo mais fácil. O desafio foi atualizar os relatos para a época, pois já tinham se passado dez anos desde que tinha escrito os relatos do blog. Mas, mesmo outros textos, como o conto A Tiara, que será publicado na antologia As Princesas, da Illuminare, a inspiração e a pesquisa fazem parte do meu cotidiano. No caso da dona Adelaide (personagem importante do conto), eu trouxe muito do que lembro das minhas tias avós, como a unha comprida, bem vermelha, o rosto com rugas que demonstra a idade. Por outro lado, o fato dela jogar tarô me fez aprofundar um pouco a pesquisa no significado das cartas, mesmo que eu tenha um pouco de conhecimento. Pra isso, vale desde o pai-Google até os livros que a gente mesm@ tem em casa.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Eu gosto de escrita simples, gostosa. Meu interesse veio com Monteiro Lobato na coleção do Sítio do Pica-Pau Amarelo. E acho que isso continua no meu imaginário. Depois de adulta, passei a gostar muito do médico escritor Dráuzio Varela (para não-ficção), do jornalista e escritor Fernando Moraes (para biografias) e da escritora norte-americana Meg Cabot (para livros de ficção). Apesar de muitos dos livros dela serem para um público um pouco mais novo, me identifico como leitora e no estilo de escrever.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Antes de decidir partir para o financiamento coletivo, enviei o manuscrito de Uma Brasileira no País dos Cangurus às maiores editoras do país e não tive resposta alguma. Pesquisando e conversando com pessoas da área, entendi que a situação editorial do país estava inviabilizando a maioria dos novos lançamentos. Por isso, decidi seguir por conta própria, pelo menos para esta primeira edição.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Eu tenho visto um número grande de editoras e a segmentação dos públicos, o que acho bem interessante. Infelizmente, o fechamento de grandes livrarias mostra que o mercado de livro no país não está tão lucrativo e/ou há uma má administração empresarial. O lançamento de livros por youTubers ou influenciadores de forma geral representam para mim algo positivo, pois alimentam a criação ou o fortalecimento de novos leitores.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Quanto mais livros surgirem, melhor. Acho complicado nós definirmos o que é bom ou ruim. O público vai se encarregar disso. Até porque, o entendimento da qualidade de texto, música e arte em geral é algo pessoal. O risco de investir algo que não tenha público é do autor e/ou da editora. Não havendo erros de português, como crases e vírgulas erradas, que podem contribuir para piorar o conhecimento ortográfico dos possíveis leitores, eu dou o maior apoio para que seja publicado.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Entendo a dificuldade de abaixar os custos, tendo em vista o preço do papel e de impressão, a logística de gráfica e distribuição, mas concordo que o alto preço dos livros diminui a possibilidade de termos mais leitores. Opções mais acessíveis, em formatos diferenciados, ou mesmo os e-books seriam uma alternativa para isso.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Comédias da Vida Privada, de Luis Fernando Veríssimo. Textos simples, gostosos, que todo mundo se identifica em algum momento.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Uma Brasileira, Paralamas do Sucesso e Djavan

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Eu li para a escola, provavelmente para o vestibular, mas mexeu comigo de uma forma extraordinária e até hoje é uma lembrança querida.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

O primeiro é viabilizar a publicação do Uma Brasileira no País dos Cangurus. Caso isso dê certo e o livro seja um sucesso, penso em terminar a saga com o segundo volume desta aventura. Além disso, estou cogitando voltar com um blog para crônicas e, quem sabe, contos. Fiquei por muitos anos sem escrever e agora acho que não consigo mais parar.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Eu sou jornalista, então em um primeiro momento sou sempre a favor da divulgação. Críticas mexem com o ego, nem sempre são acuradas, podem mostrar um viés de pensamento ou opinião. Por outro lado, elas levantam o tema, trazem publicidade, divulgação. Imagino que os leitores fixos de um autor não deixarão de lê-lo por uma crítica ruim, da mesma forma que fãs de determinada banda vão comprar o CD novo mesmo que os críticos falem mal. O que vai mudar é grande massa, que talvez nem ficasse sabendo da existência do produto se não fosse a crítica.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Thalita Rebouças. Apesar do meu público ser mais velho do que o dela, Thalita é uma inspiração e seria incrível ter um aval dela como leitora.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Quando alguém vem falar com você sobre as impressões do livro, lembrar de tal parte, se riu, se chorou, e você perceber que a sua história realmente tocou alguém.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Se você está pensando em escrever, não passa vontade, não! Arrisca, escreve, coloca no papel seus sentimentos. Se quiser contar uma história e está com receio de se atrapalhar, faz um esqueleto primeiro, pensa em itens tudo o que você quer dizer e depois aprimora. Escrever tem a questão do talento, mas também é muito treino, é aprender técnicas que podem te ajudar, é entender como você funciona melhor. Se achar interessante, investe em um curso de escrita criativa ou coisa assim e esteja abert@ a comentários. Algumas pessoas provavelmente vão sugerir mudanças, você pode ou não aceitar, mas esteja aberto para ouvi-las. Afinal, a não ser que você nunca mostre isso pra ninguém, você está escrevendo algo para alguém ler. Então, é bom ouvir feedbacks para melhorar essa comunicação. Se abrir para a avaliação dos outros dá medo, mexe com o ego, mas quando você consegue passar o que quer para os outros é bom demais.

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