Caleidoscópio – Nina Spim

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“Quem muito vê enxerga somente aquilo que lhe é conveniente”.

(Nina Spim, in: Caleidoscópio, 2015)

No conto “Caleidoscópio”, a autora Nina Spim, em apenas quatro páginas, alude de uma maneira leve e cotidiana a questões de cunho filosófico e existencialista. Narrado em primeira pessoa, a protagonista Julia analisa por meio de sua amizade desde a infância com Daniel a singularidade com que cada ser humano experimenta o mundo.

Logo a princípio conhecemos uma Júlia ainda criança, onde a inocência infantil não distingue as diferenças entre as pessoas, somente a alegria de ter um companheiro de brincadeiras. É impossível o leitor não indagar quando começamos a diferenciar e a rotular os indivíduos segundo critérios pré-concebidos, sejam eles de cunho físico, intelectual ou cultural.

É natural chegarmos num período na vida em que as diferenças e limites individuais se acentuam. Faz parte do crescimento, mas é nesse momento que a amizade dos personagens se fortalece e Júlia inicia um processo inerente ao ser humano, mas que necessita de muita prática para ser desenvolvida: a empatia.

Segundo o dicionário, no conceito usado em psicologia, a empatia é a “identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la”. (Dicionário Online de Português). É exatamente isso que a autora habilmente nos faz testemunhar entre uma curiosa Júlia e um Daniel solicito, disposto a mostrar-lhe uma visão diferente de se relacionar com o mundo e com ela mesma.

Considero o ponto de destaque de “Caleidoscópio” a maneira brilhante e, ao mesmo tempo, singela que a autora aborda a deficiência por outra perspectiva, onde o ganho secundário da doença – que sempre existe, apenas precisa procurar – pode e deve interferir positivamente no indivíduo e nos que o cercam.

tatiana

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