Carla Ligia Ferreira

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  1. Fale-nos um pouco de você.
    Tenho 34 anos, sempre gostei de ler e escrever. Porém, durante minha primeira graduação tive que abandonar essa paixão, por falta de tempo e porque não tinha tanto acesso aos livros (Meu curso era particular, vivia numa pensão noutra cidade e não tinha dinheiro para livros, a internet era discada, enfim). Quando desisti de concursos públicos após me recuperar de uma doença grave, decidi viver e fazer o que me dava prazer. Voltei a escrever e passei a ter mais tempo para ler ficção.
  2. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
    Sou formada em direito, também sou graduanda de Licenciatura em Filosofia. Minha inspiração vem do dia a dia, de sonhos malucos e das próprias experiências literárias. Se alguém disser que sua bagagem literária não o inspira, está mentindo. Os livros nos influenciam muito mais do que podemos acreditar.
  3. Qual a melhor coisa em escrever?
    Dar vida a personagens que são como nós, mas que estão num momento de aventura e de romance.
  4. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)
    Não, eu escrevo basicamente no escritório de advocacia que tenho com meu pai e na sala de casa, às vezes no quarto. Mas isso não é um “lugar de escrever” é só um lugar onde estou quando estou escrevendo. 
  5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
    Escrevi um romance medieval, atualmente estou escrevendo uma série de comédia romântica. Escrever o conto de suspense para a Trilogia do Medo é minha primeira tentativa num outro gênero.
  6. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?
    Meu primeiro livro, Batalhas e Honras, foi criado como uma fanfic entre 2008 e 2009. Na época eu estava numa vibração de filmes épicos, especialmente medievais e quis explorar um pouco disso. Busquei informações em sites históricos da Europa Medieval. A aceitação do plot foi muito grande, o que realmente me surpreendeu. Por causa das minhas escolhas profissionais, a fanfic só se tornou livro em 2016. A comédia romântica que escrevo com Diany Cardoso tem inspiração no dia a dia. Nas situações que vivi com amigos e em situações imaginárias que nós duas gostamos de criar para nossos personagens sofrerem de vergonha eterna. Os nomes surgem durante a escrita e os nomes dos livros foram criados conforme escrevíamos o primeiro livro da série, Meu Adorável Cunhado.
  7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
    Para Batalhas e Honras pesquisei muito sobre vestimentas, moradias, estilo de batalhas e armas da Alta Idade Média e da Baixa Idade Média. Acabei fazendo uma mistura, porque ficou um universo alternativo. Para a Série Meu Adorável, nós pesquisamos sobre as profissões e sobre assuntos aleatórios que surgem na trama, como nomes de comidas japonesas, por exemplo, nem eu nem a Diany Cardoso comemos esse tipo de comida com regularidade para saber detalhes.
  8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
    Com certeza todos os autores que li me inspiram de um jeito positivo ou negativo, isto é, sobre o que fazer e o que não fazer. Não conseguiria nomear apenas um. Todos os livros que li são parte de mim e são parte da minha escrita.
  9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro?
    Teve algum livro que não conseguiu ser publicado? Tive dificuldade em publicar o primeiro livro, diversas editoras disseram que receberam o boneco e que iriam me dar um retorno, mas nunca sequer me enviaram um “não” por e-mail. Isso me frustrou bastante. Hoje eu saberia quem procurar para me ajudar, mas na época não conhecia ninguém do meio literário e foi difícil. No entanto, consegui.
  10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
    Acho que é uma fatia pouco explorada pelas livrarias. Temos autores ótimos, de fantasia, de terror, de livros hot, de comédia, entre outros, que estão largados às traças pelo mercado editorial. Se houvesse algum tipo de incentivo governamental como um desconto nos valores da publicação caso fossem doados livros para escolas, bibliotecas públicas e tal, acho que nossas histórias seriam mito mais conhecidas.
  11. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
    Esse boom é importante demais. Quando penso em “desesperadores”, lembro-me que eu não gosto de Funk, mesmo sabendo que é uma expressão de arte importantíssima, um estilo musical que exportamos e que é apreciado por muitos. Assim como o Funk, vários livros não vão me agradar, mas são expressões importantes da cultura e da realidade vivenciada pelos autores e que serão apreciadas por outros. Não existe livro ruim, existe o livro que não é para você.
  12. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
    Outra vez é uma tristeza que os grandes blockbusters internacionais recebam tanto incentivo. Não temos como concorrer com um livro internacional sendo vendido a R$ 9,90 quando nós autores pagamos pelos livros, em média, R$ 25,00 a 30,00 cada exemplar a ser publicado, é praticamente o triplo que sequer contem o valor da mão de obra do autor. Falta apoio do governo.
  13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
    Eu queria ter tido a ideia do plot geral de Caçadores de Sombras – Instrumentos Mortais. Com certeza o estilo seria muito diferente da Cassandra Clay, porque sou uma pessoa diferente com outras experiências. Mas é incrível a ideia de um grupo que luta com Demônios e outras Criaturas Sobrenaturais.
  14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)
    Para Batalhas e Horas eu escolheria Roundtable Rival, da Lindsey Stirling. Para a Série Meu Adorável é impossível escolher uma música só, mas posso pensar em Amante Profissional, do Herva Doce, como uma música para o Sandro de Meu Adorável Professor, e vou rir disso até 2022.
  15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
    Sim e não. Ouvi numa entrevista na internet que o autor havia vivido várias vidas e, portanto, tinha vários livros favoritos – um para cada vida. Acho que me encaixo nessa descrição.
  16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
    Sim, tenho dois livros que possuem os rascunhos até a metade, um deles é Sequestradas, um suspense. O outro é uma fantasia para adolescentes entre 12 e 15 anos chamada de “Como não Amaldiçoar seus protegidos em 10 lições”. Mas estão parados até eu terminar minha graduação. Além desses projetos pessoais, continuo escrevendo a série Meu Adorável com Diany Cardoso.
  17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
    Eu leio algumas críticas sim, porém não acompanho tudo porque seria impossível. Acho importante. Especialmente porque muitos desses blogueiros são, realmente, os termômetros de como o livro será aceito pela maioria dos leitores.
  18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria? 
    Minha nossa, não sei se posso. Tenho leitores maravilhosos de Batalhas e Honras, tenho leitores maravilhosos na Série Meu Adorável, e sou fã de vários escritores, seria impossível escolher um só.
  19. Qual a maior alegria para um escritor?
    Receber uma crítica dizendo “adorei como você escreve”. Isso quer dizer que o leitor vai lhe acompanhar por qualquer gênero que você decida escrever.
  20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
    Queridos leitores, vocês são o combustível que dão força ao motor de nosso trabalho. Agradeço a cada um de vocês pelos minutos de vida dedicados a minha escrita. Queridos iniciantes, nada que vale a pena é fácil, vem de graça e sem esforço. Temos que lutar todos os dias para colocar as palavras no papel e lutar para divulgar nossos livros. Para escrever é preciso mais do que um português perfeito e criatividade, é preciso muita dedicação, esforço e aceitar críticas negativas. Construímos livros melhores a partir disso.

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