Claíse Albuquerque

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Primeiramente quero agradecer esse espaço que vocês disponibilizam aos autores, obrigada. Venho de uma família multicultural, meus avôs maternos sempre apreciaram o carnaval brasileiro, danças regionais, tinham até um bloco, bateria, passistas, tudo como manda o figurino. Meu pai era poeta e compunha canções também. Ele foi membro da renomada ALEC – Academia de Literatura e Estudos de Corumbá, minha cidade natal. Em 2017 tive a honra de participar da edição comemorativa dos 45 anos do grupo.

Desde muito pequena, guardo na lembrança as cantigas da minha mãe, ela sempre contava estórias, fábulas regionais, toda noite tinha uma estória nova. Lembro até hoje de suas narrativas. Cresci através dessa ótica literária, da fantasia, das cores e muita música boa. Das estórias, contos de fadas, fui conhecendo outros autores como Júlio Verne, Machado de Assis e Sir Arthur Conan Doyle, carregava as edições de bolso, com tanto fascínio das leituras, passei a escrever. Depois que perdi meu pai, das cores das rimas, enxergava apenas as trevas da melancolia de Allan Poe e alguns sonetos carregados de tristeza de Vinicius de Moraes, depois fui conhecendo outros autores por indicação de amigos próximos, Lovecraft foi amor a primeira vista (Risos) Paralelo a esse fascínio pela literatura não posso deixar de mencionar meu segundo grande amor, o cinema. Dizem que o teletransporte ainda não é possível às façanhas humanas, mas já assistiu um filme do Fellini sem se envolver e participar do filme?! É lindo!

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou Gestora de Marketing e Designer Gráfico e de vez em quando tiro umas fotos também. A inspiração sempre vem depois de ouvir o som do dia, pode ser um trovão anunciando uma chuva daquelas, pode ser os passarinhos, tudo é inspiração, acho que depende muito do estado de espírito.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Palavras que celebram a vida e o lúdico também, é fascinante você pode dar vida as coisas, sejam elas belas ou horripilantes.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não tenho, escrevo em qualquer lugar, sentada no chão, no sofá, no banco da praça.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Amo literatura de horror! Mas, no momento estou escrevendo mais um conto infantil, outro gênero que aprecio.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Vou falar sobre o “Vermelho Carmem”, meu próximo livro, o primeiro que lancei foi uma antologia. O “Vermelho Carmem” é ambientado na cidade de Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Todos os nomes, inclusive o título são inspirados em pessoas próximas. A narrativa do livro será sobre uma descoberta vampírica na cidade morena, como Campo Grande é carinhosamente chamada. Não posso dar mais detalhes, vocês vão ter que esperar eu terminar (Risos maquiavélicos) 

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Normalmente observo o comportamento de uma determinada região, gosto de ouvir as pessoas contando suas estórias.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Não sei explicar, mas gosto de escrever ouvindo os álbuns psicodélicos do meu eterno muso David Bowie. Confesso que sempre paro de escrever para cantar com ele, eis o motivo dos meus atrasos.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim e como. Apesar de inúmeras plataformas para autores, existe muita ganância nesse cenário literário.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Compartilho da opinião de que não é porque o fulano publicou seu livro, quer dizer que seja bom, talvez o fulano tenha gastado uma nota pra estampar as livrarias, ou não. Costumo ler textos de autores independentes, tem muita coisa boa, sem preconceitos gente, por favor.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Por um lado é ótimo, significa que as pessoas estão escrevendo mais, estão lendo mais. Mas nem sempre o material é bom ou que valha a pena.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Valorizar livros nacionais não é sinônimo de encarecer os livros, tinham que valorizar no sentido de ter orgulho e bater no peito “eu leio autores nacionais com muito orgulho!” Mas não.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Ainda não tive essa sensação.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Para o livro “Vermelho Carmem” canções regionais, como Maíra Espíndola, Guga Borba, “O Bando do Velho Jack”, “Jennifer Magnética”. E é claro, David Bowie, “Rock n Roll Suicide”, “Five Years” e “Wild is the wind”, não poderiam faltar.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sem sombra de dúvidas foi “Cem anos de solidão” do velho Gabo.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Pretendo estudar artes cênicas, estou na fase do namoro (Risos)

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Dificilmente.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Os dois senhores já faleceram, um deles seria meu querido Ferreira Gullar e o outro seria o jornalista Eduardo Coutinho.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Saber que seus escritos contribuem de alguma maneira para a alegria de alguém.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Escreva para o outro, conte sem pudor. Não permita que te julguem como sucesso ou fracasso quem decide isso é você mesmo e mais ninguém.

 

Um comentário

  1. Parabéns,Claíse Albuquerque,sorvi,bebi todas as suas falas. Muito bom isso. Visibilidade do autor novo é a grande necessidade que todos tem.Parabéns,Corumbá,idem Mato Grosso do Sul. Vou repassar sua entrevista.

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