É tempo de construir uma nova narrativa. O mundo não é mais o mesmo. O Brasil não é mais o mesmo. As pessoas, bem, eu diria que são as mesmas, porém diferentes.

Em tempos de protofascismo eleito democraticamente – à base de fake news, política do medo e fanatismo religioso -, da liquidez humana das redes sociais e do irrealismo dos jogos online, precisamos nos adaptar à uma nova narrativa que construa pontes em um país inicialmente polarizado, agora rachado em seus dois pólos. Passado o deslumbre da promessa da “nova política” e do terror ante a ideia de um  terceiro reich à la republica das bananas, é necessário curar a ressaca dos que lutaram contra e consolar o fim da lua de mel de quem apostou a favor, de verdade, enganados por uma promessa (antipetista) de um mundo melhor. Com uma economia ladeira à baixo, desemprego recorde, fracasso internacional; com políticas higienistas que atacam direitos humanos e sociais, a população brasileira têm algo em comum: lutar contra uma classe política que se acha acima de todos (até mesmo acima do Deus cristão tão mencionado por eles).

A elite pode estar contente agora, mas é uma questão de tempo até seus privilégios serem atingido por esse governo despreparado, impopular e raso, cuja atuação pífia influencia diretamente no PIB que só encolhe. A população pobre, por sua vez, é sempre a primeira afetada, claro. É ela que está na linha de frente feito os peões do tabuleiro de xadrez, mais vulnerável e com movimentos reduzidos. A classe-média, contudo, ainda vai levar algum tempo para sentir o impacto do caldo dessa nova onda que, se não ficar atenta, a engolirá.

A classe-média, hoje maioria no país, não se vê como classe trabalhadora. Ela se ilude com a ideia de ser uma (possível) elite e, portanto, é fundamentalmente cega. Por não se reconhecer enquanto classe-trabalhadora, ex-pobre, etc. tem dificuldade para entender a realidade posta e, por conseguinte, mudá-la. Orbitar (embora não pertença) os espaços que antes só foram de acesso às elites, ter condições de pagar mais caro por produtos e serviços que a população mais pobre não almeja, pois sua prioridade é o básico, iludiu essa maioria que, muito facilmente, comprou o discurso ideológico de uma minoria dominante (que se diz maioria) e que, exclusivamente, se beneficia do fascismo, o atual modus operandi.

Como pedagogo e educador, porém, vejo em todas as situações uma possibilidade de renovação. Através de espaços como esse, onde novos escritores e pensadores terão a possibilidade de desconstruir e reconstruir novas narrativas que abranjam todas as realidades, com o intuito de cessar essa barbárie para qual estamos desembocando, poderemos engatinhar para um futuro mais justo de brasileiros autoconscientes, empáticos e engajados na luta pelo bem comum a todos.

Sigamos, pois, em busca do conhecimento crítico e criativo que desvele as contradições e una os que, embora acreditem no contrário, têm mais em comum do que gostariam de supor.

(Por: Vinicius Ribeirinho)

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