Diário de confissões anônimas #1

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– O APAIXONADO –

(Por Fernando Mello)

Ponho um ponto final na última estrofe do poema que eu estava escrevendo no meu caderno. Deitado nesta rede na varanda desta casa de praia assistindo ao pôr do sol – como se o Sol estivesse mergulhando na água do mar –, você vem em meus pensamentos, e tem sido assim constantemente após lhe rever…

Devo deixar-me consumir por esse sentimento amoroso agora?

A culpa dela! Penso.

A imagem de Sophia é nítida em minha mente e parece que ela estar diante de meus olhos fazendo-me lembrar de toda vez em que ela olha em meus olhos e sinto como se não tivesse saída, totalmente preso ao amor que sinto.

Ontem nos revemos depois de dois meses numa festa de um amigo que temos em comum. Agora sinto-me na missão de ficar perto dela e conquistá-la sem parecer ser pretencioso. Será possível não transparecer pretensão?

O problema será eu ter coragem de me aproximar dela com a condição de ganhar seu amor. Sempre fomos apenas amigos, bem ela sempre me considerou um, enquanto eu… Já ficou na deixa o meu lado da história.

Agora recordando da noite de ontem… Foi difícil tomar coragem de ir falar com Sophia, tive de me preparar psicologicamente para não falar besteira ou transparecer alguma coisa suspeita em relação ao que sinto por ela, e quando falei foi como se eu estivesse flutuando numa nuvem ao mesmo tempo em que meu coração batia forte. Provavelmente essa garota não sentiu o mesmo que eu, mas para mim aquele breve instante foi o suficiente para que minha noite se tornasse perfeita.

Quero evitar grandes expectativas em relação a essa paixão que sinto, pois toda vez que gosto de alguma garota e acabo namorando-a no final de contas sempre acabo decepcionado, no entanto, em Sophia vejo benignidade e caráter, coisas que prezo e que me gera confiança nas pessoas.

Ela é uma garota do bem e que vejo um ótimo futuro para ela – em que eu gostaria de estar junto dela. É uma pena Sophia não saber o que sinto por sua pessoa.

Será que terei coragem de me declarar algum dia?

Caso eu tenha espero que as palavras saiam de minha boca de maneira gentil e natural ao invés de ensaiadas.

Amanhã é o aniversário dela e não sei o que lhe dar de presente. Eu poderia dar este poema que acabei de escrever. Melhor não. Pode assustá-la.

Inspiro profundamente e solto o ar encerando esse pensamento sobre essa garota que está bagunçando tudo dentro de mim – positivamente.

Olho para o poema e o leio:

“Uma chance

Te acho demais sem precisar de muito

Te acho uma graça mesmo sem estar no seu mundo

Será que não poderíamos

Nos conhecer um pouco mais?

Nada demais…

Quando te vejo é como naqueles filmes:

Golpes de olhares, coração batendo forte.

Me sinto vivo, feliz por essa sorte.

Que tal um dia sairmos por aí?

Daí veremos se vai

Dar certo nós dois para algo a mais

Além de papo furado e aperto de mãos.

Quanto te vejo, meu coração acelera

Não tão racional como se espera.

Apenas quero ter uma chance com você.

Te mostrar quem eu sou e o que sinto por você.

Meus pensamento ultimamente resumem-se a você.

Então vamos marcar algo, só eu e você

Em qualquer lugar para melhor ainda nos conhecer

E apenas aproveitar e dar chances ao que rolar.

Só quero um pouco de ti

O bastante para me fazer feliz

Vamos caminhar por aí

Nos divertir, sorrir

Sem nos preocupar

Uma noite dessas

Só você e eu, e mais ninguém

Para nos atrapalhar.”

Fecho o caderno com a caneta dentro e sorrio comigo mesmo imaginando a cara que Sophia faria se lesse isso.

Concluo: se é isso o que quero, então deverei lutar por esse amor.

O máximo que posso ouvir dela será um “não”, porém nunca saberei se eu não tentar.

 

 

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