Diário de um autor parte III

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O caso principal que inspirou a trama do próximo livro

 

Caso Gilmar (Atualmente chamado de Renato Mello Martins)

 

O maior caso de vitimização com sobrevivência da América Latina.

 

Gilmar era o nome do garoto que sofreu com a violência doméstica desde o nascimento até os 12 anos de idade e que conseguiu sobreviver ao terror: teve seus dentes arrancados e parte do céu da boca com chave de fenda em brasa, o abdômen aberto a pontapés, a orelha esquerda cortada com tesoura, assim como a língua, tinha catarata pela inserção de várias coisas em seus olhos e havia tido duas rupturas do abdômen devido a pontapés. E quem promoveu tudo isso? Sua própria mãe, a quem hoje ele se refere como “genitora”.

 

Motivo das agressões:

 

Seu pai tinha um sonho de ter um filho homem, na época sua mãe já tinha duas filhas e estava grávida de Gilmar, porém seu pai estava traindo-a com outras mulheres, o que causou revolta em sua genitora. E ao descobrir as traições, após o nascimento de Gilmar, começou a descontar toda sua raiva em cima da criança já nos seus 8 meses de vida.

 

Sobre os abusos:

 

Em entrevista[1], Renato Mello (Gilmar) relata que primeiro ela começou as agressões com tentativas de matá-lo sufocado com cobertor, quando ainda bebê. Retirava suas fraldas sujas com beliscões, arrancando pedaços de sua pele. Era obrigado a comer das sobras da comida de seus irmãos – caso sobrasse. Esses irmãos( duas meninas e um irmão mais novo), também compactuavam da violência. Já maior, quando seu pai ia trabalhar, sua mãe o obrigava a ficar sentado na porta do quarto do casal e caso dormisse era acordado com pancadas de cabo de vassoura, e ao sua mãe levantar, ele corria para o banheiro, pelado, pois sabia que ia apanhar sem motivo.

Num grau mais elevado da tortura, sua genitora, com a ajuda dos outros filhos, arrancaram seus dentes e parte do seu céu da boca com uma chave de fenda esquentada no fogo do fogão, perante seu choro de dor ela chutou seu abdômen causando ruptura, logo, ele vomitou sague e fezes.

Ela o “socorria”, porém mentia sobre o motivo para quem fosse atendê-lo no hospital, e claro, quem o atendia sabia que era mentira, que aquilo fazia parte de agressão física. E o que acontecia? Voltava para casa para mais rodadas de torturas. Resultado: Deformação. E ia mais além, porque havia a tortura verbal onde sua genitora o menospreza com palavras.

Agora, você, imagina o que se passava na cabeça dessa criança sem entender os motivos de sofrer e de ser rejeitado.

Seu pai omitia tudo, assim como o hospital que sempre o atendia toda vez em que aparecia com algum ferimento grave, osso quebrado, dente arrancado, etc.

 

Como conseguiu sobreviver:

 

Aos 12 anos de idade, por causa de uma denúncia feita pela sua madrinha, conseguiu sair da casa e passou por três lares de menores.

Sua mãe foi processada e presa por um ano.

Ele estava totalmente deformado. Tinha tantas fraturas em seu corpo que não haviam sido tratadas, inclusive no rosto. Não tinha lábios, dentes superiores, tinha catarata nos dois olhos, uma ligação bucal-nasal, sem língua, não conseguia falar de modo que compreendessem. Começou a sofrer bullying, riam dele, causando nele um sentimento de revoltada e desconfiança de todos. Sofreu discriminações e outros tipos de rejeições neste período.

Foi nos seus 14 anos, que conheceu a Marisa Mello a mulher que o adotou e salvou do seu inferno pessoal, tendo bastante paciência e oferendo muito amor e carinho.

 

Considerações finais sobre o caso:

 

Isso é algo que gera inúmeros traumas que refletem no psicológico da pessoa durante seu desenvolvimento, como foi dito nos capítulos passados, onde ressaltei sobre os danos que casam no comportamento da criança/jovem que passa por isso.

A falta de confiança em pessoas é o sintoma mais comum, o receio de se relacionar com quem estar ao seu redor por achar que todos irão lhe machucar, pois quem deveria amar e proteger lhe destruía, é esse um dos manifestos. Dependendo do psicológico do individuo, pode ser encarado de outra forma: geralmente quem sofre esse tipo de violência, embora doa, a vítima se sente mais segura em casa, no ambiente “família”, do que ir para outro lugar, e muitas vezes quando acontece de a criança crescer em volta disso, ela pode seguir o padrão familiar, cometendo os mesmos erros dos pais, assim tornando-se um ciclo.

Gilmar, que teve a sorte de ser retirado disso e adotado por uma mulher que sabia como lidar com ele, por já ter sido vitima também da violência, aprendeu a lidar com a dor e a superar os males da alma através da fé e da educação que teve.

Atualmente se chama Renato Mello e escreveu um livro onde relata sobre esse caso intitulado de “Escolhas – dirigem seu presente. Redigem seu futuro” editado pela Editora Virtual Books. Também ajuda pessoas que passaram por violência doméstica.

 

 

Está sendo um desafio escrever um livro em cima disso, pois tem momentos em que é difícil não tomar as dores, fica pessoal. Mas estou dando meu máximo para que se torne um livro bom e que os leitores gostem tanto quanto “Sob o domínio do silêncio”.

 

Fontes:

http://renatomellomartins.blogspot.com.br/2009/03/blog-post.html

https://www.youtube.com/watch?v=ISLwt3VCHfk

https://www.youtube.com/watch?v=stwQHfG-IYM

 

[1] https://www.youtube.com/watch?v=stwQHfG-IYM

2 Comentários

  1. Adoro como você pisa na ferida social em que a nós todos costumamos fechar os olhos por não querer saber da realidade, mesmo estando em nossas caras. Gosto de gente assim, que dar a cara a tapa! Ansiosa para ler seu próximo livro e tenho certeza que será tão mais impactante quanto Sob o domínio do silêncio. Louca para ver o plot twiste deste :).

  2. Violência doméstica deveria ser crime hediondo, uma das maiores atrocidades que o ser humano faz é maltratar, machucar, violentar e subjugar pessoas que deveriam proteger e dar amor. Que as pessoas aprendam a domar suas feras ao invés de soltá-las sobre os mais fracos.
    Essa mãe que escolheu agredir o filho gestado durante as traições ao invés de romper os laços com o marido que pelo visto ela não largou e ainda concebeu um outro filho posteriormente, o pai e os irmãos por serem coniventes, e o hospital por não denunciarem, como são obrigados a fazer nesses casos, deviam ser punidos com rigor nas leis.
    Que casos assim sejam debatidos pra que possam ser combatidos, parabéns, Fernando.

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