1. Fale-nos um pouco de você.
    Sou mineira, natural de Varginha, sul de Minas e tenho 38 anos. Tive o privilégio de viver minha infância e meados da adolescência na zona rural em um sítio conhecido como, comunidade dos Martins. Adorava brincar em cima das árvores e andar à cavalo, estes eram meus hobbies. Com 15 anos, ganhei um violão e comecei a tocar na igrejinha da comunidade, logo em seguida, ingressei nos estudos de música clássica no Conservatório de Música de Varginha onde estudei violão clássico e bateria. Fui convidada para fazer parte de um grupo de serenata aos 18 anos e, uma vez, me atrevi a interpretar uma personagem em uma peça de teatro realizada pelo mesmo grupo. Me casei aos 22 anos e, paulatinamente, fui deixando a música para me ocupar dos cuidados da família, tenho dois lindos filhos adolescentes que amo mais que a mim mesma. Eles herdaram também o dom musical, tocam vários instrumentos e, de vez em quando, tocamos juntos. Conheci a Psicologia através de meu marido (psicólogo), encontrei a profissão da minha. Atuo como psicóloga clínica em São José dos Campos, atendendo crianças, adolescentes, adultos e casais, ajudando as pessoas a enfrentar os contratempos da vida, o que me torna um ser humano mais humano.
  2. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
    Na verdade, por ter estudado e ainda continuar estudando Psicologia, a escrita e leitura tornaram-se contínuos, porém, nunca me aventurei a escrever outra coisa se não textos psicológicos. Por outro lado, o lado artístico que sempre acompanhou possa ter contribuído de alguma forma, pois escrever também é uma arte. Mas, a inspiração ou talvez, posso dizer o incentivo, veio de meu irmão, quem me convidou para escrever um conto sobre o vazio para esta antologia, há alguns dias rsrsrs. Foi a primeira vez que escrevi algo em um curto espaço de tempo que não fosse relatório ou palestra, ou seja, comecei aqui com vocês, agora há pouco rsrsrs.
  3. Qual a melhor coisa em escrever?
    Te faz pensar e perceber as coisas de um jeito mais enriquecido, com mais profundidade e menos superficialidade. O fato de refletir sobre a vida como um todo nos faz exercer esta capacidade única que é somente nossa, dos seres humanos.
  4. Você tem um cantinho especial para escrever? 
    Sim, o cantinho do meu consultório.
  5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
    Acho que lírico. Outro gênero, o Narrativo.
  6. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?
    Vou falar do conto que escrevi para a antologia, pois não quero falar sobre os relatórios psicológicos, rsrsrsrs. Este conto foi minha primeira experiência como escritora, trata-se da vida de um adolescente em conflito emocional, tentando encontrar uma saída para o vazio e a desesperança presentes em seu cotidiano. Mostra como o ambiente familiar desfavorável e a interação negativa entre pais e filhos influenciam o desencadear de problemas psicológicos e entre eles a depressão e crenças distorcidas de si próprio, construídas ao longo da vida. Reflete como tudo isso o impede de ter uma vida plena com sentido.

O título do conto “Feeling good”, foi inspirado em um repertório do despertador do celular, representa uma ironia em relação à vida da personagem, tocada justamente no momento mais difícil do dia para ele, o despertar. Um dos personagens foi inspirado em um cachorrinho que tive, o Bidú.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro? 
    Livros e artigos de Psicologia, além, claro da parte clínica. Me dão bases para a compreensão do ser humano e das suas relações, o que favoreceu a escrita deste conto, de seus elementos, por exemplo.
  2. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
    Na verdade, me inspirei na autora Lygia Fagundes Telles, que escreveu o livro de contos “Venha ver o pôr do sol”.
  3. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
    Ainda não publiquei nenhum livro. Mas, pretendo. Meu marido, Élison Santos, publicou um livro em 2018, com o tema “Heróis da nossa existência”. Ele se inspirou no teórico austríaco Viktor Frankl, fundador da abordagem psicológica Logoterapia, sobrevivente do campo de concentração da segunda guerra mundial. Nele, fala da capacidade de encontrar o sentido da vida em meio ao caos. Teve um custo alto com retorno financeiro baixo.
  4. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
    O hábito para leitura tem aumentado um pouco mais, talvez pela facilidade tecnológica com livros digitais, mas ainda tem que melhorar muito. Aprender ter gosto pela leitura é algo que se aprende em casa e na escola.
  5. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
    Acho bacana as pessoas se interessarem mais pela leitura e escrita, isto deve ser reconhecido e incentivado pela sociedade. Escrever requer tato e sensibilidade de quem escreve, uma forma de transmitir o que se pensa e sente, não deixa de ser uma forma de comunicação. Quanto aos livros desesperadores ou ruins, não tenho uma ideia formada sobre, pelo menos estão tentando.
  6. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
    Acredito que o preço elevado possa dificultar ainda mais a mudança de hábito para a leitura de livros nacionais. Este ano, por exemplo, duas livrarias na minha cidade fecharam. Outro fator, seria o alto custo de impressão e divulgação cobrados por algumas editoras nacionais, o que encarece o valor do livro e diminui a procura.
  7. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
    “Venha ver o pôr do sol” de Lygia F. Telles. Sensacional como ela desenvolve os contos. Gosto muito do conto “O noivo”, onde leva o leitor a querer saber o desfecho da história, deixa o mistério no ar do início ao fim. Eu queria ter tido esta ideia.
  8. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)
    Minueto em Sol Maior, de Bach.
  9. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
    Estou lendo atualmente  “12 regras para a vida – um antídoto para o caos”, de Jordan B. Peterson, aclamado psicólogo clínico do Canadá. Expressa de forma franca sua maneira de pensar, traz reflexões simples e profundas sobre o cotidiano e nossa forma de encarar a vida.
  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
    Escrever um livro de contos sobre relacionamentos e seus desfechos, conflitos e superações. Acho que seria bem interessante.
  2. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso? 
    Tenho acompanhado críticas sobre filmes, alguns blogueiros são muito inteligentes e ajudam a entender melhor algumas cenas ou filmes mais complexos, curiosidades, quem é o diretor e sua forma de dirigir as cenas, etc. Na verdade, tenho que começar a seguir blogueiros que falam sobre livros e autores, estou começando rsrsr. Aceito sugestões!
  3. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
    Jordan B. Peterson e meu irmão Eduardo. Tanto um quanto o outro falam de forma franca e verdadeira sobre o que pensam.
  4. Qual a maior alegria para um escritor?
    Não sei, acho que terminar uma história e sentir que aquela história foi sua obra prima. Acredito que um trabalho bem feito, reconhecimento dos leitores e retorno financeiro também contam.
  5. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
    Queridos leitores, deixem-se encontrar na alma do escritor, ir ao encontro do desconhecido e descobri-lo é um privilégio para nós. E, aos que estejam começando, assim como eu, que o papel em branco seja nossa inspiração e motivação.

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