Pode até parecer clichê, mas qualquer pessoa que esteja em dia com as suas capacidades mentais há de concordar com o velho ditado que diz: “Em uma mulher não se bate nem com uma flor”. O estranho é que há um consenso quando afirmam que: ”Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.”

Em nosso país o problema da violência doméstica têm se agravado a cada dia que passa. Estamos caminhando para liderar o ranking mundial da violência contra a mulher. Como se já não bastasse a sensação de insegurança, o medo de assaltos, estupros e demais crimes, a mulher brasileira ainda precisa temer pela sua segurança e vida dentro de sua própria casa.

Os dados são assustadores: a cada hora 503 mulheres são vítimas de agressão, a cada dois minutos 5 mulheres são espancadas, a cada onze minutos 1 mulher é estuprada e a cada duas horas 1 mulher é assassinada.

Infelizmente vivemos numa sociedade machista, com uma cultura patriarcal, cerceada de valores misóginos e sexistas que privilegiam o homem em vários aspectos, fazendo que em grande parte das vezes esse pensamento retrógrado se materialize em forma de violência contra a mulher.

As vítimas são quase sempre namoradas, ex namoradas, esposas e ex esposas de homens que não suportam o fim do relacionamento ou a idéia de que a mulher é um ser independente dele e que age conforme as suas vontades e idéias. São homens dominadores, ciumentos, possessivos, narcisistas e travestidos de cidadãos de bem, pais amorosos e leais a família.

É importante lembrar que o último estágio da violência contra a mulher é o feminicídio. Antes de a mulher ser morta pelas mãos de um homem covarde, ela já amargou dias, meses e até anos de abusos físicos, emocionais e até sexuais.

O mais triste desse drama é saber que muitas vezes a mulher tenta em vão se separar do agressor. A mesma sociedade que cobra da mulher a atitude de abandonar a casa e o agressor é a que não oferece as condições mínimas de segurança para que ela concretize o ato.

Quando ela pede ajuda se depara com pessoas despreparadas para lidar com o assunto. É um médico que a trata com indiferença, é um policial que a olha com desconfiança, é um líder religioso que faz Mea Culpa banalizando a atitude do homem e contribuindo para a legitimação desse crime tão brutal.

Temos uma legislação que protege as mulheres no que se refere a violência doméstica e elas precisam se sentir seguras para denunciar seus agressores.

É inadmissível aceitar uma moral conservadora que culpabiliza a mulher, que a considera inferior, estruturando e institucionalizando a violência.

Metam a colher sim, todas as vezes em que virem uma mulher sendo agredida, humilhada ou sofrendo num relacionamento abusivo. Não cabe mais nenhum tipo de omissão. Cotidianamente as mulheres são massacradas pelos seus cônjuges que violam o princípio da dignidade da pessoa humana e o direito à vida. O apoio de quem presencia esse tipo de violência pode ser primordial para salvar uma vida.

Dados retirados do: INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO. Disponível em: < https://agenciapatriciagalvao.org.br/ > Acesso em: 16 de julho. 2019.

Por: Ana Carolina Silva Coutinho

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