Entre Quatro Poderes – Grupo (Sic)

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Corrupção. Fraude. Roubo. Desvios de dinheiro. Compra de votos. Favores. Obras inacabadas. Funcionários fantasmas. Nepotismo. Estas e outras expressões fazem parte do dia-a-dia das diversas mídias que trazem notícias do campo político. Estamos acostumados a vivenciar e/ou ouvir sobre estes desmandos que por vezes ficamos anestesiados e nos comportamos como se nada pudesse ser feito.

A arte imita a vida.

Recebi o livro Entre Quatro Poderes e fiquei curioso em saber de que forma o lado sujo, imundo e cafajeste da política era abordado pelos seus autores. Muito do que li não me era estranho, não me era novo. Contudo alguns elementos acrescentados me causaram agradável surpresa, pois ainda que não sejam inéditos, não recebem o mesmo teor de divulgação e por isso não chega ao conhecimento público com intensidade.

A obra tem muito bom acabamento gráfico. Possui 247 páginas e foi publicado no ano de 2014 pela Editora Novo Século. É de autoria do Grupo (Sic). Escreve-se assim mesmo. O grupo é composto pelos(as) jornalistas Anderson Fagundes, Débora Kaoru, Khadidja Campos  e Rodrigo Dias.

A história se passa na fictícia cidade de Suares, localizada no interior do Estado de São Paulo. O primeiro capítulo nos apresenta de cara o desfecho da trama: o jovem prefeito da cidade, Alberto Barão, mais conhecido como Churrasco, toma conhecimento que a Polícia Federal está na região, e que ele será preso, pois existem contundentes provas de seu envolvimento em inúmeras ações de corrupção.

“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa…”

Sem saber direito que providência tomar, Churrasco dirige-se à sede da prefeitura logo cedo naquele 1° de março. Entra no seu gabinete, senta e faz uma espécie de retrospectiva dos fatos que o conduziram àquela situação. Abre uma das gavetas onde se encontram a Bíblia que o seu pai lhe dera, e um revólver. Coloca ambos em cima da mesa. Minutos depois escuta batidas na porta, e como ele não responde, é aberta à força. O prefeito está com a arma apontada para sua própria cabeça.

O trecho acima destacado é uma parte da carta testamento do ex-presidente Getúlio Vargas, que ele deixou antes de cometer suicídio. Alberto Barão sabia decorado e foram suas últimas palavras pronunciadas antes de tirar o revolver da cabeça e colocar na boca.  Pessoas ali presentes gritaram para ele não fazer aquilo, mas o prefeito estava decidido a apertar o gatilho…

Os capítulos seguintes vão nos mostrar como tudo começou. É-nos apresentada infância e a adolescência do Alberto, sua convivência com a família. O garoto sempre foi inteligente, comunicativo, diferente de seu irmão mais velho, Cláudio. A desenvoltura do garoto causava ciúmes e inveja no primogênito de Seu Antônio, pai dos meninos.

Cláudio encontrou a oportunidade de aprontar para o irmão e ficar na vantagem. Havia uma garota chamada Estela, por quem Alberto nutria sentimentos. Sabendo disso, o mais velho disse que iria chamar a garota para sair. O outro não acreditou e Cláudio propôs um trato: se conseguisse sair com ela, Alberto daria a vaca que ganhou numa aposta para o irmão, que faria um churrasco para a turma que andava com eles. Os outros garotos estavam no momento e sem opção, Alberto topou. Cláudio conseguiu sair com Estela e a gozação depois foi geral. Daí que surgiu o apelido Churrasco.

Os anos passaram. Cláudio casou com Estela. A moça, futuramente, desempenhará um papel importante que atingirá a vida dos dois irmãos. Cláudio também terá uma atuação de destaque, pois em determinado momento se tornará o braço direito de seu irmão caçula.

Alberto continuou se destacando e seu potencial chamou a atenção de Zé Ribeiro, vereador da cidade. Os dois possuíam planos para o futuro de Suares e nas eleições seguintes Ribeiro sairia candidato a prefeito e convenceu a Churrasco a candidatar-se para o cargo de vereador.

Perto das eleições a vitória de Zé Ribeiro era dada como certa. Um dia antes do pleito, contudo aconteceu, uma terrível tragédia: o candidato foi assassinado. Seu oponente ficou com o caminho aberto para vencer.

Alberto, agora vereador, tornou-se o principal opositor do prefeito eleito, Armando Pimenta. Lutou com todas as forças para denunciar os desmandos do chefe do executivo. O rapaz também era um idealista e entendia que precisava trabalhar para proporcionar o bem-estar de seus eleitores e da população de um modo geral.

Mas quem tem dinheiro, tem o poder. E Alberto se verá de mãos atadas diante da força econômica e política de Pimenta. Além disso, o vereador passará por uma situação difícil, que colocará à prova a sua disposição em trabalhar pelo povo de sua cidade.

A história irá se desenvolver de forma bem dinâmica, recheada de surpresas, mistérios, tensões e expectativas. A vida de Churrasco ganhará uma dimensão não imaginada.

O livro é prazeroso de se ler. A leitura flui fácil. Recomendado para quem gosta de uma boa história. A ficção se aproxima muito da realidade.

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Um comentário

  1. É um tem muito bom, principalmente nesse momento em que o nosso país está passando, é bem atual e parece uma história cheia de surpresas. Parabéns pela resenha.

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