1. Fale-nos um pouco de você 

Sou filha de uma lavadeira de roupas e vendedora de verduras. Na década de 70, ainda pude lavar roupas em açudes aqui na periferia de Rio Branco. Tão diferente de hoje. Sou pedagoga, professora de Arte durante 16 anos, e já atuei em diversos filmes e peças teatrais em minha cidade. Participei de diversas oficinas de Arte, tentei fazer Artes Visuais, mas, estudei apenas três anos e não cheguei a concluí-lo. Estudei Teologia por cinco anos. Me identifico com performances cênicas de incentivo à leitura. Tenho especialização em pedagogia social e elaboração de projetos e estou estudando arterapia. Participei de alguns projetos de incentivo à leitura. Este ano entrei para o clube das avós. Gosto de dar boas risadas com os amigos, viajar e conhecer gente feliz. Também muito cautelosa em confiar nas pessoas.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Três situações me conduziram a escrita:

Minha inspiração pode ter vindo das cartas de minha avó que eram lidas pela minha mãe, emocionada de saudades, com uma certa dificuldade mas, era uma alegria receber aquelas cartas de tão longe, pois, a minha avó morava em outo município. A caligrafia dela era toda estilosa e ganhava elogios até dos juízes daquele lugar segundo ela.

Quando criança, ao receber os livros didáticos na escola, eu lia o livro de português todinho no mesmo dia. Ria das crônicas, me emocionava com textos de Cecilia Meireles, Luís Fernando Verissimo, Carlos Drummond de Andrade Clarice Lispector, dentre outros.

Já no Ensino médio, certa vez, a professora solicitou um trabalho sobre o poema Ismália de Alphonsus Guimarães. Chegou o dia da entrega, porém, eu havia esquecido, cheguei na escola e pensei o que iria fazer, dai, eu disse: já sei, vou escrever Ismália antes da loucura! Pois, essa personagem me emocionava muito quando eu lia este poema. Ficava me questionando qual seria o motivo dela ter  ficado louca. Escrevi rapidamente e entreguei. Semana seguinte, a professora chegou com todos os trabalhos e qual não foi a minha surpresa quando ela leu alguns textos, e dentre eles, o meu estava. Fiquei vermelhíssima de vergonha. E, mais emocionante foi ela ter escrito excelente como observação. Guardei por muitos anos aquela redação…

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A fuga deste mundo. Me parece que o mundo da Literatura é outra dimensão. Como também, fazer uso das palavras de forma mágica para emocionar o leitor.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? 
  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Iniciei pela poesia. Contudo, ao participar de Antologias, estou gostando de escrever contos. Me identifico com as antologias temáticas. São desafiadoras.

Este ano, fiquei muito feliz pela possibilidade de participar de algumas antologias a nível nacional. Penso que deve ter uma equipe que analisa e seleciona, dai, imagino que meus escritos tenham qualidade.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meu primeiro livro foi Sementes de Mostarda Ed, Sanches (Gênero poesia). Eu estava enfrentando a depressão por dois anos. E, durante as noites sem sono, comecei a externar o que passava na minha mente, os sentimentos, as frustações, solidão, angustias, etc.  O psiquiatra falou nas sessões de terapia que isso era bom para o meu tratamento. Publicava nas redes sociais. Meus amigos curtiam, comentavam, dai, uma professora da Universidade disse que já estava na hora de publicar um livro, mas eu não sabia nem por onde começar. Eu não era escritora, muito menos, poetisa. Ela se dispôs a ajudar na revisão e divulgação, assim, nasceu uma amizade com a escritora Margareth Prado e, ao mesmo tempo, incentivada pelos escritores acreanos Valdeci Duarte e Maze Oliver, ingressei num grupo de autores independentes que se chama Sociedade Literária Acreana –SLA. O qual ajuda escritores a publicarem o seu primeiro livro. Na verdade, o custo do livro é por conta do autor.

Quanto ao nome, nesse período doentio, nos sentimos um nada, pequeno frente aos demais, não temos ânimo nem para pagar contas, sair, não queremos aparecer, me sentia quase invisível… Então, me recordei das palavras bíblicas sobre as sementes de mostarda, que Jesus falava que são as menores das sementes, contudo, tornam-se tão grandes que até os passarinhos vem fazer ninhos em seus galhos… 

O meu segundo conto foi publicado na Antologia Síndromes cujo título é A Louca do Orfanato que será transformado em livro-solo. Terá tradução para o espanhol, disponível para deficientes visuais e com percebimentos de vários profissionais da área educação. Foi um conto que gostei muito de escrever, pois, para criar a minha personagem pesquisei bastante sobre a síndrome de tourette, até então, desconhecida por mim.

O terceiro será dedicado ao público infantil /poemas tendo como título A Menina Fez Carinho na Lua ilustrado por Enilsom Amorim.

Eu costumo dar título ao texto após a sua conclusão. Na verdade, o próprio texto nos sugere o título. Reflito sobre os nomes, as situações, mentalmente, crio o antes, durante e depois. Gosto muito de ouvir histórias de vida. Este ano, uma senhora contou que a família havia esquecido uma criança na escola e quem percebeu a ausência da criança foi um cachorrinho da casa. Então, eu criei o conto D. Miudinha e foi selecionado em 10º lugar na revista digital Versos Inversos

A MENINA FEZ CARINHO NA LUA

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Pesquiso textos teóricos, científicos, geográficos, músicas, biografias, filmes, pessoas, dicionários, histórias de vida, tudo o que eu considerar interessante para esse momento criativo etc.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Gosto dos poetas, dos cronistas humorados.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sim, enviei o infantil de poesia (A Menina Fez Carinho na Lua) no ano passado, com ilustrações coloridas, prefácio, etc. para o parecer da Universidade Federal do Acre. O parecer foi favorável e o documento se referiu como altamente recomendável para o público infantil, contudo, até hoje, não obtive respostas se estão continuando o projeto ou não. A editora daquele órgão não me fala nada. Considero esse vácuo desagradável e desestimulante ou seria falta de respeito mesmo?

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Não tenho conhecimento sobre esse tema, mas, considero que as publicações da região norte ainda sofrem preconceitos a nível nacional. Nossas obras têm valor e qualidade tão quanto aos dos grandes centro urbanos. As antologias nos ajudam a nos fazer conhecer. Mesmo com o desenvolvimento das tecnologias, folhear um livro ainda é sinônimo de saúde cerebral e cultural.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Não sei se existem critérios ou leis que regulamentam essas publicações. Mas, há uma diversidade de gêneros e estilos, então, deve haver muitos leitores assim, também. Mas, é imprescindível, cuidado com o que é publicado. Interessante seria que cada cidadão deixasse um legado par as novas gerações e descendentes. Sempre escuto as pessoas falarem’’ ah, minha vida daria um livro’’ então, eu mesma, se pudesse, escreveria todas essas histórias de vidas que temos em nosso Brasil. (Ops, isso já é uma ideia de livro) …

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Deveríamos publicar com valores mais em conta, dai, o livro deixaria de ser artigo de luxo para alguns, por outro lado, desconheço a forma orçamentária das fases para imprimir e publicar livros. Mas, me parece que o custo é elevado porque realmente é justo quanto aos profissionais que o fazem. Muitos querem um livro de presente, não valorizam o trabalho do autor, todavia, compram sapatos e perfumes de grife sem piscar os olhos.

Há necessidade de políticas de incentivo a abertura de mais bibliotecas, projetos de incentivo à leitura, livrarias alternativas, apoio a autores nacionais, etc.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Os contos de Grimm

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Epitáfio ……………………………………………………Titas

Luzes da Ribalta ……………………………………….Charles Chaplim

Como os nossos pais………………………………….Elis Regina

Naquela mesa …………………………………………..Nelson Gonçalves 

Flor de Mamulengo…………………………………….Bia Bedram

Pelados em Santos…………………………………….Mamonas Assassinas

I have dream……………………………………………..Abba

Have you ever seen the rain………………………..Credence

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Não sabia que a leitura era capaz de nos fazer chorar até ler Meu Pé de Laranja Lima de Jose Mauro de Vasconcelos que uma vizinha me emprestou…

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim. Escrever um romance. Talvez transformar o roteiro do filme acreano UM MINUTO A MAIS PARA AMAR em livro.

Escrever histórias de superação transformando-as em contos.

Ainda gostaria de fazer um mestrado e viajar pelo Brasil falando da importância da leitura e da escrita como arterapia. Ser pesquisadora ou redatora…

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não. Acho superficial o ambiente virtual mas, alguns blogs levam a sério os comentários sobre algum trabalho.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Ruth Rocha

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Alguém falar que leu um texto nosso e que ficou emocionado…

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Ler é uma forma de percepção divina da vida. Através da leitura vamos nos construindo e reconstruindo…Seja na emoção de uma poesia, uma história de vida, um relato, um romance. Aos que desejam escrever há, inicialmente, a necessidade de gostar de ler, inventar, criar emoção pelo jogo das palavras.

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