1. Fale-nos um pouco de você.

R. Sou Gessyca Ricardo Baião Freze, tenho 26 anos, paranaense, casada, mãe de um garotinho encantador de 3 anos. Apaixonada por livros e leitura desde sempre. Comecei lendo os gibis da turma da Monica, me apaixonei por uma versão adaptada da Odisséia que li pelo menos umas 10 vezes e nunca mais parei. Não me lembro ao certo quando foi que comecei a escrever, talvez no início da adolescência. Escrevia peças de teatro para apresentar na escola e na Igreja. Ler e escrever são partes de quem sou, não dá pra me separar dos livros sem retirar um pouco da minha essência.

2. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita? 

R. Além de escritora sou Advogada e pós-graduanda em Docência no Ensino Superior e Direito Administrativo. As palavras, escritas ou faladas, são minha maior ferramenta. Não sei dizer de onde vem a minha inspiração, apenas sei que preciso continuar escrevendo e criando histórias que me fazem mais feliz.

3. Qual a melhor coisa em escrever?

R. Poder dar voz a pessoas que só existem na minha cabeça. Dar um final feliz àqueles que merecem. E principalmente pensar que daqui muitos anos alguém estará conhecendo pessoas e situações que eu criei. É uma forma de me eternizar, de viver para sempre.

4. Você tem um cantinho especial para escrever? 

R. Não tenho mais, nos mudamos de volta para o Paraná em Dezembro e estamos temporariamente na casa da minha mãe. Sinto falta dos meus livros que estão encaixotados, mas pra ser sincera, não preciso de um lugar especial para escrever. Atualmente escrevo em qualquer lugar, no escritório, na recepção do consultório do meu marido, na mesa da cozinha ou no sofá da sala, não importa, se a inspiração aparecer pego o computador onde estiver.

5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R. Sou uma romântica incurável, escrevo romances, mas flerto com fantasia. Gosto de estudar sobre épocas diferentes e apresentar uma história verossímil, que encante e informe. Tentei escrever um conto de terror certa vez, o enredo era bom, tão bom que me deu medo, acabei parando, mas um dia pretendo terminar.

6. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R. Meu primeiro romance, que no momento passa por uma importante revisão foi baseado em um sonho e é a menina dos meus olhos. Sou apaixonada pelo casal protagonista e pelos 7 amigos. Tenho um projeto de contos musicais recém-iniciado pelo Instagram e Wattpad. São contos inspirados em músicas românticas, posto trechos no Instagram e após o término das postagens ganham uma versão estendida para o Wattpad, em breve estarão na Amazon também, no momento tenho dois contos prontos. Dia 18 de junho vai ao ar meu conto “Um Novo Amanhecer” que faz parte da antologia “Saber Amar” da Cyber TV, modéstia à parte, ficou lindo. O mais recente foi o conto Criado para a Antologia Amor a Moda Antiga, aqui mesmo, da Arca Literária em parceria com a Editora Illuminare, espero que Jacques e Francine conquistem muitos corações. Quanto à inspiração, tanto títulos quanto personagens são escolhas difíceis. Alguns títulos simplesmente aparecem, enquanto outros preciso reler, buscar inspirações em imagens e músicas. A escolha dos nomes dos personagens é bem complexa, como nem sempre ambiento as histórias no presente, tento utilizar nomes comuns na época escolhida, realizo muitas pesquisas para situar o nome no contexto do livro. Outro ponto é importante é o significado do nome de cada personagem, ele precisa se entrelaçar com o enredo em algum momento. Já nomeei personagens de forma aleatória, meu primeiro romance foi assim, os personagens vieram em sonho e já tinham nome, mas no geral o processo é longo e instigante.

7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R. Todo o tipo de pesquisa possível. Gosto de envolver a história e a geografia do lugar, além do contexto no qual o enredo está inserido. Conhecer os costumes, o clima da região, pontos turísticos quando se trata de lugares reais. Vestimenta, objetos e arquitetura da época. Amo as pesquisas, sempre me perco e na maioria dos casos gasto praticamente o mesmo tempo pesquisando e escrevendo.

8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R. Não sei dizer se me inspiro em um ou outro autor para escrever. Sou leitora compulsiva desde criança, não tenho preconceito com gêneros literários e em minha estante tenho todos os tipos de livro. Por este motivo acredito que sou a junção de todos eles. Cada escritor com sua forma e estilo me ensina um pouco.

9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R. Estou engatinhando neste universo, não submeti nenhum livro à apreciação de editoras ainda. Meu primeiro romance passa por uma importante reestruturação e só vai para o mercado no ano que vem. Talvez aí eu possa responder com mais propriedade.

10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

R. Acho incrível. As novas ferramentas e a auto publicação facilitam muito a vida do escritor iniciante. É claro que abre possibilidades enormes de golpes e grandes frustrações, mas também nos possibilita apostar nos nossos sonhos sem depender de um contrato de publicação tradicional, e isso é fantástico. As plataformas de leitura gratuitas são potentes para atrair leitores quando bem utilizadas, e a KPD é uma forma muito boa de medir reações e ainda ganhar um dinheiro. Viver de direito autoral nunca foi o meu plano, mas se conseguir um retorno que seja suficiente para cobrir os gastos com cursos e publicações já é uma boa ajuda.

11. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R. Como eu disse a facilidade de auto publicação abre inúmeras possibilidades, mas é preciso responsabilidade. Um ano atrás eu diria que meu primeiro romance era ótimo. Minhas amigas leram o gostaram, mas isso não é suficiente. É preciso estudar, trabalhar a ideia de forma incansável, pedir opinião de pessoas mais experientes, gastar com uma leitura crítica que te aponte possíveis melhoras. O processo de criação é bonito, mas também é complexo e é de extrema importância que a obra seja pensada e estudada para um resultado final recompensador. Como disse a escrita é uma forma de me eternizar e eu sei como quero ser lembrada, por isso todo o cuidado com minhas obras ainda é pouco. Infelizmente muitas pessoas não tem a oportunidade de aprender sobre isso. Escrevem “Fim” e acham que o livro está pronto, isso gera trabalhos mal escritos e com baixa aceitação.

12. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R. Infelizmente vivemos em um país onde tudo é caro. Temos impostos elevadíssimos em itens de primeira necessidade, e ainda que a CF de 88 tenha dado imunidade tributária às publicações, o nosso sistema é complicado. Num país onde tudo é caro, com a literatura não seria diferente. Muitas vezes é difícil aceitar que os livros estrangeiros tenham um valor mais acessível que os nacionais, mas se pensarmos em mercado essa diferença faz muito sentido. Maiores tiragens reduzem o custo unitário. Então infelizmente pensando friamente faz muito sentido os elevados valores para livros nacionais. Tenho amigos que mandam imprimir, 50 ou 100 unidades. Isso encarece o produto, não é só impressão, temos todos os custos de diagramação, capa, revisão, frete e tantos outros. Temos que trabalhar e construir uma comunidade forte de escritores e leitores nacionais. Talvez assim consigamos um dia baixar esses custos e fazer a literatura nacional competir de igual para igual com os livros estrangeiros, não apenas em qualidade, mas em preço.

13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R. Uma série de uma escritora brasileira. Não encontrei os físicos até hoje, li no Kindle. Ela assina com o selo Estórias da Marja, o nome é Caçador de Fadas, uma série de 4 livros. Recomendo muito. Fiquei encantada com o universo criado pela autora e queria realmente ter pensado em uma coisa assim.

14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

R. Sou romântica, nos últimos tempo tenho ouvido muito as músicas da Sandy para escrever. Para o conto da Antologia Saber Amar usei a música Areia. Mas várias outras já foram inspiração. Depende muito do livro e da história do casal.

15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R. O livro da minha vida ainda não. Sou fã de muitos livros, alguns que leio todo ano ao menos uma vez, mas esse em especial ainda não encontrei. Continuo procurando por ele.

16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R. Muitos. Sempre tenho muitos projetos em mente. Após concluir a revisão do meu primeiro romance, tenho pelo menos mais 4 na fila. Algumas novelas que estarão exclusivamente na Amazon e muitos contos. Eles sempre furam a fila e surgem primeiro, seja para uma antologia ou para que os personagens me deem sossego para trabalhar em outra coisa.

17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R. Acompanho alguns. Eu particularmente me baseio muito pouco nessas opiniões para escolher os livros que vou comprar, mas elas são muito importantes e de fato influenciam muitas pessoas. Geralmente quando estou em dúvida sobre ler ou não algum título, pergunto a pessoas mais próximas, amigos, outros escritores. Mas sem dúvida o opinião de blogueiros e influencers é muito importante e por isso a busca por parcerias nas redes sociais cresce a cada dia.

18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R. Com certeza Jane Austen. Sou apaixonada por ela e se pudesse pedir que lesse meus livros eu o faria. Suas dicas valiosas com certeza me ajudariam muito a aprimorar meus escritos.

19. Qual a maior alegria para um escritor?

R. Emocionar o leitor. André Vianco fala muito sobre o poder da Lágrima. E isso não inclui apenas o fazer chorar, mas o fazer sentir em todas as suas formas. Conseguir levar o leitor às lágrimas, ao riso ou à indignação é com certeza a meta de todo escritor. E quando eles nos deixam saber disso é ainda melhor.

20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R. Para os leitores eu sugiro que se abram a todo tipo de leitura e principalmente que deem uma chance para o livro daquele escritor que está pertinho de você. Não estou dizendo para repudiar livros estrangeiros, mas se dar a oportunidade de conhecer historias maravilhosas que são escritas bem próximas de nós. Aos escritores e futuros escritores a dica é NÃO PARE, não pare de ler, não pare de estudar, não pare de escrever. Ninguém aprende a escrever de outra formar senão escrevendo. Divirta-se, aproveite cada segundo de criação, e principalmente acredite no seu sonho, ninguém pode batalhar mais por ele do que você mesmo. Então acredite. Se escrever for parte de quem você é, não pare nunca, uma horas as coisas acontecem.

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