1. Fale-nos um pouco de você.

Bem, meu nome é Giuliana Pereira Fontanella, nasci em Criciúma, Santa Catarina, e atualmente moro na cidadezinha de Siderópolis, ao lado da minha cidade natal. 

Completei meus dezoito anos em julho deste ano e percebi que esse negócio de “você já é uma adulta agora” é uma grande bobagem porque eu ainda me sinto completamente adolescente e provavelmente ainda me sentirei assim durante um bom tempo.

Gosto de escrever desde pequena, mas só percebi isso depois de adolescente; e se não fossem minhas professoras incentivando minha escrita, eu provavelmente nunca teria percebido o quão eu gosto de escrever. Devo muito a elas. Quando leio os textos que escrevi quando era pequena, porém, sinto uma vergonha alheia gigantesca, mas acho que eles eram bons se considerarmos a idade com que os escrevi, rs.

Sempre me interessei pelo mundo da fantasia mais que pelos outros, e esse gênero foi o que me fez começar com a leitura; e apesar de ainda ser meu gênero favorito, hoje eu já tenho um carinho muito grande por ficção científica, suspense, drama e outros.

Além de ler, também adoro ver séries e jogar games, e esses dois me inspiram demais na escrita.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Atualmente eu não trabalho, e terminei os estudos no ano passado; estou só fazendo curso de inglês, mas pretendo começar a faculdade no ano que vem.

Acho que o incentivo das minhas professoras em relação à minha escrita sempre foi muito importante para eu perceber como gosto de escrever e como a escrita pode sim ser uma possibilidade e não apenas um recurso da aula para você ganhar nota, em especial pela minha professora Daiane Losso, que sempre me incentivava a escrever mais, mesmo que talvez ela não percebesse o quanto isso era importante para mim. Esse incentivo fez eu começar a escrever por conta própria, e a partir daí a inspiração veio com os livros que lia e as histórias que consumia.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Poder deixar a imaginação livre é a melhor coisa em escrever. Eu tenho tantas ideias na cabeça, e ter um recurso tão simples quanto a escrita para dar vida à essas ideias é uma terapia para mim; me acalma e me inspira na vida.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Ainda não. Eu escrevo no notebook e, algumas poucas vezes, no caderno. Como não tenho um cantinho específico, escrevo onde me sinto mais à vontade no dia.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Como já disse, meu principal gênero é a fantasia, em especial a alta fantasia (mas qualquer tipo de fantasia me agrada). Desde que comecei a me encantar pela ficção científica, principalmente em temáticas como inteligência artificial, venho pesquisando e escrevendo sobre o gênero, assim como o drama e o suspense; já tentei escrever thrillers também, mas não é a minha praia, e isso fez as histórias ficarem bem ruinzinhas, kkkk, mas eu me divirto.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

No conto “Os Destroços do Kraken”, desta antologia, eu simplesmente tinha que encontrar um tema base para escrever a história, e já há algum tempo eu venho querendo escrever sobre sereias, tritões e toda essa temática subaquática. Confesso que, depois que eu decidi que a história se passaria no fundo do mar, eu apenas fiquei vagueando sobre quais poderiam ser os títulos da história, para depois moldá-la; até que “os destroços do kraken” surgiu na minha cabeça e eu criei uma narrativa curta encima deste título. Geralmente eu elaboro primeiro a história e depois o título, mas, às vezes, esse tipo de coisa acontece, rs. Quanto aos nomes das personagens, eu não tenho uma base exata: se o personagem pertence a alguma etnia, ou a alguma tribo (como no conto que escrevi para a antologia “Sedentos por Sangue”) eu pesquiso nomes relacionados com aquele determinado povo e cultura; mas como escrevo muito sobre mundos de fantasia e personagens que não se encaixariam no nosso mundo, geralmente me dou a liberdade para criar por conta própria os nomes, que é o caso das personagens deste conto: Lilara, Haphela, Ezaq…

“Elas eram princesas” e “Sedentos por sangue” são as duas únicas antologias das quais fiz parte, mas tenho vários projetos em mente (alguns, obviamente, trabalhados com mais prioridade que outros, senão eu estaria perdidinha), e algumas das minhas histórias envolvem magia, outras envolvem poderes sobrenaturais, outras envolvem androides, outras zumbis, outras física quântica e etc… tenho textos que trabalho com prioridade, mas alguns eu desenvolvo de acordo com meu estado de espírito: tem dias em que estou mais inspirada para escrever sobre elfos e fadas, tem dias que estou mais inspirada para escrever sobre apocalipse zumbi, e eu trabalho nessas histórias de acordo com essa inspiração (novamente: desde que não seja algum dos projetos que tenho como prioridade, e que desenvolvo sempre, independente da inspiração).

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Eu costumo pesquisar bastante, normalmente na internet mesmo, mas algumas vezes eu livros físicos ou com pessoas. Em “Os Destroços do Kraken”, a história se passa no fundo do mar; eu tenho uma neura em não querer escrever coisas que são inverossímeis dentro do universo em que se passa a história, por isso cada detalhezinho que eu quero acrescentar, eu pesquiso sobre, como a “mão-de-gelo” citada no conto, que é uma representação (maior e mais poderosa, por se tratar de um conto fantástico) do fenômeno natural conhecido como “dedo-de-gelo”. Enfim, quando quero escrever sobre etnias que não conheço bem, mitologias ou qualquer outra coisa, eu me sinto induzida a pesquisar mesmo que não seja necessário. Em geral, gosto de aprender coisas desse tipo, então a pesquisa também me inspira.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Acho que nós sempre tiramos inspiração dos livros que lemos; é automático. Como meu gênero favorito é a alta fantasia, eu admiro demais os clássicos, como Tolkien, Lewis, Rowling, Martin e etc, e mesmo que eu não perceba, eu com certeza me inspiro muito neles. Também me inspiro muito na trajetória de jovens autores nacionais, porque eles me fazem sentir mais capaz.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Eu comecei recentemente a me lançar no mundo das antologias; me inscrevi em três antologias e dois de meus contos foram aceitos, sendo que o que não foi aceito eu imaginava que não seria porque era de um gênero que eu não fazia a mínima ideia de como trabalhar, então não foi uma decepção. Eu não pretendo publicar algum livro meu tão cedo porque ainda tenho muito o que desenvolver nos meus, mas caso eu termine uma história e tenha convicção de que ela está pronta, eu estarei disposta a publicá-la o mais rápido possível, porque é sim um sonho ver minhas criações publicadas.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho que, independente da qualidade das histórias (que é algo bem relativo), é muito bom termos vários autores nacionais lançando seus livros e expandindo o mundo da literatura no nosso país. Apesar de nós termos orgulho dos nossos clássicos, eles dificilmente atraem os jovens, então é realmente ótimo termos vários gêneros sendo publicados, para todos os públicos e gostos.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho que é o que eu disse acima: primeiramente é importante que as pessoas comecem a ler; se livros “desesperadores” atraem algumas pessoas (ou várias pessoas), eles estão fazendo alguma coisa boa. O lado ruim da história é que autores de livros realmente bons, mas que não fazem tanto sucesso, desistam de tentar publicar, ou que as editores prefiram os livros que vendem mais (o que eu não julgo, mas que é sim um problema); além de que, alguns desses livros promovem atitudes ruins, e isso sim eu considero “desesperador”; por isso é sempre importante estar debatendo assuntos mais polêmicos para lembrar as pessoas que determinadas coisas são inaceitáveis (com isso, quero falar de preconceito, relações abusivas e todo tipo de problema que a sociedade costuma “jogar para debaixo do tapete”).

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Eu não me importo em pagar um preço alto em um livro nacional bom e bem trabalhado. Mas eu acho que o problema maior está em as pessoas já terem certo receio em comprar livros nacionais, e o preço elevado acaba aumentando ainda mais esse receio. Acho que devia ter um equilíbrio, ao menos até que as pessoas começassem realmente a apreciar a literatura nacional.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não sei dizer… Um livro que eu li muito rápido, e que achei a ideia bem peculiar e criativa, foi Caixa de Pássaros. Acho que, se você assiste o filme antes de ler o livro, talvez o livro perca um pouco do brilho, porque você não se surpreende com a história a cada passo dado. Mas o estado que esse livro me deixou quando li me faz pensar que eu ficaria muito orgulhosa de ter escrito essa história. Não é meu gênero, pois como eu já disse, sou péssima com thrillers; mas esse livro mexeu muito comigo.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Eu gosto de ouvir instrumentais enquanto estou escrevendo, por isso gosto de canais como o EpicMusicVN, e gosto de imaginar alguma história minha correndo como o trailer de um filme na minha cabeça enquanto ouço essas músicas. Um exemplo é a Edge of Time (https://www.youtube.com/watch?v=bYZOeisIkmE). Acho que tais melodias seriam uma ótima trilha sonora para minhas histórias.

Mas tem uma história que estou escrevendo, uma comédia dramática pós-apocalíptica, que tem um clima muito Raul Seixas, e acho que as músicas dele (que eu, particularmente, adoro), seriam uma trilha sonora incrível.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Ainda não. Tenho livros que marcaram minha vida, como Harry Potter ou As Crônicas de Nárnia, mas não acho que essa seja a questão, então não.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho várias histórias planejadas, algumas bem avançadas, outras ainda só na ideia. Acho que, em geral, ainda são muito abstratas para que eu consiga comentar de maneira concreta sobre elas; ainda tenho muito o que organizar na maioria das minhas histórias.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sou inscrita em vários canais de booktubers. Eu acho muito legal termos várias pessoas falando sobre livros, podermos ver a opinião de outra pessoa sobre aquele livro que lemos, anotar as recomendações de livros que te interessaram, enfim, eu acho muito bom.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Não sei exatamente. Eu admiro demais a Jadna Alana, por ela escrever fantasia como eu, ter publicado seu primeiro livro tão nova (o que me faz pensar que eu não preciso esperar para “ficar boa” e sim que eu vou aprender com o tempo, e que está tudo bem escrever enquanto nova), e por ter uma personalidade e uma simpatia que admiro muito. Seria incrível ter a opinião dela sobre minhas histórias.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Em primeiro lugar, sentir que está conseguindo colocar “no papel” aquela história da maneira que você queria é uma sensação incrível. Depois, acho que o momento em que uma ideia nasce em você traz um estado de êxtase único e bem divertido, rs. E, com certeza, ouvir opiniões positivas sobre suas histórias e ter a aprovação de quem leu também é muito bom, elogios sempre fazem bem.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Na primeira antologia que eu participei, eu tinha toda a certeza do mundo que eu não seria escolhida, e eu juro que só enviei meu conto porque eu tinha prometido para mim mesma que eu o enviaria mesmo que odiasse minha história, como um desafio pessoal. Eu fui escolhida. Como vocês podem perceber, a minha autoestima em relação a escrita era péssima, e eu percebo o quão isso é comum. Você não está sozinha, e uma coisa é certa: se você não tentar, você não vai conseguir; é aquela frase do Henry Ford, né… “Existem mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam”. Todo mundo tem capacidade, e as vezes é difícil seguir os sonhos, mas isso é o mínimo que podemos fazer por nós mesmos. Eu tô indo atrás dos meus, mesmo que devagar, e eu espero que você vá atrás dos seus também; você tem minha torcida, e eu garanto que outras pessoas vão torcer por você também. E pode parecer muito místico e irreal demais, mas eu tenho certeza de que, se você faz uma coisa com carinho, tudo vai conspirar para que aquilo dê certo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here