Inffinitt

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sempre tive o desejo de ser escritor, mas por muito tempo não acreditei que seria possível, não sabia se teria algo relevante para dizer, então me dediquei ao que sempre senti fluir com mais facilidade, a pintura e ilustração.

Após muito tempo de satisfação através da expressão pelas imagens e cores, passei a sentir que faltava algo para que me sentisse completo, então surgiu novamente à vontade de escrever. Assim nasceu o inffinitt, da vontade de desenhar e contar histórias que sejam atraentes e ao mesmo tempo signifiquem alguma coisa para quem lê.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Não fui sempre uma pessoa cuja vida tenha sido fácil, muito pelo contrário, desde muito cedo passei por situações e vivi coisas que me fizeram amadurecer mais rápido e ver as coisas por uma perspectiva diferente. Arte e escrita sempre foram coisas importantes para mim, lembro-me que na adolescência, durante uma crise forte de depressão, minha salvação foi ter ao meu alcance á obras de grandes poetas do passado, bem como papel e caneta onde escrevi todas as minhas angústias, pintava o que não conseguia expressar em palavras e escrevia o que não podia pintar. Apesar disso, investi em inúmeros outros projetos de vida antes de entender que jamais me sentiria completo se não persistisse no ideal de contar histórias.

Minha inspiração vem da necessidade de transformar as coisas negativas que existem, a violência e a dor em algo positivo, de onde pudesse extrair algum proveito.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Transformar minhas idéias em histórias, dar voz para angústias e alegrias é uma maneira de me auto-conhecer e de partilhar as experiências que tive. Refletir sobre decisões que já tomei enquanto analiso qual a maneira mais adequada de desenvolver uma personagem ou trama dentro do mesmo contexto, é como se eu me visse obrigado a olhar tudo por uma perspectiva muito mais ampla.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Na verdade não, devido a correria do dia a dia, acabo escrevendo literalmente em qualquer lugar, sempre que uma nova idéia surge, eu dou um jeito de colocá-la no papel.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Costumo transitar entre o drama e a fantasia, algumas vezes terror. Se não me engano essa nunca acaba sendo definida como Dark Fantasy… A princípio não me importo muito com o gênero, minha prioridade é que o que eu escrever tenha algum sentido e agregue valor, transmita uma mensagem ao leitor. Sempre brinco quando me perguntam sobre gênero, eu sou um infinito, posso transitar por várias coisas se houver oportunidade e inspiração!

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Estou ainda em processo de escrita de um livro que reúne elementos de drama, fantasia e terror, ainda não devo falar muito sobre, mas o protagonista é um personagem muito importante para mim, é um rapaz chamado Lucas e em decorrência da trama e das sub-tramas que o vão amarrando, eu consigo apresentar inúmeras camadas comportamentais. Pretendo escrever muitas coisas de boa qualidade ainda, mas sinto como se o Lucas estivesse programado para ser de longe a minha melhor criação.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Primeiro eu penso no mundo que me cerca, o que parece realista a ponto de eu colocar em uma trama de fantasia e manter a suspensão da descrença do meu leitor. Em seguida eu reflito sobre a relevância que aquilo vai ter e a coerência com relação a história que quero contar. Todo o resto se baseia em experiências pessoas e quando necessário, em pesquisas históricas e culturais que agreguem profundidade ao texto.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Eu me inspiro principalmente em personagens, autores são muitos, e seria injusto mencionar alguns abdicando outros. Mas personagens quando são cativantes e bem construídas, tornam-se inesquecíveis. Dito isto, a personagem que de longe me serve de referência para toda a vida, é Edmond Dantés, protagonista de O Conde de Monte Cristo.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Estou formando meu nicho literário através dos contos, minha intenção é criar e fortalecer uma imagem, um nome no mercado antes de dar esse passo, entendo das dificuldades que existem na atualidade, portanto estou trilhando o caminho das pedras pouco a pouco. Tenho certeza que as boas oportunidades irão surgir se as pessoas estiverem interessadas e curiosas em conhecer mais sobre o meu trabalho.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Nunca foi tão fácil se auto-publicar, e nunca foi tão desafiador conseguir engajar e manter um público leitor instigado e fiel. O mercado literário está em um período de transformação, assim como já ocorreu com o fonográfico. É um período difícil, que exige muito jogo de cintura, mas que proporciona grandes oportunidades para aqueles que tiverem uma visão mais aguçada. É o momento de se reinventar e ousar.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Eu acho que é um reflexo da necessidade do apelo comercial para alguns produtos. Exige-se, volume, barulho e engajamento independentemente da capacidade daquilo se sustentar.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Trata-se de uma conseqüência, os autores e as editoras precisam ganhar dinheiro, pagar contas, custear  a produção, distribuição e marketing de seus produtos. Se o consumo de literatura de um país é pequeno, o preço será mais alto, a única forma de mudar essa equação é batalhando diariamente para que a cultura da literatura e seu consumo aumentem. Dessa forma não teremos apenas livros mais baratos, mas também pessoas com mais interesse e acesso ao conhecimento e produtos literários cada vez de melhor qualidade. Existem milhares de autores excelentes nesse país, obras fantásticas que dependem dessa mudança para alcançarem a relevância que merecem.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta idéia”?

Não é um livro, mas um conto. Sem sombra de dúvida eu gostaria de ter tido a idéia que inspirou “A história de sua vida” escrita por Ted Chiang, que foi adaptado para os cinemas como “A chegada.” Quando Assisti a adaptação, corri para ler o livro e pensei na época “Se eu pudesse escrever algo relevante, eu gostaria de escrever assim.”

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Essa é fácil, eu escolheria sem pestanejar o álbum  homônimo da banda Milo Greene, acho a sonoridade daquele trabalho simplesmente fantástica, cinemática e inspiradora. Certamente escolheria o Ep “Gloria Sparks” da banda  The Lumineers. E Old Money da Lana Del Rey. Estas são as trilhas que sempre me acompanham.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sim, já reli mais de cinco vezes inclusive. O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, estou com participação garantida em uma antologia da Editora Lura, O Lado Sombrio do Sítio que será lançada durante a bienal este ano. Um projeto em parceria com um grande amigo e poeta, Sá. Onde estamos trabalhando com poesia da parte dele e minhas ilustrações, meu blog, Inffinit,  onde fujo completamente do lado sombrio da minha escrita e falo sobre qualidade de vida, minimalismo e algumas reflexões baseadas em experiências pessoais. Tenho ainda alguns planos que estão tomando forma envolvendo um pouco mais do universo literário e também agora, o prazer de ser publicado por vocês! Que venham outras oportunidades!

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não costumo acompanhar muito não, para ser honesto, vejo mais críticas de cinema do que literárias. Mas eu acredito que existe uma diferença muito grande entre crítica e opinião, hoje se confunde muito isso.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Escolheria o Autor André Vianco! Seria mais do que uma honra tê-lo como leitor!

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Perceber que aquilo que ele derramou no papel fez alguma diferença positiva na vida das pessoas.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não desistam das coisas que vocês querem realizar diante das dificuldades. Acho que se alguém tivesse me dito isto mais cedo, eu teria tido a oportunidade de realizar mais coisas, então, continue firme em seu propósito, tenha sempre vários planos de emergência, mas não desista, algumas vezes é só questão de resistir mais um pouco!

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