Insígnias – Karol Blatt

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Poderá um grande amor superar os horrores da guerra? Essa é a pergunta que nos fazemos durante toda a trajetória de luta e dor, pela qual a forte e corajosa Hadassa é obrigada a passar.

Hadassa é uma judia em meio a uma guerra na qual o seu povo foi perseguido e covardemente massacrado. Ahren Muller é um oficial da SS e como todos os outros detesta os Judeus e segue cegamente as regras nazistas. Hadassa é separada da família e levada por Ahren para trabalhar na mansão da sua família, chegando lá, conhece outros prisioneiros Judeus e apesar de toda dor e sofrimento por estar aprisionada e afastada da família, a jovem sente-se mais leve ao conhecer uma prisioneira chamada Anne e a amizade que nasce entre as duas torna-se uma força muito importante para que ambas sigam com fé de que dias melhores poderão surgir.

Apesar da saudade e da agonia por não saber o paradeiro da família e se ainda permaneciam vivos, Hadassa encontra forças em sua nova amiga, para suportar o cansaço, o medo e todas as humilhações pelas quais passa na mansão dos Muller, até que o destino da jovem que já era incerto, torna-se ainda mais doloroso, quando em meio a todo o ódio e humilhações, surge o amor, tornando tudo ainda mais difícil, confuso, mais ainda assim, tornando-se um oásis em meio ao deserto de dor e sofrimento.

Esse livro é muito interessante, a autora conseguiu trazer leveza para um tema extremamente doloroso. A história é contada em primeira pessoa, é através da Hadassa e das suas perspectivas e observações que conhecemos todo o sofrimento e angústia passados pela jovem e todos que estão a sua volta. O livro é muito bonito, a capa traz uma rosa vermelha, algumas pétalas, além da imagem de um arame cercando essa rosa, o que na minha opinião simboliza o amor e a prisão na qual os protagonistas vivem. Folhas amareladas e letras em um tamanho adequado para uma boa leitura.

 A história é bonita, foi muito interessante a forma como a autora desenvolveu a história de amor entre Ahren e Hadassa, nada de obviedade e nada daquele amor que faz o casal esquecer de tudo e se entregar a uma paixão avassaladora, a autora nos mostrou a agonia, o medo e a confusão de sentimentos que os invadiu desde que começaram a perceber os sentimentos que os assolava. Para eles o amor que estavam sentindo era algo sujo e muito errado, eles tinham plena consciência do muro de ódio que os separava e a dor por acharem que estavam traindo o seu povo, a sua família e os seus ideais, fazia com que ambos se punissem e se culpassem por isso.

Gostei muito da forma que a autora guiou a história, da maneira simples e respeitosa com a qual tratou o tema. Ahren e Hadassa são personagens fortes, corajosos e fiéis aos seus propósitos, mas acima de tudo são personagens questionadores e que a todo momento buscaram a resposta para aquela pergunta que deixei lá no início dessa resenha: Poderá um grande amor superar os horrores da guerra? Aos poucos eles foram buscando resposta para essa indagação, e os leitores acompanham cada detalhe da luta do casal sobre o que é certo ou errado, sem sentir que o desenrolar da história fosse algo fácil, algo simples de ser resolvido, mas sempre sendo motivado e envolvido pelo desejo de sobrevivência que é exposto a cada linha.

Mas além de Hadassa e Ahren temos vários outros personagens tão fortes e importantes quanto eles, que fazem com que a caminhada em busca da paz torne-se menos dolorosa. Anne, Albert, a pequena Lindie, irmã de Ahren e vários outros amigos que vão surgindo no caminho, são de suma importância para que o casal principal não deixe de lutar e juntos com seus amigos compartilham seus medos, tristezas, mas também as pequenas vitórias e escassos momentos de alegria.

 Indico esse livro, pois retrata uma história dentro de uns dos momentos mais tristes da humanidade, entretanto, traz uma mensagem que pode ser facilmente inserida nos dias atuais, uma mensagem de como o preconceito e o ódio transformam pessoas em monstros, fala sobre a devastação causada e os terríveis resultados oriundos desses sentimentos. Mas acima de tudo, indico esse livro, pois histórias como essa também nos trazem uma mensagem de esperança e fé. Esperança de dias melhores, de que a vida e o amor podem superar o ódio e de que a fé, cura, liberta a alma, da força, coragem e nos ajuda a nunca desistir, pois enquanto há vida, sempre existirá um motivo para lutar.

 Até breve,

4 Comentários

  1. Uma história triste, porém que reflete um pouco do nosso passado, suas resenhas como sempre são bem estruturadas e sempre me faz sentir vontade de ler mais e mais. Parabéns!

    • Obrigada Vanessa,

      É uma história triste, mas com uma mensagem de esperança.

      Continue acompanhando as resenhas, obrigada.

  2. Oi Bruna, é uma história muito boa e nos faz compreender um pouco mais sobre esse período tão triste e a autora conseguiu criar uma história realista, muito interessante e catcativante.

  3. Nossa.. somente pela resenha pude sentir a agonia das personagens que participam dessa história, que paira entre o amor e o odio. Parece ser inspiradora e como vc expôs certamente nos dá uma lição de vida. Fiquei querendo saber o final!

    Abraços..

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