1. Fale-nos um pouco de você.  

Bem, me chamo Jean Felipe Martignoni, sou formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Passo Fundo (UPF), comecei fazendo letras de música, tive diversas bandas, ainda tenho uma carreira solo. Depois que comecei a escrever poemas, dai começaram a surgir ideias para o primeiro livro (Dahaka) que era para ser um livro de contos, mas acabou sendo um romance. Sempre fui curioso, isso me fez estudar diversos eventos históricos, psicanálise, mitologias, e as mais diversas explicações e documentações de onde surgiram as coisas e por que fazemos elas assim. Tenho um imenso interesse nos mais diversos tipos de arte, gosto de buscar saber da vida dos artistas para entender suas obras, sejam literárias, plásticas, cinema… Acho que passei um panorama.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Como falei anteriormente faço música, roteiros, também trabalho em um bar… Minha inspiração está sempre sustentada em algum tipo de arte, deixe-me explicar melhor. Algo acontece em minha vida, ou leio sobre alguma história, isso me lembra do sentimento que vi em uma pintura, ou algo retratado em uma música, dai formo todo o conceito do que vou produzir. Sempre nesse equilíbrio vida pessoas + base teórica/artística.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Sou suspeito para falar, pois só me sinto realmente útil e satisfeito com minhas atividades no dia se escrevi. Independente de quanto eu trabalhe em um dia, se não escrevi, sinto que não fiz nada. É uma necessidade, seja fazer uma terapia botando algo que está me machucando para fora. Desenvolver uma ideia, algo que só realmente consigo escrevendo. Eu me entendo escrevendo. Sei quem sou quando escrevo, acho que isso é o melhor.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não realmente, escrevo em qualquer lugar, a não ser que seja algo mais extenso e demorado, que ai uso meu quarto, por que posso me trancar e não ser perturbado, mas nada muito especial nisso.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não creio que eu tenha um gênero, um pouco do bizarro e do melancólico está sempre envolvido, ai acaba tendo um lado de terror em muita das coisas, mas já escrevi diversos livros e tenho projetos de muitos outros, geralmente me reinventando e me desafiando a fazer algo diferente de tudo que fiz. Escrevi livros que eu gostaria que existissem, pois eu gostaria de ler.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Neste caso vou falar do meu livro Dahaka, o título veio diretamente da mitologia persa, Dahaka é uma figura demoníaca zoroástrica, embora este nada tenha a ver com minha versão que é puramente baseada em pesadelos. O nome dos personagens vem de homenagens a pessoas e muita pesquisa de nomes, principalmente para que encaixem na cultura que estão inseridos.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Apesar das distorções durante a narrativa, tudo que escrevo está alicerçado na realidade, então estudo história. Para criar o místico, estudei mitologias e filosofia.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Os autores que mais me influenciaram foram os que me mostraram quão livre posso ser na hora de escrever, a exemplo do dialeto informal do Bukowski, a escuridão que o Poe podia retratar… Tenho ideias lendo, mas geralmente envolvem fazer tudo diferente. Não tento escrever como algum autor, ou refazer a história de algum livro.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Ainda não, só realmente tentei publicar o Dahaka e deu tudo certo. Quer dizer a dificuldade foi monetária, mas não muito a ver com a obra. Talvez no futuro, pois tenho livros mais pesados escritos e ideias ainda mais pesadas para escrever.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Sinceramente, não estou realmente a par.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Olha, não acontece um aumento na produção, sem um aumento no consumo, então se muitos livros estão sendo lançados, significa que muitos novos leitores estão surgindo ou o hábito da leitura está ficando mais presente no dia a dia, o que é ótimo não só para os escritores, mas como para a nação. Um povo que lê é um povo culto, um povo culto pode trazer um futuro melhor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Creio que em parte se deve a autores nacionais terem uma tiragem menor que as traduções, parte por que o Brasil tem uma péssima cultura que tudo precisa ser caro par ser visto como bom, muitas vezes ridiculamente caro.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Livros envolvem muito a vivência do autor, então não sei algum que eu poderia ter escrito como foi escrito, meus favoritos são quase biográficos. Queria ter tido a vida do Hunter S. Thompson. Mas pode ser The Godfather do Mario Puzo, inclusive ainda quero escrever sobre máfia.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?

Não creio que poderia botar uma trilha sonora única para nenhum dos livros, mas a música tema do Dahaka poderia ser Thorns – Home.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Meu livro favorito é sem dúvidas ‘A Brincadeira Favorita’ do Leonard Cohen, já li diversas vezes e sempre me identifico, de uma maneira estranha, então creio que esse.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

O Dahaka, que é o meu livro lançado, é o primeiro de uma trilogia que já está escrita, mas ainda não foi lançada, então tem esses outros dois livros para saírem. Ambos com histórias ligadas em universo/contexto, porém livres/completas, ou seja, podem ser lidas em qualquer ordem, ou apenas um da trilogia que não perderá o sentido. Fora isso tenho um livro que é meio uma biografia de um músico fictício meio um romance de formação que busca a felicidade através dos excessos de sexo e drogas. Um livro de contos de terro, um livro de poemas… Estes todos já escritos e prontos, fora isso tenho projetos de mais livros que envolvam a máfia como falei, entre diversos outros temas. Possivelmente um que satiriza os espetáculos que se tornaram algumas religiões.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Acompanho apenas resenhas de livros que li, para ter uma espécie de “conversa” com alguém sobre a obra, já que eu meu círculo de amigos poucos leem as mesmas obras que eu.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Se tratando do Dahaka que foi lançado e sendo uma pessoa viva, eu escolheria o Rob Zombie, diretor de filmes de terror. Se fosse qualquer livro, escolheria o Johnny Depp para ler o meu livro sobre o músico, por tanto eu quanto ele sermos grandes fãs de Hunter S. Thompson, a maior influência neste caso. Não me sentiria a vontade sendo lido por outro autor.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Que as pessoas leiam sua obra e falem dela com você, notem detalhes, se relacionem, simpatizem… É maravilhoso.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para os leitores: Leiam meus livros. Sigam-me nas redes sociais. Vamos conversar.

Para os novos escritores: divulguem seus escritos de todas as maneiras que puderem, mandem para editoras, façam blogs e perfis em redes socais. Se ficar com medo de ser plagiado e deixar tudo a sete chaves, nunca terá nada publicado.

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