Leandro Ditzel

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Sou nascido no estado do Rio Grande do Sul e criado no estado do Paraná, tenho 43 anos.  Gosto muito de escrever, ler e estudar. Aliás, estudar é algo que eu nunca parei de fazer desde que entrei para a escola. Sou também um apaixonado por animais e pelo meio ambiente, que normalmente compõem os elementos dos meus escritos.

  1. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou graduado em Enfermagem e Obstetrícia, graduado em Gestão Pública e Pós-Graduado em Educação Profissional na Área da Saúde, além de vários cursos de capacitação na área da saúde.  Fui por muitos anos professor de Anatomia Humana e Fisiologia Humana e hoje, além de escrever, coordeno uma unidade de saúde. Trabalho também com dependentes químicos de nicotina e sou membro da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro Sul do Paraná. Por influencia da minha família, comecei cedo o hábito da leitura. Tenho um irmão e uma irmã que são escritores, o que possibilitou que fosse iniciado o meu desejo pela escrita. Em 2009 publiquei o Livro Metrópole dos Cães, mas, antes disso, eu já havia publicado diversos contos e artigos em revistas e jornais, a exemplo, o conto “O Desabafo de um Passarinho”, que foi publicado em diversos jornais, sites e revistas. Tenho participação como coautor em outros dois livros e já preparo outros dois de minha autoria. Uma das minhas fontes de inspiração para “Metrópole dos Cães”, foi justamente o amor que tenho pela natureza e pelos animais, mais precisamente pelo convívio com eles, o que rendeu os personagens do livro. Os personagens são de fato baseados em minhas vivências com os bichos ao longo dos anos.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Escrever é tudo de bom. É poder entrar dentro de si mesmo em um mundo só seu, que será moldado por você e, quando lido, remodelado pelo leitor. A autor gera a história, os personagens e os cenários, mas é na cabeça do leitor que tudo isso ganha vida. Escrever é a certeza de que você irá criar e passar para o papel, um mundo que existe na mente do autor, para que o leitor, por sua vez, possa recriar para si uma nova versão desse mundo que estará agora em sua mente. Cada leitor vê em um mesmo texto, um mundo próprio de acordo com a sua imaginação e a sua forma de ver o mundo. Isso ao meu ver é fascinante.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (envie-nos uma foto)

Tenho muitos cantinhos. Minha cama é uma das mais usadas, mas, o que me dá mais criatividade, por incrível que pareça, é estar sentado em uma poltrona de ônibus ou avião. Ao invés de ver as horas passarem na viagem, eu pego minha caneta e meu amontoado de papeis e escrevo. Não sei bem ao certo o porquê disso, se minha mente pega carona na viagem, mas, há uma verdadeira tempestade de ideias, cenas e personagens nessas viagens que faço. É incrível que quando volto a um determinado ponto do texto, eu posso lembrar onde eu estava exatamente quando escrevi esse trecho.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Sou do gênero da ficção, mas escrevo artigos para revistas e jornais. Participo também de oficinas de trovas na Academia de Letras da qual faço parte.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Acho que aquela varinha mágica que transforma a abóbora em uma carruagem, faz com que os bichos que salvei em quatro décadas de vida, se transformassem nos personagens e, os lugares onde os encontrei, fossem transformados nos cenários do livro. O título é fruto do enredo do livro. Mas, o que me dá muita inspiração, é a música clássica. Minha imaginação pega carona nos acordes das músicas e vai para lugares incríveis dentro da minha mente, criando um mundo só meu. Transcrever isso para o leitor, é uma experiência incrível. O que vai acontecer na mente do leitor ao ler o que escrevi, irá depender da criatividade dele, para que ele passe a ter a história transformada em um universo somente dele. Isso é mágico.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Já pesquisei se não existe nome semelhante para o título. Como escrevo ficção, a história passa a ser o que é. Se o autor quiser que as árvores comecem a voar, elas irão voar. No entanto, procuro fazer uma mesclagem entre ficção e realidade, em que os personagens e cenários fictícios sirvam de base aos bons exemplos dados pela história e, para tanto, preciso pesquisar situações e cenas que tragam esses bons exemplos ao leitor dentro de uma certa realidade, sem distorções. Eu trabalho muito as questões ambientais, e, para isso, pesquiso comportamentos que causem danos ambientais e comportamentos que minimizem esses problemas. Esses comportamentos são implantados nos personagens, nos bonzinhos e nos vilões.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Tive muita influência dos livros da coleção Vaga-Lume, que, por influência de professores de língua portuguesa e literatura, li diversos deles. Minha mente viajava e eu entrava dentro das histórias

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Já tive sim essa dificuldade. O mercado editorial é muito difícil. Hoje quem não buscar a técnica da escrita, dificilmente sobreviverá apenas com o dom da escrita.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Muito vasto, com uma enxurrada de novos títulos publicados todos os dias, com livros excelentes, bons e ruins em um país que não está entre os maiores mercados de leitores do mundo. Devemos incentivar mais a leitura entre crianças e jovens, para que não tenhamos apenas excelentes leitores, mas também, excelentes escritores.

  1. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Sem saber que haveria essa questão, acabei quase que respondendo isso na questão anterior, mas, o que vejo é que há muitos escritores que sonham em lançar um livro e que se preocupam em lançar um livro e não em escrever uma boa história. No meu ver, um livro é a consequência de uma história escrita e não o contrário. Mas na ânsia de ter um lançamento, uma noite de autógrafos e uma foto mostrando a capa do livro, se esquecem que dentro dele, deverá haver uma história. Eu mesmo já vi pessoas planejando um livro imaginando como seria a capa ou a noite do lançamento sem ainda ter uma história em mente.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Os preços tornam os livros impopulares. Países em que a média de livros lidos por ano é maior, os preços são mais baixos do que no Brasil. Reduza o preço dos livros que teremos mais leitores e uma população mais crítica e preparada.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Eu nunca pensei dessa maneira, da mesma forma com que nunca falei para mim mesmo: “porque nunca havia pensado nisso”? Ao assistir a um filme, cada autor tem sua ideia e sua criatividade que pode influenciar o leitor ou o espectador, e auxiliá-lo em sua criatividade pelo seu estilo. O meu livro tem a história fictícia de cães e outros animais, mas eu jamais poderia ter ciúme de livros como “Marley e Eu” que foi um grande sucesso mundial. Cada livro é um. É essa diversidade que torna a literatura brasileira e mundial tão ricos, seja com livros de sucesso ou com livros de pouquíssimas tiragens.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da musica + cantor)

Sem sombras de dúvidas a música Forrest Gump Theme de Alan Silvestri. Essa música está presa em minha mente quando lembro de cada um dos personagens e dos verdadeiros seres que os inspiraram. Os verdadeiros seres que inspiraram os personagens do meu livro já são falecidos, e quando ouço essa música, sinto um nó na garganta pela falta que sinto de cada um deles. Estou escrevendo agora um livro em que há muitas trilhas sonoras condizentes ao que escrevo, que são músicas tocadas em piano.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sapo Edegar foi o livro que me carregou para o mundo da leitura ainda quando eu era criança. Tenho muito carinho por ele. Sapo Edegar foi o meu pontapé inicial.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho sim. Por insistência de um amigo escritor, estou fazendo a continuação da história do primeiro livro METRÓPOLE DOS CÃES. Estou escrevendo também um romance, no qual estou parado agora devido à minha carreira profissional que ocupa boa parte do meu tempo, mas, assim que me organizar um pouco mais, vou retomar esse meu projeto que será grandioso para mim, pois muito do que aprendi na minha profissão, estará presente na trama e nos personagens.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Tudo é uma questão de ponto de vista, mas, ao mesmo tempo, toda crítica é válida para o crescimento do autor, desde que não seja de forma pejorativa, pois o autor se empenhou e deu o melhor de si para aquele trabalho. Sabemos que há autores mais preocupados com o lançamento do que com o livro, mas, quando o autor vive a história, seus personagens e tudo passa ser gerado dentro de sua mente. Quando o autor perde noites de sono por esse projeto, esse trabalho merece ganhar as páginas de um livro, ao invés de ser esquecido na gaveta ou no arquivo de um computador.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Maurício de Souza. Mas isso é só um sonho. Ter um livro lido por uma personalidade como ele, seria sonhar demais.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

É ver seu livro comentado por alguém, principalmente de um lugar distante. É emocionante.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não deixe na sua gaveta, no seu computador ou na sua mente aquilo que criou. O que foi gerado tem que nascer. Como toda a vida que quer ser vivida na sua plenitude, um livro quer viver na mente do leitor. Dê então à sua história, que é a sua criação, a chance de nascer e ganhar o mundo através dos olhos e da mente do leitor. Como a criança que cresce e ganha seu próprio destino, tomando seu rumo, um livro vai parar em lugares que você jamais irá imaginar, e esse passará a percorrer pela mente do leitor, de uma forma que você jamais irá saber, recriado pela mente de quem lê. Escreva e se arrisque a encaram a publicação. Sugiro apenas, que dê muito valor ao que está dentro da capa e não apenas a essa ou a um certo “glamour” do lançamento. A única certeza que eu tenho, é que você não irá se arrepender de publicar aquilo que foi fruto da sua criatividade e de todo o esforço para tornar a história uma realidade, seja para o leitor ou mesmo somente para você. O que foi gerado merece e precisa nascer. Gere sua história que é sua criação, sempre na esperança de que ele irá crescer e ganhar o mundo através da mente do leitor.

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