Madrugada Macabra – Soraya Abuchaim

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“(…) as pessoas realmente só percebiam

o que haviam perdido

 quando chegavam a conclusão

que tudo lhes seria tirado”.

(Soraya Abuchaim,

in: Madrugada Macabra, 2017)

 

Certamente, em se tratando da escrita de Soraya Abuchaim, se espera que o “macabro” do título seja um macabro em letras maiúsculas e regado a muito suspense. E, definitivamente, o leitor não irá se decepcionar com essa trama.

Obviamente, escolhi uma madrugada para ler esse conto – não perderia a oportunidade de criar uma atmosfera propícia para conhecer Marcondes, o protagonista de meia idade que tem sua monótona vida perturbada por um estranho chamado de trabalho. São altas horas da noite quando Marcondes, deixando seu lar solitário, vai atender uma emergência que tinha tudo para ser corriqueira para um chaveiro 24h, contudo, o bizarro cliente aguça a curiosidade do chaveiro, que não se contenta em apenas abrir o carro em um lugar ermo.

Fui cautelosa para não revelar muito do enredo nessa resenha, pois ainda estou admirada com a proeza da autora em condensar em apenas trinta páginas, uma narrativa completa. É incrível que Soraya Abuchaim tenha conseguido um cadenciado perfeito no andamento da estória, não apressando uma trama que se revelou mais complexa do que a premissa me fez supor inicialmente.

É interessante notar como a narração em terceira pessoa possibilita que o leitor experimente uma vasta gama de sentimento em relação aos personagens. No decorrer das três dezenas de páginas flutuei várias vezes entre me compadecer do patético Marcondes a desprezá-lo profundamente.

Assim como os escritos anteriores da autora, Soraya Abuchaim brinca com o limiar do sobrenatural nesse conto. Até onde o ‘macabro’ é fruto do desconhecido, do irreal, de forças sobre-humanas e quanto é obra do demasiado humano e das consequências desses atos? Esse é o questionamento que permeia da primeira a ultima linha de “Madrugada Macabra”.

 

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