1. Fale-nos um pouco de você.

Sou carioca, libriana, leitora tracinha e jukebox ambulante. Formada em Letras – Português / Espanhol pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), vivo viajando pelos mundos que crio na minha cabeça. Quando não estou escrevendo, reviso textos e, consequentemente, ajudo outros autores a realizarem seus sonhos.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou revisora de textos (sim, os livros são grande parte de minha vida). Sempre gostei de inventar histórias na minha cabeça, então qualquer coisa pode virar inspiração. Meu primeiro livro, “Minha vida é um reality show” (Amazon, 2016), foi baseado em um reality show de música que eu era viciada, o American Idol. Já o meu conto “Adeus, vida” (Amazon, 2015) escrevi em um dia em que estava tão mal que tudo o que eu queria era desistir de mim. “Doce vingança” (Antologia Resilientes, Rico Editora, 2019) e “Castelo de cartas” (Antologia Chuva na Janela, Editora Sinna, a ser publicado) foram baseados em músicas de duas bandas de rock / metal que curto e seus integrantes. Por fim, a ideia para “Batidas de um sonho” (Antologia Elas eram princesas, Editora Illuminare, a ser publicado) surgiu após eu assistir ao vídeo de apresentação da antologia e unir a proposta à uma estória que eu havia escrito, mas não deu certo.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa em escrever é poder expressar suas ideias. A escrita é algo que me transcende, que vai além de mim. É o instrumento que me permite me compreender melhor, viajar pela loucura da minha mente e ser quem realmente sou.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Sim, mas anda tão bagunçadinho… (risos)

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Quando comecei a levar a escrita a sério, escrevia Young Adult – meu primeiro livro, “Minha vida é um reality show”, é nesse gênero – porque é o que eu mais lia. Tenho alguns projetos nesse estilo que ainda não foram lançados, mas meus gostos mudaram. Hoje em dia, me sinto mais inclinada a criar estórias com temáticas mais maduras, o que se refletiu na idade e no comportamento dos meus personagens. Mesmo no meu livro teen tratei de temas mais sérios, então acho que isso é natural para mim. Gosto sempre de escrever textos que façam os leitores refletirem e tragam uma pegada de superação sem deixar de lado o entretenimento. Não sei em que gênero posso encaixar meus escritos atuais, pois faço uma mistureba (risos). Mas isso é bom. Não dizem que quem se define se limita?

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Geralmente, meus personagens são baseados em pessoas que admiro. Então procuro no Google nomes e sobrenomes que tragam suas personalidades e vibes.

Falando um pouco sobre minhas obras. Em 2015, escrevi “Adeus, vida” em uma das minhas crises depressivas. Estava sentindo tanto dor dentro de mim que escrevi o conto como um desabafo, de uma vez só. Foi a primeira vez que publiquei algo que escrevi e foi meio assustador quando as pessoas que conheço leram (risos). O conto é sobre uma personagem sem nome que decide tirar a própria vida. As coisas melhoraram para mim de lá para cá, mas fico feliz de ter transformado meu sentimento em arte.

Em 2016, após dois anos de escrita e reescrita, publiquei “Minha vida é um reality show. É a história de Bruna Marshall que engravida do namorado da irmã mais velha (Bruna não sabia que o cara mantinha um relacionamento com ela, pois os dois namoravam em segredo) e é expulsa de casa. Depois de se ajustar no hotel em que sua outra irmã e seu cunhado trabalham, ela se inscreve no reality show Music Idol com o objetivo de realizar o seu sonho de viver de música e dar uma vida boa para seu filho. Durante o programa, ela se vê obrigada a enfrentar, vários desafios, inclusive seu passado.

Esse livro teve uma versão anterior. Em 2014, eu estava viciada em American Idol e postei no Wattpad uma estória chamada “American Star” (era uma versão mais americanizada). Consegui mais ou menos 60.000 leituras, mas detestei o rumo que o livro tomou e o deletei do site. Dois anos, muito chororô e reescritas depois, postei minha nova versão na Amazon.

Fiquei quase três anos sem publicar nada. Estava descontente com a minha escrita e até pensando em desistir. Foi aí que, no começo de 2019, recebi a notícia que “Doce vingança” seria publicado pela Rico Editora. Esse conto relata a história de Marcos, um guitarrista que se envolveu com o vocalista Murilo no passado, mas foi abandonado. Vários anos depois, ele busca vingança, mas acaba descobrindo que as coisas não aconteceram do jeito que ele imaginava.

Meu conto, “Castelo de cartas” será publicado pela Editora Sinna (ainda não sei a data, foi mal!). Assim como em “Doce vingança”, ele conta a história de Matheus, um vocalista casado que tem um caso com o Márcio, o guitarrista de sua banda. Porém, Matheus decide pôr um fim no relacionamento e, de repente, sua vida começa a desmoronar. Ambos os contos passam a mensagem de que o amor sempre vence e de que, muitas vezes, as coisas não são do jeito que a gente pensa.

Por fim, o conto “Batidas de um sonho” estará presente na antologia “Elas eram princesas”, da editora Illuminare, em parceria com a Arca Literária. Nele, conto a história da Leila, uma garota de 18 anos que sonha em se tornar DJ profissional. Ela viaja para os Estados Unidos a fim de participar de um concurso para tocar com a Fontana– uma de suas bandas favoritas. Enquanto espera a sua vez de tocar para o líder do grupo, Leila percebe que ela é a única mulher concorrendo e se revolta. Também sofre preconceito de alguns candidatos. Não posso dar muitos detalhes, mas procurei passar a mensagem de que as mulheres podem conseguir qualquer coisa se se atreverem a sonhar e a arriscar.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Depende. Se um livro for baseado em um programa, música ou filme que gosto, procuro assisti-los / ouvi-la e absorver o máximo de informações possível. Quando há necessidade de pesquisar sobre um lugar específico, por exemplo, procuro em blogs de viagem e sites especializados. Também leio sobre as experiências das pessoas que estiveram lá. Sempre procuro reunir o maior número de dados para conferir veracidade aos meus textos.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Geralmente não, mas às vezes consulto alguns livros que possuem cenas parecidas com a que estou escrevendo. Isso me ajuda a definir o que quero escrever com mais clareza.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Não, pois parti direto para a Amazon. Sempre gostei de ter controle de tudo (apesar de saber que certas coisas fogem do nosso controle) e com os meus escritos não é diferente. Meus contos foram aceitos em todas as antologias que me inscrevi, então, graças ao Universo, tudo fluiu bem.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Acho importante que haja mais espaço e opções para os autores publicarem seus trabalhos e manterem contato com os leitores de forma direta. Também é muito legal que livros de autores nacionais estejam atingindo outras mídias, como o cinema. Acho que o mercado literário tende a evoluir cada vez mais.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

É muito bom quem os autores tenham mais espaços e liberdade para publicar, mas a qualidade dos livros não pode ser deixada de lado. Além de uma publicação deficitária não agradar o público-alvo, mancha a reputação do próprio autor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É uma pena, pois isso limita o acesso à literatura. Porém, hoje em dia temos opções como a Amazon e feiras literárias que nos permitem adquirir livros a um preço bem em conta. Existem lugares que vendem livros há R$ 10,00 ou menos. É só saber procurar.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Creio que a série “39 clues”. Uma aventura ao redor do mundo com um monte de informações históricas e científicas é a minha cara.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Difícil, hein? Apesar de não cantar e não saber tocar nenhum instrumento, música é a minha vida. Posso pensar em milhares de canções que reflitam meus livros e contos. Para fins desta entrevista, escolherei “My Way”, do Frank Sinatra.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Não existe muitos livros que posso dizer isso, porém há alguns que me moldaram de alguma forma. A série “Os Karas” e, principalmente, “A marca de uma lágrima”, de Pedro Bandeira, mexeram demais comigo e me formaram como leitora. A série “O Segredo”, de Rhonda Byrne, me ajudou a evoluir espiritualmente. E “A playlist da minha vida”, de Leila Sales, me ajudou a perceber que não importa o quanto você se sinta deslocado e depressivo, sempre há um lugar que te faz sentir em casa e pessoas que te aceitam pelo que você é.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho dois livros em andamento, mas ainda estou vendo no que eles vão dar. Um é sobre uma skatista que sofre um acidente e vai reaprender a viver e outro é meio que um reality show bem sensacionalista (risos). Ainda estou vendo o que quero fazer em ambos os projetos, então está tudo muito obscuro.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Confesso que não, pois limito meu tempo nas redes e prefiro tirar minhas próprias conclusões sobre um livro do que ler a dos outros. Contudo, acho muito bom as pessoas terem espaço e voz nas redes para se expressarem e ajudarem a espalhar o gosto pela leitura.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Não tem nenhum escritor que eu seja tão fã a ponto de deixar ler meus livros. Acho que escolheria meu namorado mesmo. Ele escreve (por hobby, mas escreve) e sempre me faz rir quando analisa meus escritos.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ver que os leitores curtiram o que você escreveu e saber que você fez a diferença na vida deles de alguma maneira.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Se vocês chegaram até aqui, muito obrigada pela sua atenção. Nunca desistam dos seus sonhos – por mais complicado e distante que eles possam parecer. Não fiquem obcecados pelos seus objetivos; aproveitem cada minuto da jornada. Para quem está começando a se aventurar no mundo da escrita, digo para relaxar e escrever sobre o que o seu coração mandar. Não ligue para quem diz que é impossível viver de escrita no Brasil ou que você não achará leitores. Se você se manter fiel à escrita e a si próprio, Universo inteirinho vai conspirar para o seu sucesso.

 

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