1. Fale-nos um pouco de você. 

Sou carioca, descendente de paraenses e potiguares, católico de Fé, patriota de coração, vascaíno por paixão e mais de meio século de histórias para contar. A minha geração teve um farto material de criação, pois fiz parte da maravilhosa década de 80, tempo em que a consciência do jovem tupiniquim tornou-se mais politizada e icônica.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Profissionalmente atuo na área técnica em eletricidade e atualmente também como universitário, cursando Ciência da Computação. A paixão pelas letras veio alimentada desde o ginasial, quando as professoras obrigavam aos alunos a ler clássicos da Literatura nacional, foi onde conheci e me apaixonei por Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Carlos Drummond, Luís F. Veríssimo e tantos outros (se fosse enumerá-los a lista não tinha fim). Também não posso deixar de mencionar a influência que os super-heróis dos gibis têm, nas minhas composições. Assim como todo garoto da minha infância, eu me perdia nas aventuras de Tarzan, Fantasma, Mandrake, Homem-Aranha, Batman e Super-Homem. Não há como negar que, em minhas cenas de ação, eu penso muito nesses heróis. Ao atingir a maturidade literária me apaixonei por Edgar A. Poe, Dostoievski, Miguel de Cervantes, Victor Hugo, Agatha Christie e, mais recentemente, Neil Gayman, Jane Austen, o mestre Tolkien, e C. S. Lewis, além de outros.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

É engraçado pensar nessa pergunta. Quando mais jovem eu tive a impressão errada de que um escritor tinha o poder de manipular a vida de seus personagens. Hoje em dia, creio que isso não passa de mera ilusão. Um Escritor de verdade é um gerador, como uma mãe que porta seu filho no ventre. A nós cabe a missão de trazer ao mundo as histórias que poderão modificar comportamentos, ditar normas, traduzir costumes e registrar fatos. E o melhor de tudo é poder fazer parte disso, não como um ditador frio e calculista, mas, como um tutor que contribui para o fortalecimento da sociedade. É bom olhar para o papel, se emocionar, ver do que realmente é capaz e dizer para si mesmo: “eu escrevi isso?”

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Como eu sou um autor iniciante, entusiasta da Literatura, sempre experimento outros gêneros literários como o terror, suspense, ficção científica e fantasia. Não tenho muita familiaridade com histórias de amor, sic-list ou dramas. Entretanto, creio que tenha mais facilidade para escrever cenas de ação e histórias de aventura e fantasia.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Eu tenho três romances prontos: 1) “O Príncipe Potiguara” é aventura indígena de época, ambientada no final do século XVI, no litoral nordestino, onde utilizo motivos folclóricos, costumes e religiosos, fatos e personalidades históricas e belas descrições de cenários. Os nomes e títulos foram retirados de pesquisas e entrevistas que fiz durante a composição do enredo e dos livros de história; 2) “Crime no Subúrbio Carioca” é um thriller de ação policial, onde retrato o bairro onde moro e desenvolvo uma trama envolvendo figuras políticas. Essa história nasceu da ideia de fazer uma homenagem a uma série de ação estadunidense que eu sou fã: “24 Horas”, então acabei desenvolvendo uma estrutura interessante onde cada capítulo representa uma hora na vida dos personagens. Esse tipo de técnica transforma a história num thriller intenso, onde cada capítulo traz um plot twist e deixa a trama cada vez mais imprevisível. A história é recheda de violência, reviravoltas, traições e suspense; 3) “ZeroUm vs Absentia, mundos sem alma”, o terceiro romance nasceu de um desafio proposto para misturar ficção científica e magia, aproveitei a oportunidade para construir a minha primeira protagonista. Então, a história passa num universo pós-apocalíptico onde a humanidade é dominada por duas forças antagônicas: as máquinas contra seres de outra dimensão, que precisam do ser humano para se manterem vivos. Ação, suspense e, porque não, um pequeno romance sustentam a tentativa da Capitã Giovanna Belluzzi, de reconstruir a sociedade humana em meio ao caos que a Terra foi transformada.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

O primeiro romance me obrigou a pesquisar muitos costumes de época e folclore indígena, os outros romances busquei informação em oficinas criativas e exercícios com grupos de autores iniciantes. Foi um aprendizado interessante que aumentou o meu conhecimento sobre a cultura indígena do norte; os outros romances foram construídos com a experiência que adquiri através de leituras de gêneros semelhantes.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Para cada gênero eu busco referência de excelência para ficar o mais fiel possível e oferecer uma obra com o mínimo de qualidade aceitável. Já me inspirei em Machado de Assis, José de Alencar, Robert E. Howard, Edgar Alan Poe. Para composição de personagens eu tento utilizar a técnica de Dostoievski, de quem sou apaixonado por causa das descrições psicológicas de cada personagem.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Eu consigo propostas com coparticipação para todas as histórias que escrevo. Sempre sou assediado por editoras com muitos elogios e críticas positivas, porém, as propostas estão muito além das minhas possibilidades. Estou a procura por uma publicação tradicional.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Sinceramente, tenho percebido um grande aumento de autores. Vejo com muita alegria, jovens se inspirando em estrelas da Literatura para tentar escrever e, com isso, o surgimento de grandes histórias. Espero para muito breve um aumento qualitativo na Literatura nacional e isso é excelente para todos nós.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Infelizmente, os “nem tanto” é um revés que, eu creio, as editoras têm grande parcela de culpa. Até entendo a necessidade comercial para publicar produtos vendáveis, preocupando-se somente com a quantidade de possíveis consumidores. Porém, eu acho que, a longo prazo, isso tornar-se-á um motivo de demérito para a editora que não tiver um mínimo de apuro para suas publicações.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Quem tem um mínimo de conhecimento dos custos que envolvem uma produção literária, não pode ter esse pensamento de “preço elevado”, ainda mais levando em consideração o alto grau de risco que é apostar numa publicação editorial no Brasil. Espero que, com a melhora na economia do país, esse quadro seja revertido.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Enquanto leitor, eu não diria que tenho essa “boa inveja” sobre outras obras, mas, para minha surpresa eu adorei ler “Quando o amor bater à porta”, da Samanta Holtz e “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo. Quem sabe se no futuro eu arrisque uma história de amor?

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor):

Para cada história um ritmo diferente. O Príncipe Potiguara, eu escolheria a ópera, As Quatro Estações, de Vivaldi; Crime no Subúrbio Carioca, eu acho mais condizente o hip-hop Carro de Malandro, do grupo Tribo da Periferia; já ZeroUm vs Absentia, mundos sem alma, eu colocaria o rock pop, Radio Gaga, do Queen.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

O Hobbit, de J. R. R. Tolkien.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

    Atualmente estou tocando dois projetos: 1 – Uma distopia pré-apocalíptica. A história tem com pano de fundo uma profecia religiosa. O mundo atingiu o grau máximo de laicismo, as nações criaram sociedades quase perfeitas, porém, os avanços sociais provocaram um fenômeno chamado “filhos-únicos” que diminui sensivelmente a população mundial. Paralelo a essa circunstância, um grupo de religiosos fanáticos engendram um plano para impedir o nascimento do anti-cristo. A história é narrada em terceira pessoa, tempo presente, atualmente conta com mais de 50k palavras e espero concluí-la ainda esse ano entorno de 80k palavras. Título: O Complexo de Herodes; 2 – A outra história é uma fantasia onde eu narro a origem de um paraíso terrestre. Essa história eu tento uma mistura literária do livro bíblico do Gênesis, a ambientação da fantasia de Tolkien e personagens complexos de C. S. Lewis. A minha ideia é escrever as histórias divididas em volumes, onde cada um traz os núcleos das criaturas que serão envolvidas numa guerra que será finalizada no volume sete. Título provisório Contos da Terraplana, o mundo sem noites. O primeiro volume está publicado no wattpad.

  2. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Sim, sempre gosto de ler as resenhas e também vejo as que saem no youtube.com. Tudo serve como aprendizado.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Seria muita pretensão de minha parte, mas gosto da história Filhos do Éden, de Eduardo Spohr.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Saber que sua história teve alguma relevância positiva na vida do leitor.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Como tudo que vale a pena na vida, escrever é um sacrifício e, muitas das vezes, o retorno pode ser frustrante. Não importa sua ideologia política, ou suas convicções religiosas, tenha sempre em mente que o importante não é o que se ganha, mas, o que deixa para a humanidade, aquilo pelo qual você será lembrado(a). Tenha Fé e busque seu sonho. Fazer valer a pena é responsabilidade dos autores. Lembre-se do poeta português: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” F. Pessoa. Desejo sucesso a todos.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here