Marissol Lourenço

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Tenho 42 anos. Sempre escrevi, mas custei bastante a tomar coragem para mostrar. Foi libertador para mim assumir de vez a identidade de escritora. Sou leitora voraz desde que me entendo por gente. Amo romances históricos, minhas tramas preferidas são aquelas que me revelam o cenário de uma época, me transportam para o passado. Se tiver uma pontinha de suspense e mistério para temperar, eu viro a noite lendo. 

Nasci em Santos-SP, mas, atualmente, moro na Serra dos Cristais, no interior de Goiás, com meu marido, meu filho adolescente e alguns gatos.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou Médica Psiquiatra e Psicoterapeuta. Minha inspiração vem das trocas riquíssimas do meu cotidiano. Tenho profundo interesse pelo humano, pelas luzes e sombras do comportamento. Minha escrita é intimista, plena de emoções. Brinco de oscilar entre o sublime e o desprezível, o que produzo é o reflexo do que carrego na alma. Como amo História, me delicio em contextualizar personagens em ambientes de vários períodos diferentes.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Com certeza é conseguir encantar o leitor com o produto da minha fantasia, com o que é tão profundamente meu. Não há alegria maior do que trazer alguém para o meu mundo de imagens. É bom demais quando meus “filhos”, meus bebês literários cumprem a função de entreter e fazer sonhar.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

No meu quarto, bem confortável. Abençoada pela companhia silenciosa dos gatos, sempre. 

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Minha escrita vive entre o drama e o romance histórico. Tenho como marca esmiuçar as características psíquicas e as motivações dos personagens. Já passei pelo policial e pelo terror em contos para antologias. Foram experiências ricas, gostaria de repeti-las.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Tenho um livro de contos publicado pela Editora Illuminare, chamado “Sábado no Templo de Afrodite”. Cada conto é a história de uma mulher que abre o coração e fala sobre agruras e conquistas. Sempre num sábado, todas são clientes do mesmo salão de beleza, que configura uma espécie de refúgio feminino, onde tudo se pode falar, do terrível ao belo.

Participei de inúmeras antologias de contos nos últimos 02 anos. Então, foram muitos personagens. É um tanto misterioso o modo com que os batizo. Penso no que quero contar, e o nome vem. Pura criação do inconsciente. Já os títulos são um pouco mais difíceis, geralmente deixo para o final, quando já tenho escrito o “esqueleto” da história. Aí tento criar um título que traga para o leitor a ideia do texto, que chame a atenção.

Na antologia “Amor à Moda Antiga”, por exemplo, o nome “Tambores para Juliana” surgiu depois do nascimento da senhorinha atrevida que protagoniza o conto.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o universo do livro?

No caso do meu livro, a ideia veio do ambiente. O salão de beleza como espaço confessional, onde mulheres falam livremente, foi uma questão de observação do fenômeno. O ambiente provocou a criação das personagens dos contos.

Quando se trata de uma trama histórica, estudo o que posso em livros e artigos sobre o momento que quero retratar. Então, brinco de me transportar, de ser contemporânea dos personagens, deixo a imaginação correr solta.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sim. Amo demais Isabel Allende e Maria Dueñas, são minhas preferidas.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Comecei a expor o que faço há relativamente pouco tempo, cerca de 02 anos. Nesse período, os contos que enviei têm sido bem aceitos, e consegui publicar meu livro sem dificuldades pela Editora Illuminare. Obstáculos ainda podem ocorrer no caminho, mas a paixão por escrever é maior e me fará capaz de enfrentá-las.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

O cenário mudou bastante nos últimos anos, para bem e para mal. Ficou mais fácil publicar, mas a distribuição ainda é um grande problema. A forma de fazer publicidade também mudou, as redes sociais se transformaram e instrumentos valiosos, é importante fazer delas aliadas. Muita gente pleiteando um lugar ao sol, é um momento no qual estabelecer um diferencial na arte se torna imprescindível.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Acho válido que mais gente se proponha a mostrar o que faz e se expresse. Há público para gêneros e estilos diferentes. Qualidade se ganha através da prática. Quando detectarmos algo desesperador, é melhor simplesmente interromper a leitura. Sem jogar pedras.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

É realmente triste que livros físicos sejam tão caros. Um estudante apaixonado por literatura se limita a observar estantes de livrarias. Porém, os e-books são uma opção mais em conta, e o mercado de livros usados também é um modo mais acessível de satisfazer o gosto pela leitura com poucos recursos.

  1. Qual livro você falaria: queria ter tido esta ideia?

“Inês de Minha Alma”, de Isabel Allende.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros, qual seria?

Infinito Particular, da Marisa Monte.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado o livro de sua vida?

Difícil escolher um só. Fico com um livro lindo e delicioso, chamado “A Gruta- Memórias da Amada Imortal”. Uma fantasia sobre a misteriosa amante de Beethoven.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Sim, estou na fase de conclusão de um romance contextualizado na Capitania do Grão Pará e Maranhão, no século XVIII. Uma história com uma protagonista controversa.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Considero de extrema importância saber o que se fala sobre literatura, observar críticas sobre o que eu faço e sobre o que outros autores fazem é um instrumento para a lapidação constante do trabalho literário. Os blogueiros prestam um serviço essencial.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Adoro fantasiar que Mia Couto, um autor que amo, possa ler uma produção minha.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ser lido.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

A Literatura nos possibilita a criar junto. A personagem que componho tem um rosto diferente na mente de cada leitor. Essa magia que une o universo psíquico de quem escreve e de quem lê, na minha visão, é o maior estímulo para o escritor em qualquer estágio da vida em que se encontre.

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