1. Fale-nos um pouco de você.

Bom, tenho 26 anos, sou aquariana com ascendente em touro, estudei letras português/inglês por dois anos, não concluí porque as matérias de licenciatura eram insuportáveis hahaha. Aprendi a falar muito cedo, com 2 anos de idade eu já falava de tudo, sem enrolar. Aos 3 anos aprendi a ler praticamente sozinha. Minha mãe, percebendo que eu tinha muita facilidade com as letras, resolveu me ensinar algumas coisinhas mais difíceis e também aproveitou para me ensinar a escrever.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Atualmente trabalho com vendas, mas espero conseguir viver apenas de arte em algum momento da vida. Eu sei, eu sei, estou sonhando alto.
A inspiração é aleatória demais, pode surgir de coisas simples do cotidiano ou de experiências complexas que vivemos. Os dois contos publicados na antologia Elas Eram Princesas vieram de reflexões do meio da madrugada. Aquelas, que tiram o nosso sono.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Conseguir encontrar beleza em sentimentos considerados feios ou errados.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Ainda não tenho, me mudei recentemente e não tenho quase nada em casa, muito menos um cantinho aconchegante, mas estou trabalhando nisso. Quem sabe até o final do ano, né?

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não tenho um gênero literário definido por enquanto. Escrevo bastante crônicas, contos, algumas poesias. Tentei escrever um livro de ficção e acabei achando que não levo jeito, e amei ter concluído um infantojuvenil, tanto que gostaria de fazer outros. Nunca me esqueço do que meu professor de literatura falou durante uma palestra, sobre a importância de escrever o que se tem vontade, mais do que se forçar a permanecer em um único gênero durante toda a carreira afim de criar um nome.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

O único livro concluído que tenho por enquanto é A Garota que Cantava Estações. A ideia surgiu de um desenho em aquarela que fiz em um dia que eu estava extremamente mal. Na hora que pintei a garota, já me surgiu o nome dela, o nome do livro e o plot central da história.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Gosto de quadros, músicas indies bem calmas, peças de teatro. São coisas assim que vão me mostrando cenários e possibilidades. Acho que as outras formas de artes são a melhor fonte de inspiração.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Por mais que eu tenha autores preferidos, não costumo pensar neles quando estou escrevendo. Enquanto estou lendo algo, sempre fica uma parte de mim analisando com os olhos de escritora, aprendendo como descrever tal tipo de coisa, em que situação usar determinada palavra, mas no papel sai tudo muito diferente da fonte da ideia.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Na verdade, comecei a correr atrás de antologias para ver se isso facilitava minha jornada com A Garota que Cantava Estações, hahaha. É difícil fazer as editoras se interessarem por um livro quando ainda não se tem nada publicado e um público formado, mas acredito que até o final desse ano terei encontrado uma casinha para a Aurora (protagonista da minha história).

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Quanto aos autores, acredito que temos uma diversidade enorme. Não vou dizer que tem vários livros ruins por aí porque ruim é relativo né, mas eu acho bacana entrar numa livraria e ver que temos poesia nacional, ficção, policial, terror, romance! E boa parte dos autores são novos, isso é estimulante. O que me preocupa mesmo é a possibilidade de censura. Quanto aos leitores, temos prós e contras. Às vezes tenho a impressão de que atualmente lemos mais do que antes, só que o peso da leitura é diferente, ou a intenção por trás da leitura que mudou. Sei que temos muita coisa para explorar, gostos e novas ideias que surgem a todo instante e tem muita coisa bacana no mercado.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Sinceramente, acho que tem muita editora preocupada demais com dinheiro. Eu sei que essa é uma preocupação constante, também tenho ela, mas tem muita história repetida por aí. Se for pra publicar tudo que aparece, acho que tem que ter muita revisão e reescrita envolvida, mas como isso dá muito trabalho e provavelmente mais gasto, acabam deixando pra lá. Pra eu considerar um livro realmente ruim, acredito que ele deve ser ofensivo de alguma maneira, porque se não for, apenas acho que ele não é pra mim. E para que um livro ofensivo venda muito, é necessário leitores. Nesse caso, acho que o boom vem deles pela polêmica gerada e os burburinhos nas redes sociais, não é um boom do escritor, entende. Se ninguém comprar o livro dele, logo será esquecido e fim.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

A maioria dos livros nacionais que encontro tem o preço parecido com os internacionais, acho que é a nossa vista cansada e viciada sobre tudo o que produzimos que nos faz achar que não vale a pena gastar mais de R$30,00 com um livro nacional quando podemos comprar o novo best-seller da gringa.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Clube da Luta, com certeza.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

No caso de A Garota que Cantava Estações, seria All Is Soft Inside ou The Seed, da Aurora. Inclusive, cito alguns trechos durante a história.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Veronica Decide Morrer, Firmin, Bar Doce Lar e O Capitão Saiu Para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio. Minha vida é um misto dessas histórias.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho uma ideia para uma HQ que sinceramente nem sei por onde começar, hahaha. Esbocei um pouco sobre alguns personagens e só. Também comecei a desenvolver uma história para um jogo, coisa que sempre quis muito fazer. Além disso, estou reunindo algumas passagens que considero realmente interessantes dos meus diários para tentar publicar em formato de um livro de crônicas.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

No momento acompanho a Melina Souza e a Camila Deus Dará, duas fofas. Acho bacana quando os gostos são parecidos com o do blogueiro porque aí encontro muita recomendação incrível, mas também penso que é preciso ter muito tato para ser um bom crítico. Tem muita gente que não gosta de um livro e acaba ofendendo o autor ao invés de elaborar um argumento sobre a história, pesar prós e contras e afins.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Não sei se admiro algum escritor que gostaria do que tenho escrito, as pessoas que eu sei que gostam já leram hahaha. Eu gostaria que todas as pessoas inseguras, que se sentem abandonadas, que procuram alguma identificação passasse por algum dos meus textos. Eu sempre vou colocar minha alma em tudo que escrevo e gostaria de tocar as pessoas que se sentem como eu.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Quando uma ideia simples porém incrível aparece do nada, e ser lido, receber feedbacks agradáveis.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para os leitores, eu espero que cada texto dessa antologia toque alguém, levante alguém, faça alguém sorrir. Para quem está começando, digo o que aprendi com o Álvaro de Campos: “Sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.”

 

4 Comentários

  1. Mel maravilhosa!!!
    “A garota que Cantava Estações” é linda, profunda e poderosíssima! Você é uma escritora incrível! Com um potencial pra escrita que é difícil expressar em palavras, só lendo e sentindo mesmo os seus textos e vendo as suas produções pra saber! Fico muito feliz que esteja conquistando o seu espaço minha amiga! Sucesso!

    • Muito obrigada meu amor, fico feliz demais por ler isso e saber das minhas amizades que nunca duvidaram de mim. Te amo, e muito sucesso na sua vida todinha também ???

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