O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Estas palavras, contidas na primeira epístola à Igreja de Corinto, capítulo 13, escritas pelo apóstolo Paulo, foram e são usadas em variados momentos para expressar o poder e a força que o amor possui. E eu as uso no início da resenha para falar sobre uma história que tem a marca dos quatro verbos presentes no versículo.

O Tatuador de Auschwitz, escrito pela inglesa Heather Morris e publicado no Brasil pela Editora Planeta em 2018, é um livro que conta um fato real acontecido durante o período da II Guerra Mundial, nos campos de concentração localizados na Polônia. São 234 páginas onde a autora descreve sobre os desafios enfrentados por um casal de judeus eslovacos para viver o seu amor proibido, além de narrar algumas das atrocidades praticas pelo III Reich.

Lale Sokolov é enviado ao campo em abril de 1942. O rapaz depois de um tempo de trabalho braçal acaba contraindo tifo e quase vai a óbito. Ele consegue sobreviver graças à ajuda de alguns companheiros e após recuperar-se recebe uma nova função: tatuador (Tattowiere). O seu papel é marcar nos braços dos prisioneiros que chegam o número pelo qual eles seriam identificados. Os números depois de um tempo precisavam ser refeitos, pois iam desaparecendo.

A função dava a Lale algumas vantagens naquele ambiente.  Ele poderia andar com certa liberdade pelo local, obter comida extra e prestar ajuda e favores aos seus amigos. Como poderia circular, atuava na troca clandestina de joias e dinheiro por alimentos e remédios, por exemplo.

Sou apenas um número. Você deviria saber disso. Foi você quem me deu.”

Gita Fuhrmannova seria transferida de Auschwitz. Seu novo destino era Birkenau e juntamente com outras mulheres ela foi “renovar” a sua identificação. Sabendo que para as moças marcar o corpo era algo ainda mais doloroso do que para os homens, o tatuador tentava ser o mais delicado possível, mas a presença constante dos soldados pressionando não permitia que isso fosse permitido. O rapaz que fazia a marca sorriu para ela, tentando tranquiliza-la. Era Lale.

Em meio aquela situação caótica e difícil, a paixão entre eles nasce e cresce. Para quem estava naquele lugar, a única certeza era que a qualquer momento a morte poderia chegar. Os dois jovens sabiam disso, mas ainda assim decidiram arriscar viver aquela paixão proibida; era o que alimentava a alma. Seria possível sonhar com um futuro? Lale mesmo responde: “Haverá um amanhã para nós. Na noite em que cheguei aqui, fiz uma promessa a mim mesmo que sobreviveria a este inferno. Vamos sobreviver e construiremos uma vida onde seremos livres para nos beijar quando quisermos, fazer amor quando quisermos” (p. 115).

Mas, de que forma Lale e Gita sairiam daquele ambiente terrível para desfrutar o amor em paz?

O livro é fruto do período em que a Heather Morris esteve em contato com o Lale. Durante um bom tempo ele relatou a sua história para a britânica, que transformou o relato nessa obra que nos mostra um pouco mais dos horrores da guerra.

Muita coisa sobre a guerra a gente já ouviu, já viu em filmes e seriados, e já leu não somente em livros. Mas apesar de ter noção do que se passa, eu particularmente fico a pensar que já vivemos tanta maldade, tanto sofrimento, que a história nos mostra quanta dor gente inocente já passou, e ainda hoje há quem saia em defesa e pregue a volta de práticas nazistas.

Livro recomendado. Para quem sabe e entende que a força do amor é capaz de sobreviver a tudo.

Um comentário

  1. Você me deixou super curiosa pra ler essa que deve ser uma linda estória de amor, dor, suspense, e drama. Além de lembrar da pior parte da guerra, o ódio sem limites.

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