O telefonema que não fiz – Jonas Zair Vendrame

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“O bem não pode parar, porque apenas um ato bom pode mudar o dia de uma pessoa”.

(Jonas Zair Vendrame, in: O Telefonema Que Não Fiz, 2018)

Estava na expectativa para o lançamento de “O Telefonema que não fiz” (2018, Editora Skull) desde as Primeiras Impressões que li sobre o livro. E não é que o autor Jonas Zair conseguiu me surpreender com um enredo que, gradualmente, ganha profundidade a cada capítulo?

A capa em prata e cinza da edição física combina perfeitamente com a diagramação caprichada e as ilustrações em branco e preto.  A princípio, os tons sóbrios contrastam tanto com a leveza da escrita do autor, quanto com a personalidade da protagonista e narradora desse livro: Júlia, uma mulher de 26 anos, mas com quociente emocional que não passa de uma menina de 15 anos.

Disposta a curtir a vida como se não houvesse amanhã, sem perspectiva de futuro, Júlia não dá valor ao seu namorado Erik, um médico preparado para uma ascensão profissional e pessoal, nem ao seu emprego na área administrativa de um hospital, pois o considera tedioso. As coisas mudam de figura quando as ações imaturas da protagonista ameaçam seu relacionamento, o que acarreta em uma negligência ao não realizar um importante telefonema.

Como uma decisão impulsiva, aparentemente sem grande relevância pode acarretar consequências de proporções inimagináveis? Como um telefonema não feito no momento certo pode mudar radicalmente o rumo da vida não apenas da protagonista, mas de dezenas de pessoas? Esse é o mote que o autor desenvolve para tratar questões filosóficas e existências inerentes a humanidade.

Consumição pela culpa e busca por redenção norteiam as dores do crescimento forçado de Júlia, no melhor estilo à brasileira de “Crime e Castigo” (1866, Fiódor Dostoiévski). Assim como à obra prima da literatura clássica russa, considerada até hoje uma das mais completas recriações da psique humana, “O Telefonema que não Fiz” também suscita no leitor uma reflexão sobre empatia, propósito, resiliência, perdão, recomeço. Além da jornada para encontrar seu lugar no mundo e valorizar as coisas e pessoas certas, a grande sacada do enredo foi salientar que a vida não se desenrola toda preto no branco, certo e errado e, muito menos, é cor de rosa como Júlia queria acreditar ao enxergar somente seu próprio umbigo. Não, semelhante à capa desse lançamento, a protagonista deparasse com situações repletas de nuances de cinza, nas quais uma redenção é questionável.

Não é por acaso que “O Telefone que não Fiz” foi o livro mais vendido da Editora Skull em novembro. É impossível terminar esse thriller psicológico sem se perguntar quantos “telefonemas” deixamos passar. Quantas vidas, inadvertidamente, nós modificamos para o bem ou para o mal? O que é preciso para enxergar o outro? O autor, em uma linguagem envolvente para todas as idades e tipos de leitores, não poupa nenhum personagem dessas mesmas indagações.

A edição física do livro “O telefonema que não fiz” é vendida pela loja virtual da Editora Skull e o ebook pode ser comprado pela Amazon e também está disponível gratuitamente pelo Kindle Unlimited.

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