Paulo Siuves

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  1. Fale-nos um pouco de você.

Eu sou mineiro, nasci em Contagem, uma cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Sou o mais novo de quatro irmãos, todos músicos. Aprendi tocar violão com meu irmão Davi Siuves e sou autodidata no contrabaixo. Bacharelando em Letras pela UFMG, publiquei meu primeiro livro em 2009 pela CBJE, “O Oráculo de Greg Hobsbawn”, desde então tenho participação em várias antologias nacionais e internacionais. Sou casado e tenho quatro filhos e dois netos. Enfim, sou pai, músico e escritor.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita? 

Eu sou funcionário público, em Belo Horizonte desde 2006. Sou da primeira turma concursada na Guarda Civil Municipal e, desde 2008, integro a banda de música da instituição onde toco flauta transversal. Sou músico, dou aulas de violão e contrabaixo, e toquei em varias bandas de baile na região metropolitana e na noite belorizontina. Quanto a inspiração para a escrita, não tenho uma regra, ou algo para seguir que me faça escrever. Qualquer coisa é motivo para escrever, às vezes tenho períodos que não escrevo nada, posso tentar, mas acontecem entressafras e escrevo coisas que não valem a pena guardar e, muito menos, publicar. Mas gosto de escrever sobre tudo, sobre qualquer coisa… Às vezes escrevo sobre coisas do cotidiano, outras vezes sobre o amor e a amizade, outras vezes sobre o universo homem e mulher, coisas mais picantes, etc. Já escrevi histórias de ônibus, de crianças soltando pipa, andando de bicicleta, jogando bola, tomando banho, já escrevi sobre um monte de coisas. A inspiração vem, eu escrevo depois ela vai embora e eu espero pra voltar a escrever. Não tenho método, nem regra, apenas escrevo, ou não escrevo (risos).

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

A melhor coisa é conseguir mudar o dia de alguém. Às vezes eu escrevo para desestressar e o que escrevo faz bem para alguém, isso dá um alívio para a minha alma, por que fazer algo por fazer não faz sentido, quando escrevo e recebo o feedback daquilo como algo positivo na vida de alguém, me sinto completo, sinto que minha escrita não é vã. A melhor coisa em escrever é poder fazer bem a alguém de maneira direta. Já escrevi para mim mesmo, já escrevi simplesmente para colocar meus sentimentos para fora, mas depois que alguém lê e demonstra que aquilo faz algum sentido na vida dela e que ajuda de qualquer forma que seja, tudo muda. É maravilhoso.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

Não. Não tenho. Escrevo em qualquer lugar e a qualquer hora, em papel ou em meios eletrônicos, como celular, notebook, etc. Acho muito bacana quem tem um home Office pra escrever ou compor, mas não consigo ter essa disciplina. 

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Acho que meu gênero é poesia sem forma fixa, mas adoro escrever contos. Divirto-me muito quando nasce um personagem que mexe comigo e tenho que dar sentido à vida dele. Mas amo escrever poesias. Adoro sonetos, embora não seja sonetista, Meu sonho é ter disciplina pra escrever uma epopeia. Porém, sou mega indisciplinado. Não tenho disciplina nem pra exercícios físico, preciso ficar me esforçando para ter uma rotina semanal mínima para me exercitar, imagina pra escrever uma coisa grandiosa como uma epopeia (risos)? Então faço pequenas imersões em estilos diferentes. Divirto-me e me dou bem assim…

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meu livro “O Oráculo de Greg Hobsbawn”, escrevi-o quando trabalhava à noite, pensava nele durante o dia e escrevia à noite, durante o plantão. Quando chegava em casa, minha esposa corria para ler o que eu tinha feito durante a noite. Era muito divertido. Eu me inspirei muito em José de Alencar, ficava fascinado com a história na medida em que ia surgindo no papel, depois, durante o dia tinha que fazer as pesquisas para encaixar a história dentro do contexto real e fazer ter coerência, mas nada fazia mudar a história do rapaz bon vivant que buscava orientação suprema em seu pai, e reconhecia nele a autoridade suprema, aquele que tinha a decisão final e incontestável.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Procuro fazer todo tipo de pesquisa necessária para encontrar o equilíbrio ideal entre ficção e realidade. Lugares geograficamente aceitáveis, nomes de personagens atrelados à alguma característica do caráter, enfim, tudo o que faz com que minha história (ou conto) seja o mais próximo da realidade possível. Acho tão ruim quando leio algo que não condiz em nada com a realidade ou que não tenha chance de ser pelo menos possível! 

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Sim. Leio os clássicos nacionais (também leio autores estrangeiros) e tento aprender sempre algo novo. Tanto com a literatura mais antiga quanto com a mais contemporânea. Mas procuro ler também os autores da atualidade e acabo me inspirando em algo que eles criam. Atualmente, estou namorando os livros de Tony Belloto, quero muito ler sua serie de livros policiais. Leio autores menos conhecidos e adoro ler meu amigo Marcos Mota e sua série Objetos de Poder, livros maravilhosos…

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Minha dificuldade é sempre financeira, então nem dá pra responder a essa questão (risos).

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Temos muitos autores novos realmente bons. Uma galera que se preocupa com a qualidade de suas criações, com o respeito ao leitor e tudo mais. Infelizmente, temos também autores que não se preocupam com nada disso. Então vejo o cenário da literatura nacional com otimismo. Acho que estamos indo na direção da popularização da edição de livros, isto é, mais gente está tendo oportunidade de publicar, e isto é bom. Mais autores significa mais chance de ter a história contada realmente como ela é, sem o engajamento fomentado que acaba prejudicando a história com inverdades. Quanto mais acessível for a edição e publicação de livros, mais gente estará contribuindo para que a história do Brasil seja contada de ângulos e visões diferentes possibilitando que pesquisadores no futuro saibam o que está acontecendo em todos os aspectos nesse tempo que vivemos hoje. Como capsulas do tempo, só que ao invés de invólucros selados e enterrados, temos capsulas grafadas em paginas e mais páginas de livros de diferentes autores, vindos de diferentes regiões e falando diferentes formas de contar a história.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Como na resposta anterior, acho isso ótimo. Acho que ninguém pode ser privado de contar a sua história, por pior que possa parecer seu enredo ou jeito de contar. Quanto mais acessível for a publicação, mais gente teremos contando a história. Não me preocupo com o que é “ruim”, me preocupo com o que é “vendido” autores que não falam a verdade, mas falam o que é preciso para serem publicados, são piores do que qualquer autor que possa ser considerado medíocre pelo seu enredo publicado. Escritores com desvio de caráter causam estragos terrivelmente desesperadores no mercado e sobre os leitores.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Tenho conversado com muitos escritores e as opiniões são bem convergentes. Deve haver um meio de o empresariado brasileiro rever seus lucros para que os preços sejam mais acessíveis. Nós, escritores e autores, ganhamos muito pouco sobre o preço de capa e estamos completamente disponíveis para reduzir ainda mais nossos lucros pelo simples prazer de ter crianças e adolescentes, jovens e adultos, se interessando em ler nossos livros. Há escritores fazendo doações de suas obras para bibliotecas e escolas porque querem ter o destino de suas obras alcançando o objetivo: ser lidos. Porque os preços praticados no Brasil afastam os leitores. Se os custos embutidos nos preços de capa forem reduzidos, e pesquisas nesse sentido podem e devem ser feitas, os preços serão mais sedutores para o consumidor e mais justo para nós, escritores brasileiros.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Qualquer um best seller (risos). Deve ser muito interessante ser aclamado como escritor de um livro que fez sucesso real de público e crítica. Mas não queria jamais estar na pele de algum escritor que tenha se tornado famoso pela péssima qualidade de sua escrita. Imagina que terror! Acordar meses a fio pela manhã e encontrar chacotas com seu nome e sua obra nos jornais, nas redes sociais, deve ser muito constrangedor e triste. Gosto muito de vários títulos, mas gostaria de ter tido a ideia do conto Um Homem Célebre, de Machado De Assis. Como sou músico e a historia descreve a vida de um, adoraria ter tido essa ideia. 

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Acho que não saberia responder a essa pergunta com precisão, cada vez que descubro um autor, ou me apaixono por um personagem, sinto que aquele momento descreve minha vida naquele período. Como as músicas… Adoro o período da música popular brasileira em meados da primeira década. Isabella Taviani – A Canção Que Faltava

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Sem demagogia, a bíblia é o livro da minha vida. Imagina um livro escrito por vários séculos diferentes, por homens de diferentes posições sociais, diferentes idades, diferentes regiões de um país, diferentes situações socioambientais, tudo isso dirigindo para um único objetivo, como se estivesse sendo ditado por uma só pessoa, no caso o Espírito Santo, sendo essa pessoa o coautor em todas as épocas… isso é fenomenal, fantástico. Não vamos entrar no mérito de ser um livro espiritual, ou qualquer outra coisa, vamos nos ater ao fato histórico, arqueológico, não há como ler os salmos e não se encantar com a sua poesia escrita por caras diferentes. Não há como ler os pentateucos e não ficar admirado pela verossimilhança interna contundente e pensar “como essa história chegou até os dias de hoje?”, é maravilhoso. Assim eu adoro ler a bíblia e viajar na experiência histórica, deste livro.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho alguns projetos iniciados e estacionados em algum momento. Tenho várias histórias no computador esperando seu final, não sei qual será terminada primeiro. O livro da Baiana que sonha em ser uma cantora reconhecida e ganhar um oscar, o livro em branco, o livro das pessoas que se anulam, o livro dos contos diversos, o livro de poesias, tenho vários projetos iniciados que precisam de disciplina pra terminar. Tenho alguns projetos finalizados e não sei qual será o próximo a ser publicado. Tudo depende de disponibilidade financeira. Assim que eu conseguir essa disponibilidade, algo novo virá à luz. Espero que o público goste.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Não digo “acompanhar”, mas leio sim. Vejo alguns blogs e sites e sinceramente, fico me perguntando como vocês conseguem. Um trabalho árduo, com vários atacantes em campo, com muito material disponível para o trabalho e tão pouco valorizado pela classe literária. Sinceramente, quando os escritores derem a devida atenção ao trabalho dos blogueiros e não desejarem somente a critica positiva aos seus livros, todos nós sairemos ganhando.  Estamos na era digital, e nada mais importante do que ter a critica de quem é virtual disponível para entrevistas, criticas literárias, bate papo, etc. Tenho a consciência de que se eu pisar na bola com um blogueiros, os outros terão receios de trabalhar comigo e minha divulgação ficará “capenga”. Dou valor aos blogueiros e fico impressionado com o trabalho deles, pois não é fácil lidar com artistas.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Sei lá… Alguém que não gosta de mim… Um blogueiro tipo “persona non grata”… uma pessoa que seria totalmente improvável fazer a leitura do meu livro seria o leitor perfeito, a critica mais implacável vinda de uma pessoa que não gosta de mim, seria algo bom para o meu crescimento. Quem não sai na chuva não aprende a se molhar e chorar por causa de palavras ferinas não me assusta, o que me assusta é não ter coragem de encarar qualquer fraqueza minha vinda dita por alguém que não tem compromissos com lealdade, amizade e reciprocidade em relação a mim, não ter coragem de crescer. Acho que é a melhor forma de me libertar de mim mesmo.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Digamos que, de forma anônima, possamos encontrar alguém que esteja lendo o nosso livro e poder nos aproximar e perguntar o que o leitor está achando do livro, e ele responder de alguma forma que estejamos diante de um espelho fazendo a mais sincera autocritica. Sinceramente adoraria ouvir a melhor critica não profissional de um leitor que poderia me falar o que achou do meu livro ou das minhas poesias e isso me faria muito feliz, acho que muitos poetas compartilhariam desse meu desejo. Então, a maior alegria de um escritor pode se resumir nisso, saber que alguns leitores encontram coisas boas em seus escritos e isso foi verbalizado como um testemunho real.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Para aqueles que estejam iniciando na escrita eu digo: Tenham fé! Tudo começa com o primeiro passo. A humildade revela o caráter, a arrogância afasta as oportunidades, acreditem. Acreditem também nas associações, as academias e núcleos acadêmicos fazem um excelente trabalho, basta pesquisar.  Aos leitores do blog ARCA LITERÁRIA quero dizer os meus parabéns. Escolheram um blog serio, uma blogueira inteligente e altamente competente para fazer o que tem que ser feito, com alto senso de responsabilidade e disponibilidade para ouvir e compartilhar. Minha frase preferida é “Somos senhores das palavras que não falamos e escravo das que nos escapam”. Meditem sobre isso…

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