1. Fale-nos um pouco de você. 

Sou Ronilson, natural de Carolina, pertencente ao Estado do Maranhão, no entanto, passei boa parte da minha infância no município de Goiatins, no Tocantins. Meu pai Antônio era vaqueiro e minha mãe Oneide era costureira. Perdi minha mãe em 1996 e meu pai em 2012.  Sou casado com Vanessa A. Galvão e possuo dois filhos: Felype e Miguel.

Estudei Filosofia em Belo Horizonte – MG entre os anos de 2008 a 2010, quando fazia parte da Congregação Religiosa Filhos de Maria Imaculada – FMI, mas conhecida por Pavonianos por causa do nome do fundador, o Italiano Ludovico Pavoni.

Durante a graduação em Filosofia conheci a professora Helena Contaldo, a qual tinha um projeto chamado CAPL – Curso Avançado de Língua Portuguesa, onde aprendi a escrever contos. Tal fato viabilizou a publicação de meu primeiro livro em 2010 e a participar na antologia organizada por ela, intitulada Em Contos.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio inspiração para a escrita?

Além de escritor, ministro aulas de Filosofia no Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Campus Lábrea.  Minha inspiração vem de diferentes maneiras, às vezes vem tudo pronto, cabendo somente melhorar alguns pontos, outras vezes idealizo passo a passo de acordo com o que almejo escrever.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Parafraseando Frei Beto, escrevo para exorcizar meus demônios. Escrevo por necessidade de liberar minha raiva, angústia, frustração, sonhos e expectativas a partir de palavras, construindo de forma estética a comunicação. Então para mim a melhor coisa, se é que existe algo melhor nesse processo de escrita, eu diria que é a arte de extravasar.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

No meu caso não existe um lugar específico para a minha escrita. Pode ser em qualquer lugar desde que haja silêncio, por isso eu costumo escrever de madrugada. Meus últimos contos surgiram às três horas da manhã. Pode ser em um caderno, uma folha rascunho ou um computador, para mim não faz diferença.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

Não tenho um gênero definido. Cada vez que escrevo faço algo diferente. Esse é o meu estilo. Escrevo de tudo um pouco, desde poesias, contos, cordéis, etc.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Meu primeiro livro chama-se Contos do meu sertão. Conta a história de minha infância. Escolhi esse nome porque meus pais moravam em uma fazenda chamada Grotão, no município de Carolina Maranhão.

Meu segundo livro chama-se Cartas Filosóficas: diálogos entre amigos, em parceria com o escritor cearense João Uilson. Trata-se de um conjunto de cartas onde falamos sobre a vida e ao mesmo tempo a respeito de nossas leituras filosóficas no cotidiano.

Geralmente eu escrevo e depois eu penso no título adequado. Já o nome dos personagens eu imagino algo que tenha sentido, algo metafórico e que um dia os leitores possam decifrar.

  1. Que tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

Começo a escrevendo, construindo lugares imaginários, espaços e personagens, os quais necessitam, na maioria das vezes, serem aprofundados, então faço variadas pesquisas, seja na internet ou em dicionários, também falo com amigos, etc.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Certamente. Sou apaixonado pelas literaturas dos escritores Ernest Hemingway, Edgar Allan Poe, João Guimaraes Rosa, Patrícia Mello, Carlos Drummond de Andrade, Gabriel Garcia Marques, Ruben Alves, dentre outros. Ultimamente li duas obras que me marcaram muito, Um velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda e Meia Pata de Ricardo Dantas. Espero escrever alguns contos inspirados nestes.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Sempre tive muitas dificuldades. Ainda não encontrei nenhuma editora que publicasse meus livros. Escrevo muito e tenho muito material guardado. A saída foi participar de antologias. Tenho muitos contos e poesias publicadas, porém ainda tenho material para uns dez livros.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

Penso que o cenário não é dos melhores. Publicar livros requer muitos recursos. Os livros digitais são um meio para os que não possuem recursos para publicação. Os livros físicos não fazem parte da cesta básica da maioria do povo Brasileiro.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Isso é ótimo, embora não concorde que se deva ler tudo que é publicado, porém, só aprende a selecionar se for descobrindo e, só descobrimos quando lemos, portanto, quanto mais livros e possibilidades de acesso à leitura, melhor.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Lamentável. As pessoas precisam ter acesso à leitura. Precisam ser incentivados a ler. Uma forma de possibilitar isso seria o investimento por parte do Governo em adquirir obras de novos autores, isentar impostos para editoras, enfim, incentivar a produção e o acesso aos livros.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Não sei exatamente, nunca pensei dessa forma, no entanto, tenho admiração por muitos livros, dentre eles O velho e o mar.

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Minha escolha seria a canção Travessia, de Milton Nascimento.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Pergunta difícil, afinal gosto de tantas obras, mas nenhuma delas me fez sentir essa sensação.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Meus projetos são muitos, e relacionados à escrita de diversos livros: um de filosofia sobre o amor em tempos de capitalismo, um erótico; um cuja história se passa na Transamazônica, bem como publicar todos os meus contos, poesias e um livro infantil que escrevi para o meu filho mais velho.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Vez ou outra leio comentários sobre as antologias que participo e os acho interessante. Penso que, mesmo as críticas negativas são importantes, afinal só critica quem lê, portanto, são bem-vindas e ajudam no amadurecimento dos escritores.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Todo escritor anseia ser lido, não importa quem seja essa pessoa. Pelo menos é assim que penso. Aproveito para convidar os leitores a buscarem a leitura do conto intitulado Escuridão que será publicado na antologia O Vazio, da editora Illuminare, escrito por mim. Seria maravilhoso. Ficaria muito feliz.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Seria ouvir alguém dizer: estou lendo o seu texto.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Aos leitores, eu diria que precisamos valorizar os pequenos autores através da leitura de suas obras. Aos escritores iniciantes, digo: escrevam sem medo e busquem publicar.

 

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