1. Fale-nos um pouco de você.

R – Passei a primeira metade da minha vida no Rio de Janeiro, onde nasci e fiz minha graduação em Jornalismo. Escrevo desde criança e até me destacava na escola por conta disso. Aos 15 anos eu tirei em 2º lugar no concurso Jovem Escritor Carioca e cheguei a ser entrevistada por Paula Saldanha, na TV Globinho. Aos 18 eu publiquei o meu primeiro livro junto com o meu irmão mais velho, pela Editora Shogun, de Cristina Oiticica, esposa de Paulo Coelho. Aos 22 anos, depois de formada, encerrei a minha carreira de escritora. Ao menos era o que eu pensava. Casei-me, tive 3 filhos e me mudei para Pernambuco, onde vivo até hoje.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

R – A minha inspiração para a escrita vem desde criança. Eu e meu irmão líamos muitas histórias em quadrinhos e todo o dinheiro que ganhávamos dos tios ou que conseguíamos juntar nos cofrinhos era para comprar livros de Agatha Christie, de Sherlock Holmes e os Almanaques/Manuais publicados pela Editora Abril.

Na fase adulta, trabalhei durante toda a minha vida no setor privado em atividades burocráticas, porém lendo e rabiscando uma coisinha ou outra, sempre que possível, sem grandes pretensões. Afinal, a inspiração também nasce da observação do cotidiano, de fatos que nos chamam a atenção.

Depois de aposentada, resolvi que era a hora de me atualizar e de me inserir no meio literário, em busca dos meus leitores. Hoje, sou dona de casa, pratico atividades físicas e vivo com meu marido e um com meu velho cachorrinho antissocial. (risos) Todo o tempo que me sobra, dedico-me à colaboração em grupos de produção de antologias (contos e poemas) e à escrita de novos textos. Na atual fase, confesso que diminuí o ritmo de leitura, mas depois retomo os livros que ainda não terminei de ler.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

R – Escrever é um desabafo; é um exercício de criatividade e de liberdade. Primeiro, começamos a escrever para nós mesmos. Depois, nos conscientizamos de que o que escrevemos tem que afetar o leitor de alguma forma positiva. Uma leitura prazerosa faz a pessoa se sentir bem. Uma história bem elaborada instiga a imaginação do leitor. Um poema bem construído consegue tocar e comover. Acho que é essa a resposta: a melhor coisa em escrever é provocar uma sensação positiva no leitor.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever? (Envie-nos uma foto)

R – Gosto de escrever na mesa da sala, de frente para a porta que tem a vista para uma parreira. O verde parece me ajudar na concentração.

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

R – Confesso que tenho preferência por poemas. Porém, gosto de escrever contos de vários gêneros: terror, suspense, humor… Só não me arrisco mesmo em ficção científica e em literatura fantástica.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

R – O meu livro solo que está em vários sites e-commerce, inclusive na Amazon, chama-se “Pedacinhos de Amor”. Com esse livro, que reúne 19 poemas curtos, fui a vencedora do Primeiro Concurso Trapiche de Contos e Poemas, promovido pela Editora Nordeste Cartonero, em 2018, em Pernambuco. Tenho várias outras publicações, com participação em antologias de contos e de poemas.

A inspiração para o título e nome dos personagens eu busco e encontro dentro das próprias histórias.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?

R – Para compor um romance que venho escrevendo há quase 3 anos, li vários clássicos nacionais com a mesma temática e pesquisei em alguns livros de história e em sites também.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

R – No início, é comum a gente gostar de um determinado autor e se espelhar nele. Com o tempo, a gente vai encontrando o próprio estilo.

Eu, particularmente, me inspirei nas obras de José de Alencar.

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

R – Há 2 anos, quando deixei de trabalhar fora, imaginei que o meu romance estivesse pronto e o enviei para algumas editoras que, obviamente, recusaram ou nem sequer deram resposta. Por estar afastada tantos anos do mercado editorial, eu não tinha conhecimento de que havia mudado tanto. Foi então que um desses editores me deu alguns conselhos e eu comecei a os colocar em prática. Desde agosto de 2019 venho fazendo vários cursos de escrita, participado de webinários, assistido a “n” canais no Youtube relacionados à escrita e ao meio editorial. Paralelo a isso, venho construindo a minha imagem de escritora, participando de antologias poéticas e de contos, explorando mais as redes sociais, interagindo em grupos de escritores e colocando meus trabalhos em várias plataformas como a Amazon e o Watpadd. Agora, sim, sinto-me segura para reescrever esse meu romance e o finalizar ainda neste ano de 2020.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

R – Vou responder estas duas perguntas numa única resposta. Acho a literatura nacional riquíssima. A quantidade de escritores contemporâneos que vejo é mesmo inacreditável. Por um lado, isso é excelente, partindo do pressuposto de que o escritor é um leitor, antes de se tornar um escritor. Também observamos que hoje em dia está muito mais fácil e simples de se escrever e se publicar, graças às ferramentas tecnológicas que temos em mãos. Porém, por outro lado, temos uma quantidade tão grande de escritores, que fica difícil encontrar nesse meio aqueles que efetivamente têm uma escrita diferenciada. É um trabalho de peneira extremamente difícil para as editoras.

Outra coisa que vemos atualmente é que a maioria das editoras quer investir em autores que dão garantias de um retorno financeiro. A crise no mercado editorial, com o fechamento de grandes livrarias, incentiva as editoras a buscarem estratégias como essa para continuarem com suas atividades. E tudo isso, colabora ainda mais para reduzir o espaço para novos escritores, que têm que buscar formas independentes de construção da sua carreira.

11. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

R – O preço alto realmente é um obstáculo para a venda de livros no país. Vemos que os custos dos serviços editoriais e gráficos, bem como de divulgação, encarecem demais o preço de capa. Esse é um dos motivos que levam os autores a se apropriarem de alguma das fases desse processo, buscando baratear seus livros. Hoje, encontramos escritores que são capistas, revisores, ilustradores e diagramadores. Depois das plataformas com a oferta de livros em formato digital, isso abriu um leque de opções tanto para os autores como para os leitores. Não estou querendo dizer que o e-book vai tomar o espaço do livro físico, mas sim que ele veio para minimizar essa questão da dificuldade de acesso à leitura.

12. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

R – Gosto bastante de “O Guarani”, de José de Alencar. É um livro com romance e aventura; com uma narrativa descritiva deliciosamente poética.

13. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

R – Tigresa, com Gal Costa.

14. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

R – Ainda não.

15. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

R – Tenho o projeto de terminar esse meu romance, que se passa na época da escravidão, aqui no Brasil. Nele tem momentos de romantismo, de humor, de drama, de mistério e suspense… Espero o conseguir concluir ainda neste ano.

16. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

R – Confesso que não acompanho. Não por falta de interesse, mas por falta de tempo mesmo. Acho que as opiniões e resenhas dos blogueiros ajudam bastante na divulgação e são extremamente importantes nessa época onde a maioria das pessoas que leem têm acesso às redes sociais.

17. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

R – Walcyr Carrasco. Quem sabe se esse meu romance em fase de finalização não serviria de base para uma novela?

18. Qual a maior alegria para um escritor?

R – No início, a maior alegria é ter em mãos o seu livro físico. Um livro publicado é como um filho que nasce. Mas, com o tempo, descobrimos que a maior satisfação de um escritor é ser lido e comentado.

19. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

R – Esteja seguro do que realmente você quer fazer na vida. Se o seu objetivo for se tornar um escritor, é necessário estar aberto a críticas e aprender com elas; ter humildade, disposição e disciplina para buscar aprendizado e aperfeiçoamento; nunca parar de ler outros autores; e ser perseverante e criativo durante essa longa jornada.

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