1. Fale-nos um pouco de você.

Meu nome é Úrsula, sou carioca, mas morei em outros dois estados. Comecei minha relação com a leitura pelas histórias de contos de fadas com fitas para acompanhar a leitura (criança dos anos 90), gibis da Turma da Mônica e os clássicos da coleção Vagalume. Decidi fazer Letras faltando poucos meses para a inscrição no vestibular, já que antes queria tentar Relações Internacionais. Foi uma das melhores decisões que tomei na vida.

  1. O que você fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?

Sou revisora e preparadora, e até o dezembro de 2018 fui professora de alemão. Minha inspiração para escrever veio, inicialmente, da vontade de me expressar de alguma forma. Expressar minhas observações e até mesmo meus demônios interiores. Acabou se tornando uma maneira de trabalhar meu turbilhão mental de uma cabeça ansiosa.

  1. Qual a melhor coisa em escrever?

Nós nos conhecemos mais através da escrita, e por nos conhecermos mais, conseguimos tocar mais as pessoas, seja pelo espanto, pela empatia ou até pela aversão.

  1. Você tem um cantinho especial para escrever?

Atualmente, tenho uma parte do meu quarto dedicado ao meu trabalho com revisora e para escrever também, mas se a ideia vier em qualquer lugar, eu paro e já esboço o que me vier na cabeça. 

  1. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?

É uma pergunta interessante. Quando comecei a escrever, comecei pela poesia e não pela prosa. Um dia eu simplesmente comecei a escrever prosa, mais especificamente contos, grande parte sobre percepções do cotidiano, fluxo de consciência, autopercepção. Havia escrito apenas um conto policial há alguns anos (que entrou pra minha coletânea). Esse ano, por pura experimentação, comecei a escrever contos de terror, sobrenaturais ou policiais. Achei que não conseguiria, mas aparentemente era uma possibilidade que estava latente o tempo todo.

  1. Fale-nos um pouco sobre seu (s) livro (s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?

Tenho apenas um livro publicado, e é uma coletânea de contos que iniciei na época da faculdade. Alguns personagens não têm nome, e outros tem alguma referência dentro da história ou da minha vida pessoal em algum ponto. Meus contos, em muitos aspectos, beiram autoficção.

  1. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro? 

Pesquiso geografia local, referências; gosto de fazer pesquisa fotográfica também e, se for algum assunto polêmico, gosto de ler artigos que falem do assunto.

  1. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?

Nunca parei para pensar nisso, mas tem autores que tem uma escrita que admiro muito, de gêneros variados como Clarice Lispector, J.R.R. Tolkien, Érico Veríssimo e Baudelaire (na poesia).

  1. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?

Meu livro de contos foi aceito na segunda editora que enviei a proposta, mas demorou bastante a ficar pronto. Na época era bem mais nova e conhecia pouco do processo editorial, o que dificultou um pouco meu olhar crítico em relação à qualidade da publicação.

  1. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?

O crescimento da publicação independente, dos financiamentos coletivos e até mesmo a Amazon têm aberto caminhos para escritores muito bons que estavam escondidos por aí. Fico muito feliz que o acesso à publicação esteja mais democrático, porque isso nos faz ver quantos autores de qualidade estão existem, mas que não estão (ainda) nas prateleiras de lojas convencionais.

  1. Recentemente surgiram várias pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?

Como disse na pergunta anterior, a democratização traz frutos muito bons, mas claro que pode gerar um quantitativo pouco preocupado com a qualidade, o que, na minha opinião, reflete muito do momento imediatista e fugaz em que vivemos, tanto em termos de qualidade de vida, quanto de consumo.

  1. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?

Você tem uma hora para ler?(risos) Não considero os preços realmente elevados. Comparados a outros mercados de peso no mundo (EUA, Inglaterra, Alemanha e França), os livros brasileiros têm uma média de preço menor. Claro, podemos argumentar que nos países citados, a moeda é mais forte, mas, mais do que isso, a população tem mais acesso a cultura e um salário menos injusto. O livro em si não é caro (pensando em todo o processo e até nos riscos cada vez maiores de não ter retorno dos investimentos – no caso das editoras), mas o preço em relação à renda do brasileiro acaba sendo proporcionalmente alto.

  1. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?

Bom dia, Verônica da Andrea Killmore (editora Darkside). 

  1. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria? (nome da música + cantor)

Só uma música? Não pode ser uma playlist do Spotify? Eu escrevo com frequência ouvindo música, então seria injusto escolher só uma música e cantor.

  1. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?

Li alguns livros que considero assim, mas dos últimos que li, incluo “A vegetariana” da Han Kang e a Trilogia Cósmica do C.S. Lewis.

  1. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?

Tenho me mantido focada em me especializar cada vez mais na área de revisão e, além disso, estudar sobre storytelling, sempre com o intuito de me aprimorar como leitora, revisora e escritora. Quem sabe não consiga reunir contos para mais uma coletânea? De imediato, estou elaborando um site para divulgação dos meus trabalhos.

  1. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?

Atualmente acompanho mais por conta do meu instagram, no qual posto, entre outras coisas, resenhas de livros lidos. Há muitas pessoas fazendo um trabalho muito interessante e fazendo leituras sérias do que se propõe a comentar ou resenhar. É bom notar que não só críticos literários tenham algum espaço para emitir opiniões a respeito de literatura, mas também o público que a consome. O trabalho do crítico é importante, mas o público para o qual o crítico fala e o registro que ele usa é diferente.

  1. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?

Caitlin Doughty, autora de “Confissões do Crematório” e “Para toda a eternidade”.

  1. Qual a maior alegria para um escritor?

Ter um canal para expressar o mundo, e dessa forma conhecer a si e os outros.

  1. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.

Não tenham medo de escrever. Não sintam vergonha do que escrevem. Não pensem que ninguém vai gostar. Enquanto houver sentimentos humanos sobre os quais possamos falar, terá alguém que deseje nos ler.

 

Um comentário

  1. Úrsula é incrível, um amor de pessoa e super amiga. Amei a entrevista e poder conhecer um pouco mais sobre essa autora maravilhosa.

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